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quinta-feira, 19 de abril de 2012

Não chores, Inamorata, eis que Phallophor está de volta


Imagem obtida na Revista em Quadrinhos A Paixão do Arlequim, de Neil Gaiman e John Bolton

Hoje sei que um garfo, uma faca
E uma garrafa de ketchup vagabundo
Bastam para o vento de fevereiro me fazer tremer,
E que algo mude em meu mundo,
E que minha fantasia se desfaça,
E que se desiluda Joshua Norton qualquer.

Só há ausência em toda parte
E onde está o espaço para nossa Commedia Dell'Arte?
Será essa nossa realidade, Flaminia?
Minha poesia não pode mais ficar contida
Pois ainda quero lhe dizer
Che bella notte, mascara linda!
E esperá-la responder
Bella notte, forasteiro!

Assim lhe peço: não deixe o Arlequim virar Pantaleão!
E nem seguir o choro do injustiçado Pedrolino
Pois mesmo que não pregue mais em tua porta meu coração
E não ressoem mais os batuques e tão pouco o violino
Ainda assim a pantomímica não se finda
Pois tens de volta esse poeta lisonjeiro 
Que te deseja buona sera, mascara linda!
E a que respondes "buona sera, forasteiro"!

Belém/PA, 19 de abril de 2012
(Dom Aquiles Crowley)

segunda-feira, 14 de março de 2011

O Explorador do Coração

The Zouave (1888) - Vincent van Gogh (1853-1890)
E ao poeta contemporâneo já não cabe o papel de Arlequim,
Pois frente aos primeiros fatos sempre se manifesta a insanidade
De perder a modéstia ao escrever sua história,
De se por acima de toda humanidade,
De pedir para si todo Amor e toda Glória,
De escrever com um princípio, mas sem um fim.



Belém, 20 de Dezembro de 2009
(Dom Aquiles Crowley)

Fora, Temer!