segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Conteúdo de palestra ministrada no dia 21/12/2008 na PIB Jardim Sideral


TEMA: “Max Weber e os três tipos puros de dominação legítima”.
OBJETIVO: apresentar e analisar p pensamento weberiano sobre os três tipos ideais de dominação, estabelecendo como tal entendimento pode ser agregado ao cotidiano individual.


Max Weber – Pequena Biografia: Max Weber (1864-1920) foi um sociólogo e jurista alemão, um dos mais importantes intelectuais do final do século XIX e início do XX, considerado um dos fundadores da Sociologia. Dedicou-se a vários estudos sobre Sociologia da Religião e entre suas principais obras estão “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo” (1904-5) e “Economia e Sociedade” (1922), onde ele fala sobre os três tipos ideais de autoridade, tema desta palestra.




Poder, dominação e legitimação

Muitas pessoas consideram poder e dominação como sinônimos, entretanto tais conceitos possuem apenas uma ligação e, portanto, diferem entre si. Assim sendo, diz-se do poder como sendo a capacidade de induzir ou influenciar o comportamento de outra pessoa, seja utilizando-se de coerção, manipulação ou de normas estabelecidas, ao passo que dominação (ou autoridade) é o direito adquirido de se fazer obedecido e exercer influência dentro de um grupo, podendo fundamentar-se, como motivo de submissão, em tradições e costumes institucionalizados, qualidades excepcionais de determinados indivíduos, afeto, interesses ou regras estabelecidas racionalmente e aceitas por todos. Muitos autores, dentre eles o próprio Weber, a consideram como uma probabilidade de exercer poder, pois, para tanto, não basta a si somente os motivos citados anteriormente, mas, numa relação entre dominador e dominados, também um apoio em “bases jurídicas”, onde surge a legitimação, ou seja, aquilo que vai possibilitar a crença dos dominados de que a dominação é legítima, sendo, portanto, fundamental ao seu exercício. Assim, autoridade é o estado que permite o uso de certo poder, mas que, para tanto, necessita de preceitos que, segundo Weber, estão ligados - em seu estado ideal – a uma estrutura social e a um meio administrativo diferente para cada um dos três tipos para ser legitimada.


Os três tipos de dominação segundo Max Weber

Em sua obra “Economia e Sociedade”, publicada dois anos após seu falecimento por sua esposa, Weber classifica a autoridade em três tipos, dependendo principalmente das bases da Sociedade em questão, ou seja, das bases de sua legitimidade:


Racional-Legal: origina-se de regras, estatutos e leis sancionadas pela Sociedade ou organização. Tais regras definem a quem obedecer e até quando obedecer, tornando possível a aceitação, por parte dos subordinados, de um superior devido uma consciência de que este tem direito de dar ordens, ou seja, reconhecem que a autoridade está no cargo ocupado e não na pessoa que o ocupa, que só pode exercer a dominação dentro dos limites estabelecidos pelo cargo ocupado. Sendo assim, a associação dominante é eleita ou nomeada pelas leis e regras definidas por todos, com a idéia básica de que qualquer direito pode ser criado ou modificado mediante um estatuto sancionado corretamente, ou seja, que leve em consideração as necessidades de todos os envolvidos, e os subordinados são membros da associação. Aqui o poder é impessoal, obedecendo-se à regra estatuída e não à pessoa; a administração é extremamente profissional e também está subordinada ao estatuto que a nomeou, não possuindo influência pessoal e/ou sentimental; e seu funcionamento tem por base a disciplina do serviço. As nomeações obedecem a exigências e competências profissionais para a atividade de um cargo, são baseadas em contratos de serviço, recebem um pagamento fixo de acordo com o cargo ocupado e possuem iguais chances de ascensão de acordo com as regras pré-estabelecidas. Logo, conclui-se que esta forma de Autoridade nos remete diretamente às instituições burocráticas, onde quem ordena é dito superior e os que obedecem são os profissionais, e que tal dominação só foi possível com a consolidação do Sistema Capitalista de Produção, que realizou a transição de uma Sociedade baseada em valores (tradicional) para uma orientada para objetivos, com regras e controle racional dos meios para atingir os fins. Exemplos: empresas capitalistas privadas, a estrutura moderna do Estado, forças armadas, etc.


Tradicional: tem como base de legitimação, e de escolha de quem a exercerá, as tradições e costumes de uma dada sociedade, personificando as instituições enraizadas no seio desta sociedade na figura do líder. Acredita na santidade das ordenações e dos poderes senhoriais, em um “estatuto” existente desde o principio, com o poder emanando da dignidade própria, santificada pela tradição, e do líder. Neste tipo, quem ordena é o senhor e quem obedece são os súditos, as regras são determinadas pela tradição, regidas pela honra e a boa vontade do senhor, que é considerado justo, e há uma prevalência dos princípios de equidade material em detrimento dos formais na atividade administrativa. Exemplos: a dominação patriarcal (tipo mais puro dessa dominação), uma aldeia indígena, a monarquia, os despotismos, o Estado Feudal, etc.


Carismática: etimologicamente, é aquela apoiada na devoção a um senhor e a seus dotes sobrenaturais (carisma). A influência só é possível devido qualidades pessoais, tais como faculdades mágicas, revelações, heroísmo e poder intelectual ou de oratória, com depósito de confiança em alguém que é visto como um herói, santo, salvador ou exemplo de vida, extinguindo-se quando há perda de credibilidade ou quando as virtudes que geravam tal influência sofrem desgaste. Em outras palavras, a dominação só dura enquanto há carisma. Nesta, quem ordena é visto como líder e os dominados são considerados apóstolos, discípulos, pupilos, seguidores, fãs, etc. O poder é pessoal, ou seja, obedece-se a pessoa por suas qualidades excepcionais e não por uma posição ocupada por ela formalmente ou por uma dignidade advinda das tradições. Este tipo de autoridade não deriva do reconhecimento, por outro lado, o reconhecimento e a fé são considerados deveres. Desconhece o conceito de competência ao nomear seu quadro administrativo sem considerar qualificações profissionais e também o de privilégio ao desconsiderar os costumes. Aqui o dominador é visto pelo dominado como alguém que possui uma missão a ser executada na Terra e, portanto, não necessita de regras e pode ser considerado como acima de toda lei imposta, pois necessitaria apenas de suas qualificações carismáticas para cumprir seus desígnios. Desprende-se da tradição devido à revolução ou renovação que o líder anuncia e a aceitação de suas ordens é de caráter obrigatório, desde que outra, também de origem carismática, não se oponha, quando há uma disputa entre líderes, onde somente a comunidade e a força do carisma de ambos, que será comparada e mensurada, irão decidir de qual lado está a “verdade”. Este tipo de Autoridade é um dos maiores impulsores das revoluções pela qual a humanidade passa, entretanto, por ser extremamente pessoal, tende a ser autoritário em sua forma mais pura. Exemplos: grandes demagogos, heróis guerreiros, profetas, Fidel Castro (na época da Revolução Cubana), Antônio Conselheiro, Gandhi, Jesus Cristo, Adolf Hitler, etc.


Conclusão

O objetivo desta palestra foi explicar os tipos de autoridade descritos por Weber em seu trabalho, entretanto é interessante ressaltar que os três tipos expostos são ideais, não no sentido de que deveriam ser estes os existentes na realidade, mas no sentido de serem projeções “utópicas” que não podem ser encontradas de forma pura na realidade, apresentando-se, freqüentemente, combinados. O propósito de Weber, e que estendo a esta palestra, era fazer uma construção intelectual, exagerando alguns aspectos da realidade, possibilitando uma melhor compreensão da Sociedade em que vivemos. Logo, acredito ser importante atentar para os pontos descritos e verificar qual tipo de Dominação predomina nos meios em que vivemos (escola, empresa, igreja e todas as organizações sociais das quais fazemos parte), podendo, portanto, melhorar nossa convivência ao possibilitar a criação de mecanismos de adequação ou de mudança quando necessário. Também acredito ser importante criarmos um senso crítico com relação às bases da legitimidade de nossas relações de Dominação, seja como dominante ou dominado, para possibilitarmos o nosso desenvolvimento, livrando-se de Dominações que freiem nosso crescimento, e, também, dos outros, adequando nossa forma de dominar da melhor forma para que todos possam se fortalecer com ela.


Bibliografia
-MAXIMINIANO, Antonio Cesar Amaru. Teoria geral da Administração: da escola científica à competitividade na economia globalizada. 2 ed.-São Paulo: Atlas, 2000, Capítulo 3.
-MOTTA, Fernando Cláudio Prestes; VASCONCELOS, Isabella Gouveia de. Teoria Geral da Administração. 3 ed.rev.-São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2006. Capítulo 5.
-WEBER, Max. Os Três Tipos Puros de Dominação Legítima. Tradução de Gabriel Cohen. Rio de Janeiro: VGuedes Multimídia, 2008.

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