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quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Entalhadores do efêmero: a vida associativa na criação dos Brinquedos de Miriti de Abaetetuba

Daqui a uma semana me mudo do Pará para Roraima. Naquele estado, certamente ingressarei e iniciarei outros projetos e atividades. Também é certo que terão algumas diferenças significativas com o que me tocou lidar até o momento, sobretudo pelas dissimilitudes dessa parte da Amazônia brasileira, pela proximidade que estabelecerei com o locus de minha atual pesquisa de doutorado - cujo primeiro trabalho em breve disponibilizo para vocês -, e pelo fato de que estarei tão próximo como nunca estive desde minha graduação de discussões mais constantes sobre a Administração. No entanto, tudo o que aprendi, discuti e experimentei até o momento terá muita importância na forma de pensar o que irei aprender, discutir e experimentar lá, e espero que me ajude nesse anseio de buscar no próprio seio da Administração críticas e práticas distintas, o que tenho chamado de Contra-Administração ou Administração herética (pretendo em breve desenvolver mais a discussão sobre essa forma de apreender e atuar no campo administrativo). Por isso, finalmente publico aqui no MC a minha dissertação de mestrado, na qual encontro o gérmen dessa discussão que pretendo desenvolver nos próximos anos.
Embora desde meu trabalho de conclusão da graduação, no qual escolhi um tema atípico para um administrador - a discussão das relações de poder em empresas através de um estudo de caso (case, no jargão gestionário) -, tenha demonstrado um interesse distinto da maioria de meus colegas de curso e formação, ainda nele, e por inúmeras razões, não me foi possível ocasionar uma ruptura ou questionamento maior e mais profundo ao utilitarismo acrítico hegemônico nessa ciência social aplicada. Saí da graduação, portanto, com esse profundo incômodo.
Assim, foi durante o mestrado que fiz o (necessário) movimento de afastar-me da Administração e buscar outras discussões, mantendo contato mais intenso especialmente com a Sociologia, a Microssociologia e a Antropologia. Por isso considero que é nesta dissertação que agora disponibilizo que encontro o gérmen das discussões e reflexões que me tomam atualmente e que pretendo aprofundá-las tanto no decorrer do doutorado que já me alcança pela metade e da atuação que terei em Roraima dentro do Instituto Federal daquele estado.
Iniciei o trabalho de elaboração da dissertação abaixo pensando em (1) afastar-me da relação profissional-investigativa quase exclusiva entre administrador e empresa stricto sensu, (2) reaproximar-me de uma Abaetetuba que esteve muito presente em minha infância, quando ia passar algumas férias na casa de minha avó paterna, a quem dedico in memoriam a dissertação, e, para atender o primeiro ponto, (3) discutir associativismo entre os artesãos e artesãs de miriti. Com o tempo, e especialmente através dos diálogos com meu orientador, Silvio Lima Figueiredo, percebi que o associativismo repete os mesmos erros racionais-utilitaristas da Administração e, mais que isso, é impositivo e desconhece as idiossincrasias daqueles atores sociais que enquadra, contribuindo com as tendências de estereotipação e reforço de estigmas, com a reificação de exclusões e marginalizações, e com a instauração de desenraizamentos e perdas de sentidos, o que pode desembocar em sérios conflitos desagregadores.
Desse modo, como alternativa a essa prática social técnico-racionalista e apologética, estabeleci uma outra perspectiva de abordagem, denominada como vida associativa, que, como vocês verão na dissertação e podem inferir a partir de outro texto já publicado aqui, é um processo longo e restituidor de sentidos, de forma que por ora penso que a vida associativa é uma das formas mais evidentes da Contra-Administração. Não me estenderei mais, deixando aos interessados o convite de que conheçam essa discussão por meio da leitura da dissertação, embora atualmente existam outros elementos e dimensões que naquele momento não pude abarcar, mas que venho tentando abordar e rever em novos trabalhos.
Por fim, reitero meus agradecimentos a todos os artesãos e artesãs de miriti, conforme consta na dissertação, e retifico-me de um lapso de tempo e memória que me fez deixar de fora dos agradecimentos minha prima Luana Alcântara e toda sua família, que me recebeu a cada ida à Abaetetuba e cuidou de mim de forma tão leve. Desculpe-me.



 
Em caso de citações, recomendo o uso da seguinte referência:
 
FERREIRA JÚNIOR, A. Entalhadores do efêmero: a vida associativa na criação dos Brinquedos de Miriti de Abaetetuba. 2015. 198f. Dissertação (Mestrado em Planejamento do Desenvolvimento) - Núcleo de Altos Estudos Amazônicos, Universidade Federal do Pará, Belém, 2015.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Arenas públicas & vida associativa: perspectivas de abordagem

Em novembro de 2015, o Grupo de Pesquisa Estado, Territórios, Trabalho e Mercados Globalizados (GETTAM) organizou, com o apoio do Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Sustentável do Trópico Úmido da Universidade Federal do Pará (PPGDSTU/NAEA/UFPA), o Seminário Internacional América Latina: política e conflitos contemporâneos – SIALAT 2015. O evento, de acordo com sua organização, objetivava "[...] criar um espaço de reflexão, e de interpretação, sobre as transformações que vem ocorrendo em diferentes países da América Latina em função de avanço dos interesses de mercado sobre os territórios ocupados e seus recursos naturais, evidenciando o crescimento de conflitos e de lutas sociais".
Participei dessa contribuição para ampliar o debate e a compreensão sobre as transformações e os conflitos ocorrentes na Pan-Amazônia e América  Latina, assistindo algumas de suas conferências e mesas redondas, e apresentando o trabalho a seguir em uma das sessões do Grupo de Trabalho 08 - Pensamento social na Pan-Amazônia e imaginário latino-americano.


Em caso de citações, recomendo o uso da seguinte referência:

FERREIRA JÚNIOR, A. Arenas públicas & vida associativa: perspectivas de abordagem. In: SEMINÁRIO INTERNACIONAL AMÉRICA LATINA: políticas e conflitos contemporâneos, I, 2015, Belém. Anais... Organização de Edna Maria Ramos de Castro et al. Belém:  GETTAM - NAEA - UFPA, 2015. p. 1665-1676. Disponível em: <http://produtoracolaborativa.com.br/sialat2015/wp-content/uploads/2015/12/SEMINARIO-SIALAT.pdf>.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

O artesanato de miriti e os espaços públicos da cidade de Belém (capítulo de livro)

Amanhã (12/01), Belém, capital do Pará, completará 400 anos da construção de um forte às margens da Baía do Guajará, acontecimento tido como o marco temporal da fundação da cidade e que por isso define seu aniversário. É uma data redonda que, como tal, tem levado a diversas programações (oficiais, oficiosas e alternativas) de comemoração e/ou reflexão crítica sobre a cidade. Por enquanto, não entrarei no mérito de discutir a qualidade, a quantidade e a intencionalidade dessas programações, atitude necessária, vale ressaltar, que vem sendo tomada por diversas pessoas nestes tempos - por algumas, desde tempos antes deste -, com as quais entro em acordo em diversos pontos. Deixo para outro momento a expressão de uma reflexão um pouco mais profunda sobre o tema, talvez colocando-a aqui neste espaço, mas com certeza levando-a para a rua, onde deve estar todo o pensamento que se pretende crítico (não compreendo os intelectuais críticos que supostamente desejam forjar contra-poderes que temem elas, as ruas, que, como eu lhes disse outrora, são mães de toda a Sabedoria).
Portanto, hoje, acho importante destacar o óbvio: Belém não é vivida, concebida e percebida somente por quem é belenense ou nela vive, e por isso não há impedimento para uma ligação íntima com a cidade dessas muitas pessoas que não vivem cotidianamente Belém, e igualmente não há impedimento para a contribuição dessas pessoas para que Belém seja Belém, principalmente uma Belém melhor. Por isso, deixo abaixo um texto que fala sobre um grupo social que vive nossa cidade um pouco mais de longe, do ponto de vista físico, do que nós, que aqui moramos, mas que nutre afetos por Belém, e de como ocorre a produção social de alguns espaços públicos desta cidade durante a festa do Círio; tais espaços têm em comum o fato de serem locais para onde fluem essas pessoas, conhecidas como artesãs e artesãos de miriti de Abaetetuba, cidade distante cerca de 70 km da capital, que presenteiam anualmente a cidade com um dos principais símbolos de sua principal festa, os Brinquedos de Miriti de Abaetetuba, que são uma festa do olhar, como já disse o poeta J. J. Paes Loureiro, dentro da festa da Naza.




Sobre o texto: Este é o quinto capítulo do livro Sociedade, campo social e espaço público, organizado pelos professores Edna Maria Ramos de Castro e Silvio Lima Figueiredo e publicado pela editora do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos da Universidade Federal do Pará (NAEA/UFPA), inaugurando a série "Desenvolvimento e sustentabilidade".
No livro constam trabalhos de pesquisa de professores e discentes do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Sustentável do Trópico Úmido (PPGDSTU), do NAEA, elaborados numa perspectiva interdisciplinar com contribuições teóricas e metodologias trazidas por disciplinas da grande área de humanidades, dividindo-se em três partes: (1) estudos sobre transformações sociais, econômicas e territoriais; (2) artigos que tratam da área da comunicação e informação sob várias perspectivas e recortes temáticos; e (3) discussões de questões relativas à desigualdade social, políticas públicas e modelos de gerenciamento de bens e recursos públicos.
Localizado na primeira parte do livro, este capítulo demonstra a produção dos espaços usados pelos chamados artesãos de miriti de Abaetetuba durante os festejos do Círio de Nazaré, que ocorrem anualmente no mês de outubro, em Belém, capital do Pará, apresentando as diferenças entre esses espaços da cidade e suas consequências para os artesãos.


Em caso de citações, recomendo o uso da seguinte referência:
FERREIRA JÚNIOR, A.; FIGUEIREDO, S. L. O artesanato de miriti e os espaços públicos da cidade de Belém. In: CASTRO, E. M. R.; FIGUEIREDO, S. L. (Org.). Sociedade, campo social e espaço público. Belém: NAEA, 2014. p. 74-88.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Espaços públicos urbanos: lugares de lazer, sociabilidade e memória (artigo)

Compartilho com vocês o artigo Espaços públicos urbanos: lugares de lazer, sociabilidade e memória, elaborado por membros do grupo de pesquisa Turismo, Cultura e Meio Ambiente, dentre eles este que vós escreve, e que foi publicado no segundo número de 2014 do periódico Novos Cadernos NAEA.
Nele, analisamos a apropriação dos espaços públicos urbanos de Belém (Pará) e verificamos aspectos simbólicos dos lugares de lazer, das formas de sociabilidade e a construção da memória social, para compreender as dinâmicas, interações e os arranjos sociais existentes dos usuários do Bosque Rodrigues Alves, da Praça Batista Campos e da feira livre do Bairro da Terra Firme. Considerando que a cidade é realidade social que exprime em sua forma física e em sua dinâmica uma das modalidades fundamentais de "organização” das diferenças e é resultado de vários tipos de processos socioespaciais, gerados pela complexa interação entre os agentes modeladores do espaço, interesses diversos, significações e fatores estruturais, evidenciamos a produção do espaço público pelos grupos e classes que ali estão e o entendimento da importância simbólica desses espaços para esses grupos.
Um versão concisa e em espanhol deste artigo foi apresentada durante a décima edição do Foro OcioGune 2015. Foro Internacional de Investigación, Pensamiento y Reflexión en torno al Fenómeno del Ocio, realizado em junho na Facultad de Ciencias Sociales y Humanas da Universidad de Deusto, em Bilbao (Espanha).

Em casos de citação, recomendo o uso da seguinte referência:
BAHIA et al. Espaços públicos urbanos: lugares de lazer, sociabilidade e memória. Novos Cadernos NAEA, v. 17, n. 2, p. 303-324, jul.-dez. 2014. Disponível em: <http://www.periodicos.ufpa.br/index.php/ncn/issue/view/109>;.

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Série de reportagens "Miriti - da tradição à indústria"

No dia 5 de fevereiro de 2015, recebi convite para falar a respeito de minha pesquisa de mestrado, na qual me debrucei sobre a vida associativa dos artesãos e artesãs de miriti de Abaetetuba (Pará), para uma série de reportagens produzidas pela RBA TV, afiliada estadual da Band, sobre os usos da palmeira miriti (Mauritia flexuosa L.f) aqui no estado.
Recebi a equipe de reportagem em casa, no dia 10 de fevereiro, e a matéria em que sou entrevistado foi exibida no dia 29 de abril. Abaixo, deixo com vocês as três reportagens da série produzida pela RBA TV.

Miriti - da tradição à indústria (parte 1)

Miriti - da tradição à indústria (parte 2)

Miriti - da tradição à indústria (parte 3)



quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Campos de produção da cultura e suas arenas públicas

De Salvador (BA), compartilho com vocês o artigo Campos de produção da cultura e suas arenas públicas: discussões a partir de um estudo na Amazônia brasileira. Este artigo será apresentado amanhã (14/08), na última sessão do eixo temático "Formação, Gestão, Divulgação e Produção Cultural", do XI Enecult - Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura, considerado o maior encontro internacional de estudos de cultura do Brasil.
Primeiro trabalho resultante de minha dissertação de mestrado em Planejamento do Desenvolvimento - uma vez que os trabalhos apresentados anteriormente compunham o seu processo de elaboração -, neste artigo, apresentamos de forma sinóptica a abordagem teórico-metodológica que nos direcionou naquele estudo e, ao expormos o panorama geral do Campo de Relações no Artesanato de Miriti de Abaetetuba (Pará) e suas respectivas arenas públicas, buscamos fomentar discussões que possam refinar as abordagens das práticas culturais ao ressaltar que são nelas, e não em fatores extrínsecos, que residem as construções de objetos e de formas de representação dos produtores culturais e, consequentemente, as soluções para os seus problemas e para as dificuldades das quais se ressentem.
 
Para acessar o artigo diretamente da página do evento, clique AQUI. Em casos de citação, recomendo o uso da seguinte referência:

FERREIRA JÚNIOR, A.; FIGUEIREDO, S. L. Campos de produção da cultura e suas arenas públicas: discussões a partir de um estudo na Amazônia brasileira. In: ENECULT - ENCONTRO DE ESTUDOS MULTIDISCIPLINARES EM CULTURA, XI, 2015, Salvador. Anais... [on line]. Salvador: Cult, 2015. Disponível em: <http://www.enecult.ufba.br//modulos/consulta&relatorio/rel_download.asp?nome=65776.pdf>.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Resumo Expandido: Artesão de Miriti, Habitué dos sonhos: praxeologia do processo de criação dos Brinquedos de Miriti de Abaetetuba, Pará

Abaixo, compartilho com vocês o resumo expandido que escrevi, junto com o Prof. Silvio Lima Figueiredo, e que foi publicado nos anais do I Seminário Internacional Sociedade e Cultura na PanAmazônia - I SISCultura, GT01 - Expressões culturais e identidades na Amazônia contemporânea, realizado na cidade de Manaus (AM) entre os dia 14 a 17 de outubro de 2014.
Uma primeira versão completa deste resumo expandido foi apresentada no GT21 - Sociedade, trabalho e cidades de fronteira, do II Seminário Internacional Sociedade e Fronteiras/4º Encontro Norte da Sociedade Brasileira de Sociologia 4SBSNORTE/II Semana de Humanidades: Fronteiras contemporâneas: desenvolvimento, conflitos e sociabilidades nas Amazônias, ocorrido na cidade de Boa Vista (RR), entre os dias 11 e 14 de novembro de 2014, com o título Temporalidade lúdica e contemplação estética no trabalho do artesão de miriti, habitué dos sonhos. Em breve disponibilizo esta versão completa.

sábado, 4 de abril de 2015

Artigo completo IV EICS - Turismo Cultural na Amazônia: ressonância de processos afetivos, sensíveis e morais em um festival cultural em Abaetetuba, Pará, Brasil

Brinquedos de Miriti de Abaetetuba (imagem de Amarildo Ferreira Júnior, 2014)


O município de Abaetetuba, no estado do Pará, é caracterizado artístico-culturalmente pela presença de artesãos que criam, a partir da palmeira conhecida popularmente como miriti, diversos tipos de artesanato, com destaque para os denominados Brinquedos de Miriti, atividade única e própria do município. Depois de ter disponibilizado os slides de apresentação, deixo-lhes a seguir o artigo que discute a ressonância de processos afetivos, sensíveis e morais nas relações sociais e culturais que os artesãos que criam esse tipo de brinquedo, denominados de artesãos de miriti, desenvolveram entre si ou com agentes responsáveis por controles mercadológicos ou por políticas públicas durante a realização do 11º MiritiFestival, evento de importância social, cultural e econômica que ocorreu em um espaço público de Abaetetuba no mês de maio de 2014.
Versão com a escrita revisada daquela apresentada no GT 04 - Cidades e Turismo: processos de cooperação e conflito no uso dos espaços urbanos, do IV EICS – Encontro Internacional de Ciências Sociais: espaços públicos, identidades e diferenças, realizado entre 18 e 21 de novembro de 2014, em Pelotas (RS), este trabalho foi elaborado mediante observações e entrevistas durante a organização e realização do festival, com realização prévia de revisão bibliográfica para articulação dos quadros teóricos aplicados na investigação, os quais partem dos conceitos apresentados por Bourdieu de campo de relações e de habitus, e aprofundam-se com a contribuição dos estudos dos ajuntamentos e das interações que Goffman empreendeu e que permitem a compreensão dos significados e sentidos que ressonam durante o encontro de dois ou mais indivíduos que estão na presença imediata uns dos outros num dado momento.
Clique AQUI para ter acesso à versão original, e, em casos de citação, recomenda-se a seguinte referência:


FERREIRA JÚNIOR, A.; FIGUEIREDO, S. L. Turismo Cultural na Amazônia: ressonância de processos afetivos, sensíveis e morais em um festival cultural em Abaetetuba, Pará. In: EICS - Encontro Internacional de Ciências Sociais: espaços públicos, identidades e diferenças, IV, 2014, Pelotas (RS). Anais... [recurso eletrônico]. Pelotas (RS): UFPel, 2014. p. 1-18. Disponível em: <http://www2.ufpel.edu.br/ifisp/ppgs/eics/arquivosgts/GT%2004/7.pdf>.

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quinta-feira, 2 de abril de 2015

Apresentação IV EICS - Ressonância de processos afetivos, sensíveis e morais em um festival cultural em Abaetetuba, Pará, Brasil

Em novembro do ano passado, estive na bela Pelotas (RS), onde fui muito bem recebido, especialmente pelo casal Fabíula Rosso e Leonardo Reichert, que me levaram nos locais dos melhores doces da cidade, para apresentar um artigo originário da minha pesquisa de dissertação. Apresentado no GT 04 - Cidades e Turismo: processos de cooperação e conflito no uso dos espaços urbanos, do IV EICS – Encontro Internacional de Ciências Sociais: espaços públicos, identidades e diferenças, o trabalho apresenta considerações sobre o MiritiFestival, realizado anualmente na cidade de Abaetetuba, conforme sintetizo no resumo abaixo. Sendo assim, disponibilizo-lhes os slides utilizados naquela ocasião. Posteriormente, compartilharei com vocês o trabalho completo.

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RESUMO: o município de Abaetetuba, no estado do Pará, é caracterizado artístico-culturalmente pela presença de artesãos que criam, a partir da palmeira conhecida popularmente como miriti, diversos tipos de artesanato, com destaque para os denominados Brinquedos de Miriti, atividade única e própria do município. Este trabalho discute a ressonância de processos afetivos, sensíveis e morais nas relações sociais e culturais que os artesãos que criam esse tipo de brinquedo, denominados de artesãos de miriti, desenvolveram entre si ou com agentes responsáveis por controles mercadológicos ou por políticas públicas durante a realização do 11º MiritiFestival, evento de importância social, cultural e econômica que ocorreu em um espaço público de Abaetetuba no mês de maio de 2014. Para alcance desse objetivo, foram realizadas observações e entrevistas durante a organização e realização do festival, com realização prévia de revisão bibliográfica para articulação dos quadros teóricos aplicados na investigação, os quais partem dos conceitos apresentados por Bourdieu de campo de relações e de habitus, e aprofundam-se com a contribuição dos estudos dos ajuntamentos e das interações que Goffman empreendeu e que permitem a compreensão dos significados e sentidos que ressonam durante o encontro de dois ou mais indivíduos que estão na presença imediata uns dos outros num dado momento. Esse procedimento permitiu constatar que as relações que ocorrem no interior de atividades artístico-culturais específicas e que contribuem para defini-las permitem entender que práticas consideradas culturais também exercem funções econômicas e sociais – o que é facilmente percebido no MiritiFestival enquanto evento de celebração dos Brinquedos de Miriti de Abaetetuba, atrativo turístico desse município denominado como “Capital Mundial dos Brinquedos de Miriti”, e momento de realização de trocas simbólicas e econômicas entre expositores e visitantes, agentes mercadológicos ou responsáveis por políticas públicas. Também permitiu entender por que os artesãos de miriti, talvez como resposta às pressões exercidas por turistas e outros tipos de consumidores, por lojas de artesanato, por produtores culturais, por instituições de fomento ao empreendedorismo e por órgãos culturais e de gestão e planejamento turístico, por exemplo, ampliam as formas de artesanato que criam e modificam suas maneiras de criar, comercializar e se associar sem mudarem, contudo, o princípio gerador de suas práticas e, por isso, conseguem manter-se e reproduzir-se no campo de relações do qual fazem parte. Ademais, também se pode afirmar que o evento constituiu-se em diversos lugares para onde confluíram significados e sentidos e nos quais as ações eram orientadas e se modificavam de acordo com cada situação vivenciada pelos atores durante aquela ocasião social, ora suscitando relações de cooperação, ora trazendo à tona conflitos.

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terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Papers do NAEA n.º 334 - Notas introdutórias para o estudo da vida associativa dos artesãos de miriti: relatório de campo

Brinquedos de Miriti de Abaetetuba (serra-serra e barcos). Foto de Amarildo Ferreira Júnior (2014).

Resumo: Esta nota de pesquisa apresenta um relatório de campo de caráter exploratório realizado durante a festividade do Círio de Nazaré, ocorrida em outubro de 2013, e no qual se acompanhou a inserção dos artesãos que criam os denominados Brinquedos de Miriti de Abaetetuba em quatro espaços públicos. Seu objetivo é subsidiar definições metodológicas e de categorias teóricas da pesquisa em andamento sobre a vida associativa no processo criativo desses agentes sociais. Realizado na cidade de Belém (Pará), este estudo coletou dados mediante observação direta dos espaços visitados e de realização de entrevista com alguns artesãos e com algumas pessoas relacionadas diretamente com eles ou com a realização dos eventos dos quais participavam. Em seu decorrer, o relatório apresenta os espaços visitados e descreve as observações realizadas em cada um deles e as informações obtidas durante as entrevistas realizadas. Em sua conclusão, são feitas considerações sobre as contribuições deste tipo de procedimento para a continuidade da pesquisa em curso e demonstra-se como sua realização pode contribuir para uma primeira aproximação empírica com o tema estudado, para a melhor definição das categorias teóricas a se analisar, e para a identificação das limitações metodológicas que a pesquisa pode apresentar.
Palavras-chave: Artesãos de miriti. Vida associativa. Relatório de campo. Círio de Nazaré. Técnicas de pesquisa.

INTRODUCTORY NOTES FOR STUDY THE ASSOCIATIVE LIFE OF MIRITI ARTISANS: FIELD REPORT

Abstract: This research note presents an exploratory field report conducted during the festivity of Círio de Nazaré, which occurred in October 2013, and which followed the inclusion of artisans who produce so called Miriti Toys of Abaetetuba in four public spaces. It aims to support methodological definitions and theoretical categories of ongoing research about associative life inside the creative process of those social agents. Held in the city of Belém (located in the state of Pará in the north of Brazil), this study collected data through direct observation of the spaces visited and conducting interview with some artisans and some people related directly to them or to the achievement of events of which participated. In its course, the report presents the visited areas and describes the observations made in each of them and the information obtained during the interviews. In its conclusion, we discuss the contributions of this type of procedure to continue the ongoing research and demonstrate as its realization can contribute to a first empirical approach to the subject studied, for better definition of theoretical categories to analyze and to identify the methodological limitations that research can present.
Keywords: Miriti artisans. Associative life. Field report. Círio de Nazaré. Research techniques.

Acesse o artigo completo abaixo ou clicando AQUI, e, em casos de citação, recomenda-se a seguinte referência:

FERREIRA JÚNIOR, A.; FIGUEIREDO, S. L. Notas introdutórias para o estudo da vida associativa dos artesãos de miriti: relatório de campo. Papers do NAEA, n. 334, p. 1-33, dez. 2014. Disponível em: <http://www.naea.ufpa.br/naea/novosite/paper/408>.


quinta-feira, 9 de outubro de 2014

A Feira do Miriti na Festa do Círio*

*Versão com ligeiras modificações do texto que publiquei na edição de hoje (09/10/10) do jornal Diário do Pará (Caderno Cidade, Espaço do Leitor, p. A2), que vocês podem conferir ao final desta postagem.
 
Foto de Amarildo Ferreira Júnior
Foto de Amarildo Ferreira Júnior (2014)
Época de festa e de celebração cultural-religiosa, o Círio de Nazaré também é a época em que os Brinquedos de Miriti de Abaetetuba trasladam-se para a capital para colorirem as ruas e integrarem a estrutura extralitúrgica da festividade. Segundo o consenso histórico, tal artesanato-artístico está presente desde o primeiro Círio, em 1793, quando ocorreu a “Feira de Produtos Regionais da Lavoura e da Indústria” no local onde hoje é a Praça Santuário e que foi o embrião do que atualmente é o Arraial de Nossa Senhora de Nazaré. Em todos esses anos, a relação que esses brinquedos que deixam nossos olhos em festa mantêm com nossa magna celebração cultural-religiosa só aumentou, tendo propiciado a criação de feira própria.
Inicialmente na Praça do Carmo, local onde se deram os primeiros ajuntamentos espontâneos dos artesãos de miriti e suas girândolas durante a quadra nazarena, a feira já ocorreu também na Praça da Sé e, posteriormente, na Praça Waldemar Henrique, onde permaneceu por muito tempo, até ser transferida para a Praça D. Pedro II no ano passado, após separar-se da feira que o Sebrae ainda mantém na antiga Praça Kennedy.
A Feira do Artesanato de Miriti deste ano será inaugurada às 18h00 desta quinta-feira que antecede o Círio, após Cerimônia de Abertura na Catedral da Sé. Com a temática “Girândolas de Abaeté no Círio de Nazaré”, está sendo realizada pelo esforço conjunto dos artesãos de miriti, por meio da Associação dos Artesãos de Brinquedos e Artesanatos de Miriti (Asamab), com recursos obtidos por meio de emenda parlamentar com execução da superintendência estadual do Iphan. Segundo estimativas da Asamab e da Emater, só durante o Círio de Nazaré o artesanato de miriti movimenta cerca de 200 artesãos, gera trabalho para um número entre 600 e 800 pessoas em 38 comunidades rurais e urbanas de Abaetetuba, e comercializa em torno de 400 mil peças, gerando uma renda situada entre R$ 2 e R$ 4 milhões. Além disso, essa atividade ainda contribui para a preservação do miriti e de essências florestais em uma área com cerca de 800 hectares.
Mesmo assim, falta coerência do Governo do Estado em suas políticas voltadas à cultura, pois seria sensato que garantisse em seus próximos orçamentos recursos destinados para a valorização desse tipo de artesanato tão particular, uma vez que mesmo com seu reconhecimento como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Estado do Pará por meio de duas leis (Lei n.º 7.282/2009, para o MiritiFestival; e Lei n.º 7.433/2010, para os Brinquedos de Miriti), parece-nos que é considerado mais útil como ilustração de algumas das propagandas oficiais do que como expressão cultural com vastas importâncias sociais e econômicas para o Estado. E isso deve se estender também aos outros patrimônios culturais que o Estado reconheceu. Afinal, qual é a lógica das políticas culturais estaduais para tais patrimônios?

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Apresentação - Relações de gênero e Brinquedos de Miriti no Simpósio GEPEM/UFPA

Para aqueles que tiverem interesse, abaixo compartilho os slides da apresentação do artigo "Pintando Gênero na bucha: o status da mulher no processo criativo dos Brinquedos de Miriti de Abaetetuba/PA", de autoria de Larissa Tuane Lima de Nascimento com minha coautoria, realizada no dia 24.09.2014, durante a sessão 1 do GT 1 - Gênero, Identidade e Cultura, do Simpósio GEPEM/UFPA: Mulheres, Gênero, Histórias e Saberes em 20 anos. Para acessar o resumo do referido artigo, clique aqui. Em breve compartilharemos o trabalho completo.


  Licença Creative Commons
O trabalho Apresentação do artigo "Pintando gênero na bucha: o status da mulher no processo criativo dos Brinquedos de Miriti de Abaetetuba/PA" de Larissa Nascimento & Amarildo Ferreira Júnior está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.

Fora, Temer!