segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Inglês instrumental: ferramenta imprescindível para o cotidiano

É evidente e gritante a importância atual do conhecimento de outro idioma, sobretudo do inglês (considerado a língua universal), do espanhol, devido à proximidade do Brasil com países hispânicos e ao fortalecimento do Mercosul, e, mais recentemente e devido à explosão da economia chinesa, do mandarim. O inglês, por exemplo, faz parte do nosso cotidiano por meio da informática, da eletrônica, dos negócios, etc., e, por isso, o conhecimento do chamado inglês instrumental é o mínimo que uma pessoa deve possuir dessa língua.

O inglês instrumental, ou de leitura, é na verdade um conhecimento básico que nos permite compreender as ideias básicas passadas pelos textos escritos nessa língua. É importante seu conhecimento devido à frequência de seu uso na informática e a existência de muitos manuais de equipamentos eletroeletrônicos de grande importância somente nesse idioma. Mas, para tanto, é necessário o uso de determinadas estratégias de leitura.

Assim, essa modalidade do idioma se divide basicamente em dois níveis: o skimming (compreensão geral) e o scanning (compreensão das ideias principais). Logo, para atingirmos esses dois níveis, temos que utilizar certos recursos, como:

1) Identificação das palavras cognatas: palavras cognatas são aquelas cuja grafia (ou raiz) e significados são semelhantes às suas correspondentes em português, como, por exemplo, document (documento), music (música), sound (som), etc. Este grupo de palavras é dividido em três tipos:

a) Cognatas Idênticas: possuem grafia e significados exatamente iguais nos dois idiomas, geralmente por serem de origem latina. Exemplo: radio, piano, hospital, etc.

b) Cognatas Parecidas: palavras cuja grafia tem diferença mínima e mesmo significado nos dois idiomas. Geralmente possuem uma ou mais letras suprimidas ou substituídas por outras letras ou por terminações equivalentes. Exemplo: tomato, car, gasoline, inflation, population (nestes dois últimos casos, a terminação -ção do português foi substituída por -tion em inglês).

c) Cognatas vagamente parecidas: possuem apenas uma ligeira semelhança com suas correspondentes. Exemplo: eletricity (eletricidade), explation (explicação), etc.

É importante, porém, atentar para o fato de que nem todas as palavras com grafia semelhante a da língua portuguesa possuem o mesmo significado desta, constituindo, então, os falso-cognatos. Entretanto, como o número de falso-cognatos é muito pequeno em relação aos verdadeiros, têm-se uma margem de erro muito estreita. Exemplos de alguns falso-cognatos: actual (verdadeiro), push (empurre), cigar (charuto), college (faculdade), lecture (palestra), guitar (violão), etc.

2) Levantamento das palavras de tradução conhecida: as palavras as quais a pessoa já tem conhecimento prévio do significado auxiliam bastante na compreensão de um texto, pois podem nos dá subsídios suficientes para detectar qual informação o texto está passando.

3) Observar as palavras repetidas: as palavras de conteúdo (verbos, substantivos, adjetivos) que mais se repetem no texto, frequentemente possuem uma grande relevância para a compreensão, pois muitas vezes sintetizam a ideia central do texto e, portanto, ao identificá-las é interessante buscar seus significados por meio de um bom dicionário.

4) Identificação das marcas tipográficas: marcas tipográficas são recursos visuais empregados no texto para chamar atenção do leitor para detalhes importantes deste. As mais frequentes são:

a) Números: representando datas, porcentagens, preços, posições, idades, quantidades, etc. Exemplo: 2008, 54%, R$ 45,00, 34, etc.

b) Uso de tipo especial: negrito, itálico e sublinhado, tal como também letras maiúsculas e em caixa alta, que são utilizados para dá destaque a determinadas informações.

c) Títulos e subtítulos: geralmente sintetizam o tema do texto, entretanto podem confundir ao utilizar, propositadamente, expressões de dupla interpretação ou de teor irônico.

d) Gráficos e tabelas.

e) Ilustrações e fotografias.

f) Layout: é a disposição gráfica do texto e tem sua importância pois alguns tipos de textos são fortemente caracterizados por sua forma de disposição no papel, como poemas, por exemplo.

5) Leitura rápida do primeiro e último parágrafo: geralmente um bom texto faz a apresentação do assunto a ser discorrido no primeiro parágrafo e apresenta suas conclusões no último, daí a importância de uma leitura prévia desses dois parágrafos para compreender o assunto abordado.

6) Grupo Nominal: a ordem das palavras em Inglês é diferente da ordem em Português, o que dificulta o entendimento de um texto nessa língua sem o conhecimento prévio de como as palavras se dispõe. É neste contexto que se insere o conhecimento da estrutura do grupo nominal, que é um grupo de palavras relacionadas entre si, onde encontramos:

  • núcleo: substantivo
  • modificadores: adjetivos, palavra com função de adjetivo, advérbios
  • determinantes: artigos, numerais (ordinais/cardinais) e pronomes (indefinidos/possessivos)
Assim, a estrutura geralmente é formada por: determinante + modificadores + núcleo, podendo apresentar vários determinantes, modificadores ou núcleos, não possuir determinantes ou modificadores, mas nunca sem núcleo. Exemplos: World Cups, Argentinean tango, a traditional festival, the first place, a very beautiful car, expensive books and magazines, Brazilian people, a student.

Além de todos esses conhecimentos mínimos apresentados, é importante ressaltar que o uso de um bom dicionário auxilia muito na tentativa de interpretar textos em Inglês e que o ideal é procurar um curso de idiomas e começar o quanto antes a adquirir e consolidar conhecimentos, expandindo os limites da mente humana.

Se você está interessado em obter materiais relacionados ao ensino da Língua Inglesa, acesse o site http://www.meusdadospessoais.xpg.com.br/, elaborado por Diego Imbiriba.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Resenha Memórias Póstumas de Brás Cubas



“Que Stendhal confessasse haver escrito um de seus livros para cem leitores, coisa é que admira e consterna. O que não admira, nem provavelmente consternará é se este outro livro não tiver os cem leitores de Stendhal, nem cinqüenta, nem vinte e, quando muito, dez. Dez? Talvez cinco.”
(Machado de Assis)

Nome do Livro: Memórias Póstumas de Brás Cubas
Publicação: 1880
Autor: Joaquim Maria Machado de Assis (1839-1908) nasceu no Morro do Livramento, no Rio de Janeiro. Filho de mulato em uma sociedade escravocrata, Machado de Assis foi autodidata. Aos 15 anos, começou a trabalhar em uma tipografia, o que possibilitou conhecer escritores importantes, abrindo-lhe caminho para a carreira literária. Sua primeira publicação foi um poema na revista Marmota Fluminense, em 1855. Logo após, torna-se burocrata, galgando cargos até conquistar a posição de Ministro substituto. Entretanto, tal carreira era mantida apenas para ganhar o sustento que o possibilitava escrever. Foi um dos principais responsáveis pela fundação da Academia Brasileira de Letras, em 1896, da qual é eleito presidente vitalício. Consagrado como o maior escritor brasileiro, é enterrado com pompa no Rio de Janeiro em 1908, quatro anos após a morte de sua esposa, a portuguesa Carolina Augusta Xavier de Novais. Suas obras são carregadas de ironia e sarcasmo, pessimismo e ceticismo, contribuição das experiências vividas (como o grave preconceito racial da família de sua esposa), da gagueira e da saúde precária que viveu a partir dos 40 anos, quando se agravou a epilepsia.
Preço: o livro pode ser encontrado numa faixa de preço que compreende, em média, R$ 7,00 à R$ 70,00, dependendo da editora ou do formato do livro, podendo também ser adquirido no formato PDF e gratuitamente no site Domínio Público, do Ministério da Educação (MEC).

Primeiro livro que li de Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas foi seu quinto romance e marca a transição que o autor realizou do Romantismo inicial de sua carreira, recheado de fantasias e inconstâncias, para o Realismo, sendo considerado por muitos a obra que introduziu essa nova escola literária no Brasil. A partir desse romance, Machado assume a postura que o caracterizaria no plano literário, tornando-se crítico sagaz da Sociedade em que vivera e surpreendendo o público e a crítica literária da época, causando, como resposta à ousadia apresentada na obra, um silêncio frente ao livro e sua difícil classificação entre os estilos literários até então existentes. Aliás, a ousadia de Memórias gerou uma falta de interesse do público, sobretudo o feminino que o lia em revistas, e uma reação de boicote por parte da crítica, que supervalorizava obras de menor qualidade literária para, assim, ofuscar a história de Brás Cubas, o defunto-autor de Memórias Póstumas. Tal reação se exemplifica no fato de que entre a 1ª e 2ª edição do livro transcorreram 15 anos (1880-1896).
Memórias Póstumas foi publicado originalmente como uma série de folhetins na Revista Brasileira em 1880, transformando-se, no ano seguinte, em um livro com correções realizadas por Machado. O livro é todo escrito em primeira pessoa e apresenta a biografia de Brás Cubas, que decide contar sua história de forma franca e isenta diretamente do túmulo, tornando-se um defunto-autor, como o próprio se apresenta no primeiro capítulo (Óbito do Autor). O humor negro e a ironia perpassam todos os capítulos do livro, inclusive o prólogo e dedicatória, pois, de acordo com o autor, Brás Cubas é particular por possuir rabugens de pessimismo.
A obra possui o poder de incluir o leitor na história, dando-lhe vida e contornos no texto, por vezes subestimando seu entendimento e inteligência e, por outras, o convidando a refletir. Agressivo, Machado de Assis utiliza recursos narrativos e gráficos inusitados, como capítulos curtos e até em brancos, que quebram o ritmo da narrativa e convidam à reflexão, ou o embaralhamento da ordem cronológica dos capítulos, associados a uma inteligência e ironia que corta a carne do leitor, mas que também o surpreende a cada página e o prende a cada linha lida. Suas palavras buscam deslocar o foco de interesse do romance tradicional, colocando a forma como seus personagens veem e sentem as circunstâncias em que vivem em primeiro plano, caracterizando o interior das personagens e apresentando suas contradições e problemáticas existenciais, estilo de escrita conhecido como romance psicológico.
Em sua abertura, o livro apresenta uma dedicatória escrita sob a forma de um epitáfio, que dá início a apresentação do inusitado autor do livro, Brás Cubas, e já traz um pouco do humor negro e cético que irá caracterizar a obra. Brás Cubas, conhecido entre os críticos literários como “o grande hipócrita da Literatura brasileira”, é um homem que passou a vida sem conquistar nenhuma realização (como se conclui no capítulo final Das Negativas), sem possuir objetivos definidos e apresenta-se como um turbilhão de contradições éticas, comportamentais e sentimentais. Quando criança fora criado com privilégios e proteção, mas, ao atingir a juventude, mostra-se irresponsável, sempre buscando tirar vantagem de tudo e adquirir poder. Na maturidade, consegue um cargo público e busca notoriedade e respeitabilidade ao querer tornar-se ministro, numa tentativa de compensar a existência sem nada de notável, exemplificada na falta de filhos, no desconhecimento do casamento, em não ter sido ministro e em não ter alcançado a celebridade com a invenção do emplasto, última tentativa de perpetuar seu nome entre os homens, “acima da ciência e da riqueza”.
Além da personagem principal, personagens secundárias também são apresentadas durante o livro, surgindo e desaparecendo sem uma ordem estabelecida, pois acompanham os pensamentos de Brás Cubas e a importância que este dá para os fatos e as pessoas. Dentre elas destacam-se Marcela, Eugênia, Virgília, sua irmã Sabina e Quincas Borba. Marcela foi sua primeira paixão da adolescência, aos 17 anos, e, como Brás gastava excessivamente presenteando-a, seu pai o obriga a estudar Direito em Coimbra, Portugal, retornando ao Brasil devido a doença e morte da mãe, seu primeiro contato com o dilema da Vida e da Morte. Mas na frente, Brás reencontra Marcela, velha e doente, e põe-se a refletir sobre a passagem do tempo, utilizando para tanto o que chamava teoria das edições da vida, anunciada nos primeiros capítulos. Eugênia era a filha de uma amiga pobre da família, a qual Brás Cubas namorou enquanto o pai procurava arranjar um casamento de interesse com Virgília, filha do Conselheiro Dutra, um influente político. Entretanto, Virgília casa-se com Lobo Neves e posteriormente se torna amante de Brás, sendo uma das três senhoras que este relata terem visto-lhe morrer, junto à Sabina, sua irmã, com a qual Brás Cubas teve uma desavença devido a divisão da herança deixada pelo pai, e sua sobrinha, filha de Sabina com Cotrim. 
Já Quincas Borba é considerado a personagem secundária em Memórias Póstumas que mais importância teria na obra de Machado de Assis que se seguiria, tanto que torna-se personagem-título para outra obra, publicada em 1891. Amigo dos tempos de escola, Quincas Borba e Brás reencontram-se anos depois, ocasião na qual Quincas lhe apresenta uma doutrina filosófica que criara, o Humanitismo. Quincas é um mendigo que vai enlouquecendo progressivamente, morrendo completamente fora de si. Sua doutrina pregava que tudo o que acontece na vida faz parte de um quadro maior de preservação da essência humana, artifício irônico utilizado por Machado ao fazer que uma doutrina de valorização da Vida seja defendida por um mendigo louco. Brás encontra na teoria do amigo justificativas para sua existência vazia, iludindo-se com a descoberta de um sentido para a vida, até perceber que Quincas Borba está enlouquecendo progressivamente.
Brás Cubas morre aos 64 anos, após adoecer por conta da idéia fixa de inventar um emplasto anti-hipocondríaco que levaria seu nome, tornando-o famoso. Após sua morte, decide contar sua vida em detalhes, seguindo a lógica de seu pensamento, devido sua falta de sistematização das ideias e a excitação ainda presente pelo o fato de estar morto. Enfim, Memórias Póstumas é uma obra feita para compreender através das reflexões da personagem que brinca com a ordem cronológica das narrativas, um marco da literatura brasileira que apresenta todo o talento daquele que foi o maior expoente das letras no Brasil.

Faça o download do livro gratuitamente AQUI.

domingo, 29 de novembro de 2009

O fortalecimento da EaD: do uso pejorativo do termo “Curso por Correspondência” ao nascimento de um novo modelo de Educação.

“O Poder Público incentivará o desenvolvimento e a veiculação de programas de ensino à distância, em todos os níveis e modalidades de ensino e de educação continuada.” Art. 80 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996


Na última sexta-feira, dia 27 de novembro de 2009, foi comemorado em todo o Brasil o Dia Nacional da Educação à Distância (EaD), modalidade de ensino que, diferentemente do que muitos pensam, já existia antes do advento da informática e da explosão do fenômeno Internet e que não se resume apenas aquela que é disponível na web, embora tenha recebido um maior impulso após esses fatos que marcaram o surgimento da Sociedade da Informação, a qual estamos vivenciando hoje. Na verdade, a EaD, como conhecemos hoje, é resultado de uma série de adaptações e diferenciações de modalidades educacionais ocorridas para acompanhar a evolução tecnológica e realizadas para suprir a necessidade humana de transmitir conhecimentos e experiências de geração para geração e para uma amplitude cada vez maior de pessoas. Seu surgimento modificou o espírito educacional, dando ao aluno que a utiliza maior domínio sobre seu próprio processo de aprendizagem, utilizando mídias de ensino diferenciadas, dispensando a presença física do mestre e, seguindo a tendência da moderna pedagogia, transformando este num provocador, motivador e facilitador do processo de ensino-aprendizagem, em detrimento da ultrapassada prática de dominação exercida pelo professor sobre seus alunos, que eram forçados a manterem-se inertes, tornando o processo de ensino uma relação de interação com apenas um lado ativo, portanto cheia de ruídos.

Como dito anteriormente, a EaD passou por uma série de transformações e adaptações ao que a Sociedade exigia (e continua exigindo), evoluindo de uma modalidade de ensino que focava apenas em seus conteúdos e resultados para uma onde, além desses dois fatores, há um foco na maneira como se realiza o processo de comunicação, tornando-se uma aprendizagem mais colaborativa, onde professores e alunos são produtores e consumidores de conhecimento, ou seja, evidenciou-se uma evolução de uma abordagem embasada pela corrente behaviorista da Psicologia, que tem como pressupostos a pregação de que resultados são influenciados por reforços positivos (recompensas) ou negativos (punições), para uma visão Construtivista, defensora da parceria e cumplicidade entre os atores do processo ensino-aprendizagem. Sua estrutura permite a criação de oportunidades educacionais a grandes contingentes de pessoas, mesmo com estas encontrando-se geograficamente distantes umas das outras e dos responsáveis pelo direcionamento das atividades a serem realizadas (coordenadores, tutores, monitores ou orientadores), mas sem desconsiderar as características individuais de seus usuários, pois possibilita uma maior flexibilidade, respeita o ritmo individual e se adequa ao estilo de aprendizagem do aluno, promove autonomia, exerce papel de inclusão social e, ao contrário do que muitos ainda pensam, não perde em qualidade pedagógica, além de possibilitar a redução de custos ao utilizar a Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) como forma de suporte, eliminando gastos com estruturas físicas para atender aos alunos e reduzindo o número de colaboradores necessários ao desenvolvimento das atividades, do ponto de vista do ofertante do curso, e extinguindo gastos com transporte e materiais, já que a maioria destes é disponibilizada virtualmente e no próprio ambiente de curso, e inclusive reduzindo o preço do curso, muitos oferecidos de graça e outros a um preço menor em comparação com o presencial, do ponto de vista de quem demanda pelo curso, ocasionando uma “industrialização do ensinar e aprender”.

Quando falo que a EaD já existia antes da Internet e que não está relacionada apenas a esta, refiro-me ao fato de que a mesma já se apresentou por meio do rádio (Projeto Minerva/Rádio MEC), do material impresso (Instituto Universal Brasileiro), da TV (Telecurso 2000, canal Futura), de vídeos, do telefone, da web e de tantas outras mídias quanto o homem já inventou. Nela, a experiência de gestor de seu próprio processo de aprendizagem possibilita ao aluno o exercício e a vivência de experiências que contribuem para o desenvolvimento de habilidades de aplicação do conhecimento adquirido em soluções de problemas, o mantém atualizado e lhe proporciona a possibilidade de seleção das informações que julgar mais necessárias para sua vida pessoal, social e profissional. Entretanto, o aluno que optar por esta modalidade de ensino deve ter consciência de que alguns aspectos de seu comportamento devem ser modificados, caso contrário podem tornar essa escolha mais onerosa e prejudicial do que a tradicional forma presencial de ensino, o que denota uma falha não na forma à distância como o curso é apresentado, mas sim na maneira como o próprio indivíduo delineou seu processo de ensino. Assim, como o conteúdo está sempre disponível, ao aluno cabe somente organizar seus materiais, observar as datas do cronograma do curso, distribuir o tempo, cumprir os prazos das tarefas, avaliar onde necessita aprofundar conhecimentos e onde já tem domínio assegurado, pesquisar e exercitar o conteúdo, já que ele é o responsável pela aquisição do conhecimento e tais medidas facilitarão o domínio do conteúdo do curso. Mas, isso não retira do professor algumas responsabilidades, pois a este cabe a orientação da aprendizagem, a disponibilização das alternativas e o estímulo do envolvimento do aluno em todo o processo.

Ademais, mesmo com tantas vantagens é necessária certa cautela ao se optar por um curso à distância. A principal desvantagem da modalidade, que, na verdade, nem está ligada a modalidade em si, mas a uma reação natural à mudança que esta vem realizando na estrutura educacional, é a falsa noção de que um profissional formado com o uso de tal metodologia apresenta qualificação inferior frente aqueles que obtiveram formação presencial (o estigma do “curso por correspondência”), muito embora tal percepção venha perdendo adeptos com o passar do tempo. Outro fato importante é a atenção para o critério de escolha de instituições, que deve ser criterioso e embasado em referenciais consistentes, pois a escolha de uma instituição errada pode implicar em grande prejuízo e numa subqualificação curricular. Alguns pontos importantes no processo de escolha de se fazer um curso presencial ou à distância são:

1. Verificar o grau de aprendizagem compartilhada;

2. Observar se há assistência constante do tutor e dos demais membros da equipe de suporte;

3. Avaliar a interatividade entre os atores do processo ensino-aprendizagem;

4. Analisar se a instituição respeita a disponibilidade e o ritmo de cada aluno;

5. Observar se há facilidade de acesso aos conteúdos;

6. Verificar se há uma perspectiva de desenvolvimento da autonomia do aluno;

7. Avaliar a disponibilidade de materiais que apresentem conteúdos auto-instrutivos;

8. Priorizar instituições que apresentem comunicação bidirecional;

9. Observar se existem mecanismos de socialização do conhecimento, como fóruns e salas de bate-papo, por exemplo;

10. Analisar se o ambiente do curso é projetado para uma utilização intuitiva ou se é complexo demais;

11. Em casos de cursos on line, observar a configuração mínima necessária.

Após analisados os aspectos apresentados, o aluno terá maiores subsídios para decidir qual processo de aprendizagem se adequa mais à sua realidade e qual instituição lhe proporciona maiores benefícios, o que gerará uma maior probabilidade de sucesso ao término do curso. Abaixo, seguem algumas dicas de cursos na modalidade EaD fornecidos na web, todos gratuitos.



Dicas de Cursos On Line Gratuitos

SEBRAE – O ambiente de EaD do Serviço de Apoio às Micros e Pequenas Empresas merece destaque por priorizar o incentivo a difusão de conhecimentos relacionados ao empreendedorismo, fomentando o desenvolvimento de novos negócios. No ambiente, tem-se acesso aos cursos Atendimento ao Cliente (AC), Boas Práticas nos Serviços de Alimentação: Gestão da Segurança (BPSA), Aprender a Empreender (AE), Análise e Planejamento Financeiro (APF), Como Vender Mais e Melhor (CVMM), D-Olho na Qualidade: 5S`s para os Pequenos Negócios e Gestão de Cooperativas de Crédito (GCC). Ao realizar a inscrição em um desses cursos, o aluno é inserido automaticamente no curso de Ambientação, que é uma apresentação do conceito de EaD e da estrutura do ambiente de curso, facilitando seu desenvolvimento e possibilitando ao aluno aproveitar com eficácia todas as ferramentas disponibilizadas. Possui como desvantagem o fato de que seus cursos não são disponibilizados imediatamente, pois dependem da formação de turma. Indico o site para quem está em busca de conhecimentos iniciais sobre empreendedorismo.

CIEE – O Centro de Integração Empresa-Escola oferece cursos on line nas mais diversas áreas, englobando da Atualização Ortográfica à Cidadania e Meio Ambiente. Entretanto, os cursos oferecidos são relacionados, na grande maioria, a assuntos básicos, podendo causar frustração aqueles que buscam conhecimentos mais técnicos e avançados, afinal o site tem como público-alvo principal adolescentes que estão iniciando sua preparação para o mercado de trabalho. Mesmo assim, vale a pena o acesso para quem considera toda forma de conhecimento válida.

FNQ – O site da Fundação Nacional da Qualidade apresenta tanto cursos gratuitos quanto pagos, destinados ao desenvolvimento da qualidade nas organizações brasileiras. Destaco os cursos de Sensibilização para a Excelência em Gestão, Modelo de Excelência em Gestão (MEG) e Preparatório para Banca de Examinadores do Prêmio Nacional de Qualidade, todos voltados para a implantação dos pressupostos do PNQ nas organizações brasileiras, com destaque maior para o último, que é a primeira fase para obtenção da oportunidade de ser examinador do referido prêmio, com o restante da qualificação para tal sendo realizada presencialmente. Todos os cursos apresentam conteúdo altamente técnico e de muita qualidade.

Aprendendo A Exportar – Embora não seja um curso propriamente dito, essa página da Internet criada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) apresenta ótimo conteúdo para quem tem interesse em Comércio Exterior, introduzindo conceitos básicos e delineando ações a serem praticadas para conseguir exportar produtos com qualidade e rentabilidade. Indicadíssimo!

FGV On Line - Indicado pelo amigo e colega de faculdade Rodrigo Franco,o portal de cursos on line da Fundação Getúlio Vargas oferece cursos gratuitos de qualidade, nas áreas de Gestão Empresarial, Metodologia, Atualização Ortográfica e em outras Áreas do Conhecimento. Tal serviço só se tornou possível a partir do momento que a FGV se tornou membro do OCWC (Open Course Ware Consourtium), que consiste num consórcio de instituições de ensino de diversos países que oferecem conteúdos e materiais didáticos gratuitamente pela Internet, tornando-se a primeira instituição brasileira a aderir ao consórcio. Os cursos apresentam conteúdos atualizados e com riqueza no assunto desenvolvido, além de textos complementares que podem ser "baixados" no próprio ambiente do curso e sugestões de vídeos e sites relacionados ao tema de cada curso.

ATUALIZAÇÃO: as dicas abaixo foram acrescentadas à postagem no dia 15 de fevereiro de 2013.



Referências Bibliográficas
  1. Manual de Ambientação – Guia do Aluno (SEBRAE, 2009)

  2. Guia Interativo de Informação Profissional e Educacional – GIIPE/CIEE. Educação à Distância e o futuro. (Arnaldo Niskier)

  3. Guia Interativo de Informação Profissional e Educacional – GIIPE/CIEE. Nasce Um Novo Modelo de Educação. (Maurício Chermann e Luci Mendes Bonini)

domingo, 22 de novembro de 2009

Resenhas

A partir de hoje, inicio a postagem de uma série de resenhas, onde vou apresentar sugestões de livros que considero interessantes de serem lidos. A série não será contínua, o que significa que será intercalada por outros tipos de postagens. Os livros que indicarei a vocês serão dos mais diversos gêneros e expressarei minha opinião sobre eles sempre deixando espaço aberto para a opinião de vocês, sejam elas a favor ou ao contrário da minha. Abaixo segue minha primeira sugestão. Conto com a participação de vocês!
Amarildo Ferreira Júnior

Nome do Livro: Administração – Teoria e Prática no Contexto Brasileiro

Autores: Filipe Sobral (Doutor em Administração pela Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getúlio Vargas, Mestre em Ciências Empresariais pela Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, Portugal, e Coordenador Acadêmico do Programa de Certificação de Qualidade da FGV) e Alketa Peci (Doutora em Administração e Mestre em Administração Pública pela Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getúlio Vargas).

Editora: Prentice Hall

N° de páginas: 416

Preço: em média R$ 100,00

Primeiro livro que li relacionado à Administração, Teoria e Prática no Contexto Brasileiro é um livro indicado a quem está iniciando seus estudos nessa ciência social aplicada, tendo como objetivo familiarizá-lo ao universo da Administração, pois apresenta conceitos básicos para o administrador e seu conteúdo está aplicado diretamente à realidade brasileira, algo raro quando se trata de literatura para administradores, onde ainda há predominância de compilações e traduções de livros estrangeiros, que muitas vezes não apresentam nas teorias defendidas um ponto de aplicação em solo brasileiro. O livro se divide em 12 capítulos, que passeiam pela apresentação dos conceitos básicos para um administrador, a descrição e análise do processo de tomada de decisão, uma visão geral e evolutiva das principais escolas do pensamento em Administração, analisa e retrata as 4 principais funções de um administrador (Planejar, Organizar, Dirigir e Controlar) e, por fim, apresenta as áreas funcionais de Operações, Marketing, Recursos Humanos e Financeira. A leitura do livro permite a aquisição da percepção do que é uma organização, quem é o administrador e em que consiste a expressão administrar uma organização, dando ao leitor pressupostos básicos para adquirir maturidade e, assim, manter contato com livros mais profundos sobre temas administrativos, consolidando de maneira mais eficiente conhecimentos adquiridos.

Os autores também apresentam uma visão dinâmica da Administração, análises de alguns casos, dentre eles se destacam o da Gol Linhas Aéreas e de Roger Agnelli, Diretor-Presidente da Vale, e buscam apresentar as tendências e os desafios para o administrador contemporâneo, o que aumenta ainda mais a necessidade de leitura desse livro por qualquer pessoa que se interesse ou pretenda atuar na ciência da Administração.

Leia abaixo dois comentários sobre o livro apresentado:

"O livro Administração: Teoria e Prática no Contexto Brasileiro preenche uma importante lacuna entre os livros-texto de administração em língua portuguesa. Os professores Filipe Sobral e Alketa Peci elaboraram um trabalho não só rigoroso e claro, mas principalmente aplicado à realidade brasileira. Trata-se de uma obra de leitura obrigatória para estudantes de administração e administradores. Os leitores se beneficiarão da visão sistêmica, integrada e abrangente apresentada no texto."

(Antonio Freitas, Ph.D. Presidente da Associação Nacional dos Cursos de Graduação em Administração – ANGRAD)

"Administração: teoria e prática no contexto brasileiro constitui uma inestimável contribuição para a formação básica dos futuros administradores que buscam graduar-se ou daqueles que, em nível de pós-graduação, procuram complementar os estudos, qualificando-os a vôos mais ambiciosos como dirigentes, consultores ou professores e pesquisadores."

(Bianor Scelza Cavalcanti, Ph.D. Diretor da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getulio Vargas - EBAPE/FGV)

domingo, 15 de novembro de 2009

Ministério do Trabalho e Emprego publicou Portaria que torna obrigatória a certificação dos SREP

No dia 21 de agosto de 2009, o Ministro do Trabalho e Emprego Carlos Roberto Lupi assinou e publicou a Portaria de número 1.510 que disciplina o uso do ponto eletrônico nas empresas. Tal medida obriga às empresas a adotarem um sistema de controle da assiduidade de seus colaboradores certificado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, o que impede a adulteração dos dados e fraudes dentro das empresas para não pagar horas extras, gerando uma maior certeza de correção na marcação, protegendo funcionários, ao lhes proporcionar uma maior garantia de registro de sua efetiva jornada de trabalho, e empregadores, ao permiti-lhes um maior controle sobre a assiduidade e frequência de seus funcionários.
Segundo a Portaria, as organizações têm um prazo de 12 meses a partir da publicação da mesma no Diário Oficial para certificarem seus relógios de ponto, entretanto a adaptação dos arquivos e dos sistemas às especificidades da portaria deve ser imediata. Assim, a Portaria obriga as empresas a adotarem um SREP (Sistema de Registro Eletrônico de Ponto) que registre horários fielmente, não sendo permitidas, por lei, ações que desvirtuem os fins legais para os quais é adotado o SREP, como:
  • Imposição, por parte das empresas, de restrições de horário à marcação do ponto;
  • Marcação automática do ponto (utilizando-se horários predeterminados ou o horário escrito no contrato de trabalho);
  • Exigência, por parte do sistema, de autorização prévia para marcação de sobrejornada;
  • Existência de qualquer meio que permita a alteração dos dados registrados.

Logo, quando da realização de fiscalizações trabalhistas e auditorias, se forem encontradas provas de que houve adulteração dos horários marcados pelo funcionário ou de que existem subrotinas ou programas internos que permitem o desconhecimento do horário real de trabalho do profissional, documentos e equipamentos da empresa deverão ser recolhidos, testemunhas serão ouvidas e demais técnicas necessárias serão adotadas para comprovação do ato ilícito, com a empresa enquadrando-se na situação de passividade de multa e de ação trabalhista, correndo o risco de ter de ressarcir seus colaboradores prejudicados por falta de pagamento de horas extras, sobrejornadas ou que forem obrigados a simular sua saída do trabalho em um horário que não é o real.
Para acessar a Portaria 1.510, de 21 de Agosto de 2009 na íntegra, clique aqui.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Comissão de Formatura AGBF 2011.2

Acesse também o blog http://formaturaideal.blogspot.com
e expresse sua opinião sobre o que a Comissão de Formatura dos discentes do
3º período do Curso de Administração da Faculdade Ideal (FACI) podem fazer
em relação ao meio acadêmico belenense.
Dicas, críticas, opiniões e sugestões são bem vindas!

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Um novo desabrochar da flor do Lácio



Desde 1º de Janeiro de 2009 está em vigor o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, que visa a unificação ortográfica do idioma, sua simplificação e aprimoramento em todos os países membros da comunidade lusitana e um aumento de seu prestígio internacional. Porém, junto com esse Acordo, surgiram dúvidas quanto ao fato de quais e quantas mudanças ocorrerão em nossa ortografia, como será feita a transição da atual norma ortográfica para a nova norma estabelecida e como foi elaborado este novo regimento. Logo, propus-me pesquisar para esclarecer tais dúvidas, possibilitando minha atualização ortográfica e a exposição do que pude encontrar de esclarecedor para todos os que acompanham as publicações deste blog. Para tanto, utilizei-me do que está sendo veiculado na mídia (conteúdo que considero pobre em relação ao que os meios de comunicação em massa poderiam e deveriam dispor à população, demonstrando mais uma vez o descompromisso que os “formadores de opinião” têm com a Educação e a Cultura de nosso país) e tive acesso, por meio do site do Ministério da Educação, ao Diário Oficial da União de 30 de Setembro de 2008, data na qual foi publicado o Decreto Nº 6.583, de 29 de setembro de 2008, que promulga o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.
Histórico do Acordo
O Acordo em questão não é assunto tão recente como muitos (inclusive este que lhes escreve) pensavam. Ele teve seu projeto aprovado em Lisboa no dia 12 de outubro de 1990 pela Academia das Ciências de Lisboa, Academia Brasileira de Letras e pelas delegações de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe, tendo adesão da delegação de observadores da Galiza, sendo assinado, naquela mesma cidade, em 16 de dezembro de 1990 pelos representantes da República Popular de Angola, República Federativa do Brasil (representada por Carlos Alberto Gomes Chiarelli, Ministro da Educação à época), República de Cabo Verde, República da Guiné-Bissau, República de Moçambique e República Portuguesa, com distribuição de um exemplar de mesmo teor e valor para cada delegação. Em seu projeto foi estabelecida a data de 1º de janeiro de 1993 como prazo final para elaboração, pelos Estados signatários do Acordo, através de suas instituições e órgãos competentes, de um novo vocabulário ortográfico comum à língua portuguesa que atendesse a todas as expectativas possíveis, e a data de 1º de janeiro de 1994 para inicio de seu vigor, após apresentação, por parte de todos os Estados signatários junto ao Governo da República Portuguesa, dos instrumentos necessários à sua autenticação. Aqui no Brasil, o Acordo foi aprovado pelo Congresso Nacional, por meio do Decreto Legislativo Nº 54, em 18 de abril de 1995 e teve seu instrumento de ratificação depositado junto ao Ministério de Negócios Estrangeiros da República Portuguesa em 24 de junho de 1996, entrando em vigor em âmbito internacional e num plano jurídico externo em 1º de janeiro de 2007.
O Acordo, como já citado anteriormente, já está produzindo efeitos desde 1º de janeiro de 2009, entretanto, como o mesmo não obedeceu os prazos estipulados, para regularizá-lo foi necessária a adoção de dois Protocolos Modificativos, um de 17 de julho de 1998, assinado na Praia e o outro de 25 de julho de 2004, assinado em São Tomé, no qual houve a adesão da República Democrática de Timor-Leste. Verifica-se que ele prevê um período de transição, no qual a antiga e a nova norma ortográfica coexistirão, que se estenderá até 31 de dezembro de 2012. Seu anúncio, no dia 29 de setembro de 2008, foi marcado por uma cerimônia realizada no Salão Nobre da Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro, em meio a celebração dos 100 anos da morte do escritor brasileiro Machado de Assis e foi presidido pelo presidente Lula, que ressaltou uma aproximação do Brasil com suas raízes, a importância dos acordos educacionais e culturais do Brasil com os países da África que falam português e um fortalecimento da língua e cultura brasileira.
Acredito que, embora existam resistências e dificuldades de transição de uma norma para outra, tal medida possibilitará o fortalecimento que se propõe da língua portuguesa e uma melhoria nas relações entre as Nações lusófonas, além de extinguir certas peculiaridades que, se algum dia tiveram alguma função, hoje estavam totalmente obsoletas. Entretanto, para que o Acordo seja realmente cumprido e não vire mais uma lei “elefante branco”, é importante a realização de um processo de reeducação da população eficaz e de reciclagem e adequação dos meios didáticos (livros, professores, etc.) às novas normas por parte de todas Nações envolvidas. No Brasil, por exemplo, foi estabelecido que a partir de 2010 os livros escolares distribuídos pelo Ministério da Educação à rede pública de ensino deverão ser editados somente na nova ortografia. Medidas iguais a esta e outros cuidados são necessárias para que não ocorram mais uma vez os fracassos obtidos nas tentativas de 1931, 1943, 1945, 1975 e 1986, embora a promulgação de algumas leis em 1971, no Brasil, e 1973, em Portugal, terem reduzido algumas divergências ortográficas entre os dois países.

Quais mudanças mais significativas?
Segundo dados do MEC, 0,8% dos vocábulos no Brasil e 1,3% em Portugal serão modificados pelo Acordo, ocasionando uma unificação de cerca de 98% do vocabulário geral da língua. Note que Portugal terá um percentual maior de mudanças do que o Brasil. Isso deve-se, principalmente, ao fato de que Portugal terá que suprimir consoantes mudas em alguns vocábulos, como ação (acção), ativo (activo), diretor (director), ótimo (óptimo), entre outras, enquanto o Brasil já as aboliu a certo tempo. Veja abaixo a relação de algumas normas ortográficas presentes no Novo Acordo (algumas realmente novas outras remanescentes da antiga norma que julguei importante ao conhecimento de todos):
Recomendação da substituição, sempre que possível, de nomes próprios de línguas estrangeiras por formas vernáculas, quando estas estejam vivas em português, se já forem antigas, ou se puderem ser inseridas no uso corrente, o que evita um corrompimento da língua por estrangeirismos. São citados como exemplos no acordo os seguintes casos: Anvers, substituído por Antuérpia; Cherbourg, por Cherburgo; Garonne, por Garona; Genève, por Genebra; Jutland, por Jutlândia; Milano, por Milão; München, por Munique; Torino, por Turim; Zürich, por Zurique, etc.
Suprime-se o h “quando, apesar da etimologia, a sua supressão está inteiramente consagrada pelo uso: erva, em vez de herva; e, portanto, ervaçal, ervanário, ervoso (em contraste com herbáceo, herbanário, herboso, formas de origem erudita)”.
“Em algumas (poucas) palavras oxítonas terminadas em -e tônico, geralmente provenientes do francês, esta vogal, por ser articulada nas pronúncias cultas ora como aberta ora como fechada, admite tanto o acento agudo como o acento circunflexo: bebé ou bebê; bidé ou bidê, canapé ou canapê, caraté ou caratê, croché ou crochê, guiché ou guichê, académico ou acadêmico, matiné ou matinê, nené ou nenê, ponjé ou ponjê, puré ou purê, rapé ou rapê. O mesmo se verifica com formas como cocó e cocô, (letra do alfabeto grego) e . São igualmente admitidas formas como judô, a par de judo, e metrô, a par de metro.”
Os ditongos representados por -ei e -oi na sílaba tônica das palavras paroxítonas não são acentuados. Assim, algumas palavras, que antes recebiam acento agudo nesses casos, como assembleia, ideia, epopeico, onomatopeico, proteico, heroico, jiboia, apoio (do verbo apoiar) e alcaloide, perderão o acento, equiparando-se a aldeia, baleia, cadeia, cheia, meia, apoio (subst.) e dezoito.
Torna-se prescindível o uso de acento circunflexo nas formas verbais paroxítonas que contêm um e tônico oral fechado em hiato com a terminação -em da 3ª pessoa do plural do presente do indicativo ou do conjuntivo, conforme os casos: creem, deem (conj.), descreem, desdeem (conj.), leem, preveem, redeem (conj.), releem, reveem, tresleem, veem. Também dispensa-se o acento circunflexo para assinalar a vogal tônica fechada com a grafia o em palavras paroxítonas como enjoo (substantivo e flexão de enjoar), povoo (flexão de povoar), voo (substantivo e flexão de voar), etc.
Cai em desuso a adoção de acento, seja agudo ou circunflexo, de palavras que, sendo homógrafas, possuem mesma vogal tônica aberta ou fechada, deixando, portanto, de se distinguirem pelo acento gráfico, tal como: para (á), flexão de parar, e para, preposição; pelo(s)(ê) (antes pêlo), substantivo, e pelo(ê) combinação de per e lo(s); polo(s)(ó), substantivo, e polo(s), combinação antiga e popular de por e lo(s); etc.
É inteiramente suprimido o uso do trema (¨) em palavras portuguesas e aportuguesadas, exceto quando tratar-se de nomes próprios estrangeiros e seus derivados, tais como hübneriano, de Hübner, mülleriano, de Müller, etc.
Não mais se usa o hífen em formações em que o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por r ou s, devendo estas consoantes duplicar-se, prática aliás já generalizada em palavras deste tipo pertencentes aos domínios científico e técnico. Assim temos: antirreligioso, antissemita, contrarregra, comtrassenha, cosseno, extrarregular, infrassom, minissaia, tal como biorritmo, biossatélite, eletrossiderurgia, microssistema, microrradiografia.
Com relação às letras mudas, serão suprimidas. Entretanto existem alguns casos em que, devido fatores geográficos, se permite dupla grafia, tal qual súbdito e súdito, subtil e sutil, amígdala e amídala, omnisciente e onisciente, aritmética e arimética. Nestes casos, os dicionários de língua portuguesa deverão registrar as duas formas, esclarecendo, tanto quanto possível, sobre o alcance geográfico e social desta oscilação de pronúncia.
A importância da unificação da língua
Considerando todas as mudanças que estão em curso na ortografia da língua portuguesa no Brasil e em todos países lusófonos, surgiram algumas manifestações contrárias a tais medidas. Entretanto, partilho a mesma opinião de muitos cidadãos sensatos que reconhecem que o primeiro patrimônio de um povo é sua língua, que deve ser valorizada e fortalecida como qualquer outro patrimônio. Portanto, esta padronização fortalece o reconhecimento internacional deste que é um dos cinco idiomas mais falados no Mundo, evita impasses quanto qual “vertente” do idioma (o de Portugal ou do Brasil), originadas em 1911, quando foi realizada uma grande reforma ortográfica em Portugal que não foi adotada pelo Brasil, será usada para à elaboração de documentos de alcance internacionais, permite a eliminação de algumas dificuldades, principalmente quanto a localização das palavras nos dicionários, de estudantes e professores estrangeiros de português, viabilizando uma maior propagação do idioma pelo Mundo, e possibilita uma aproximação maior das nações que o adotam, como língua oficial ou não, em todas as atividades humanas: comércio, cultura, política, etc. Um exemplo de como essa unificação terá um efeito positivo na realidade é a redução de custos de editoras brasileiras que comercializam livros nos países lusófonos da África ao dispensarem a elaboração de uma nova edição das obras para adequá-las ao português local.
Assim, considero que estamos vivendo um momento ímpar para a filologia brasileira e portuguesa, visto que desta vez há um consenso maior quanto às mudanças que serão feitas e um percentual menor de vocábulos que sofrerão mudanças, diferentemente do que ocorria nas primeiras tentativas de recriar somente um idioma português, onde as mudanças seriam feitas em praticamente toda a língua com, inclusive, retorno de algumas normas já abolidas no Brasil.
Para os conservadores, contrários à nova regra, convém informar que tais mudanças respeitarão as diferenças culturais, históricas e de pronúncia existentes atualmente e também é importante lembrar que, graças às mudanças acrescidas à língua, pudemos evoluir do latim vulgar, passando pelo galego-português dos Trovadores e deixando, não sem admiração e respeito à nossa pátria e nossa história, as Pharmacias nas esquinas de nosso passado, obtendo este maravilhoso idioma que, como disse Bilac, é esplendor e sepultura.

Fora, Temer!