sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Nova Série de Postagens: GesLinguística - O Idioma da Gestão


"Por que que a crença no futuro é fatal e a serpente simboliza o mal?"
(Raul Seixas)

Após um tempo parado devido problemas com meu computador, estou de volta e nessa retomada de caminhada verifiquei que o mundo dos negócios está cheio de termos específicos que, muitas vezes, não são de fácil compreensão para todos. Por isso, decidi iniciar uma nova série de postagens na qual irei apresentar alguns dos termos utilizados no mercado, muitos dos quais originários da Administração, com o objetivo de compartilhar o conhecimento de seus significados, funcionando, portanto, como um Dicionário Empresarial. Então, entre uma ou outra postagem da Série "Leitura Obrigatória" e alguns artigos, esta nova série, que denominei de "GesLinguística - O Idioma da Gestão", se fará presente. Espero que gostem...


GesLinguística - O Idioma da Gestão: Know-How e Know-Why.

Know-How: é o conhecimento sobre como executar determinada tarefa dentro de nossa área de atuação, podendo também ser chamado de conhecimento processual.
Know-Why: é o conhecimento que nos permite entender o por quê de determinada situação, permitindo ao seu detentor assumir melhores posições dentro de um contexto de quebra de paradigmas.

Importante citar que Know-How e Know-Why não devem ser vistos como pontos antagônicos, uma vez que este é o caminho para alcançar aquele, mas como complementares entre si e que, quando combinados da melhor forma, geram diferenciais competitivos à pessoa ou organização que utilizá-los, uma vez que serão conhecidas as causas de determinadas situações e de que forma se deve agir perante elas.

Dica: acesse http://sandrocan.wordpress.com/2009/02/11/a-importancia-do-know-why/ e conheça um pouco mais sobre estes dois termos e o contexto em que se inserem.



segunda-feira, 10 de maio de 2010

Hot Holl Sushi é destaque na VI Semana do Empreendedor da FACI

Nos dias 4, 5 e 6 de maio de 2010, a Faculdade Ideal (FACI) promoveu a VI Semana do Empreendedor, evento anual que ocorre no mês de maio e tem como objetivo dar oportunidades aos acadêmicos da instituição de colocar em prática os conhecimentos adquiridos, aperfeiçoando suas qualidades e fomentando o espirito empreendedor de seus discentes. O evento é formado por uma série de palestras e mini cursos ministrados pelos docentes da instituição e por profissionais que possuam experiência e destaque em suas áreas de atuação, além da Feira do Empreendedor, principal produto do evento, onde são disponibilizados stands a alunos, profissionais e público externo para exposição e comercialização de produtos e serviços, estimulando a criatividade e o talento empreendedor dos participantes, além de possibilitar ampliação do network de todos os envolvidos. Em sua 6ª edição, a Semana trouxe o tema "Capitalizando seu Empreendimento", destacando-se na Feira o stand nº 12 que levou para o evento uma parceria realizada entre os alunos da turma AGBF5A (5º período) Amarildo Ferreira Júnior, Davi Mesquita e Rodrigo Franco com a micro empresa Hot Holl Sushi, especializada na elaboração do prato japonês de forma rápida, barata e com qualidade. O stand inovou não só ao levar um tipo de alimento que não tinha espaço nas outras edições do evento e que é apreciado pelo público que prestigia a Feira, mas também pela decoração, pela forma que seus expositores se relacionavam com todo o público presente e por disponibilizar vendas à crédito ou débito automático. Também foram de fundamental importância o trabalho executado pelos amigos Jorge Giordano e Leandro Martins (ambos da AGBF5A) e pelos representantes do Hot Holl Sushi, Éder Rodrigues e Jonathan.  
Da esquerda para a direita:
Rodrigo Franco, Prof. Oswaldo Jr., Davi Mesquita, Jorge Giordano, Amarildo Ferreira, Éder Rodrigues e Jonathan


Os idealizadores da parceria:
Davi Mesquita, Rodrigo Franco e Amarildo Ferreira (segundo o trio, mais surpresas virão, aguardem!)


A equipe reunida

 Stand lotado: calma que tem para todo mundo

Ao final do evento o stand ainda disponibilizou uma barca repleta de sushi para o público degustar

Fim de Feira: todo mundo trabalhando para desmontar a decoração montada

sábado, 3 de abril de 2010

Resenha A Administração de custos, preços e lucros

Nome do Livro: A Administração de Custos, Preços e Lucros
Autor: Adriano Leal Bruni – mestre e doutor em Administração pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP) e sócio da Infinita Consultoria e Treinamento.
Editora: Atlas, 3ª Edição (2008)
Preço médio: R$ 60,00


Adquirido na XIII Feira Pan-Amazônica do Livro, realizada em novembro de 2009 no Hangar – Centro de Convenções e Feiras da Amazônia –, este livro apresenta conhecimentos básicos para qualquer profissional ou estudante das áreas administrativa, contábil ou financeira, que, entretanto, nem sempre buscam tais conhecimentos, ficando, nesses casos, com a empregabilidade comprometida. Quinto livro da série Desvendando as Finanças, a obra é dividida em 9 capítulos, sendo o último apresentação de um recurso elaborado por Bruni e disponível no site da editora Atlas ou no site dos livros da série (site Minhas Aulas), chamado de modelo CUSTOFACIL.XLS, tratando-se de uma planilha eletrônica que pode ser aplicada para análise de ponto de equilíbrio, decisões sobre materiais diretos, realização de rateios e elaboração de preços para comércio, serviços ou indústria. Além da CUSTOFACIL.XLS, existem outros recursos nos sites mencionados, como slides elaborados pelo autor e a resolução completa de todos os exercícios apresentados no decorrer do livro, dentre outros recursos.

O objetivo da obra, segundo o próprio autor, é apresentar de forma clara e simples os principais conceitos associados ao processo de registro e gestão de custos, o que realmente ocorre e justifica minha indicação do livro. Entretanto, convém citar que o livro pode frustrar o leitor que deseje ter uma obra em que as lições são apresentadas com aplicação prática no Excel ou na calculadora HP12C, uma vez que o livro traz em sua capa a citação “com aplicações na HP12C e Excel” e só apresenta tais aplicações nas páginas 144, 145 e 289 a 294 (aplicações com a HP12C) e no capítulo 9 (aplicações com o Excel, sendo este capítulo dedicado exclusivamente à apresentação da CUSTOFACIL.XLS). Considero também um erro o excesso de divulgação dos outros livros da série, que são indicados na orelha do livro, na apresentação da série, no final de cada capítulo e, em alguns momentos, no meio dos capítulos, o que ficou desgastante e gerou a sensação de que a editora, o autor ou ambos desejam enfiar goela abaixo e de qualquer forma a série toda, quando acredito que deveriam apostar no interesse que a leitura do livro geraria para obtenção dos outros de forma mais natural ou, se induzida, de forma menos “violenta”. Ademais, o livro é de boa leitura e tem certa contribuição para uma boa formação profissional, principalmente por apresentar uma quantidade de exercícios que facilita a fixação dos conceitos aprendidos.

Inicialmente, no capitulo 1 (Os custos, a Contabilidade e as Finanças), Bruni apresenta conceitos como o de Contabilidade Financeira, patrimônio, resultado e fluxo de caixa, com as respectivas importâncias e os seus componentes. O capítulo apresenta a estrutura de balanço patrimonial e aborda a questão dos prazos de pagamento ou recebimento. Também são apresentados nesse capítulo os regimes de competência e de caixa, os principais termos técnicos contábeis (gastos, receitas, custos, deduções, investimentos, despesas, resultado, perdas) e as visões da contabilidade financeira, da gerencial e da contabilidade de custos, fazendo-se um paralelo entre elas e entre a contribuição que cada uma traz para a empresa.

O capítulo 2 (Os Custos e a Contabilidade Financeira) vem apresentar as diferentes formas de classificar os custos (em função da forma de associação aos produtos elaborados, de acordo com a variação em relação ao volume produzido, de acordo com a controlabilidade, em relação a alguma situação específica ou em função da análise do comportamento passado) e o custeio por absorção. O próximo capítulo (Os Custos e a Contabilidade Gerencial) apresenta a forma como as decisões se relacionam com os gastos, descrevendo os gastos fixos e variáveis e a implicação de cada um desses no processo decisório, além de apresentar a relação custo-volume-lucro dentro da contabilidade gerencial. Aqui também é apresentado o conceito, a análise e as diferentes formas de calcular o ponto de equilíbrio; o que são e qual a importância dos três tipos de alavancagem e das margens de segurança, apresentando-se, também, os conceitos de ROI (Retorno sobre o Investimento) e ROE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido).

O quarto capítulo (Os Custos e seus Componentes) apresenta os três componentes formadores dos custos (Material Direto, Mão-de-Obra Direta e Custos Indiretos de Fabricação), apresentando formas de calcular cada um destes e maneiras de realizar seus lançamentos contábeis para auxiliar na tomada de decisões. Este capítulo também apresenta três critérios que podem ser utilizados para avaliação do estoque de mercadorias – PEPS (Primeiro que Entra, Primeiro que Sai), UEPS (Último que Entra, Primeiro que Sai) ou Custo Médio Ponderado – citando suas respectivas vantagens e desvantagens. Também são apresentados conteúdos referentes à programação de compras e estoques de materiais diretos (cálculos de custo de estocagem, custo de pedido, estoque médio, intervalo de pedido, número de ressuprimentos a serem realizados num determinado intervalo e Lote Econômico de Compra) e à mão-de-obra ociosa durante a produção. Além desses conceitos, são apresentados os principais centros de custos e a importância de sua utilização para facilitar o processo de rateio dos custos e alocação das despesas aos produtos. Por fim, o capítulo apresenta o custeio por atividades e é nele a primeira vez que o autor apresenta uma aplicação da HP12C, descrevendo como a calculadora pode efetuar cálculos de média aritmética simples ou ponderada.

No capítulo 5 (Os Custos e A Margem de Contribuição), Bruni faz uma comparação entre o custeio direto e o custeio variável, apresenta a margem de contribuição e sua importância e descreve os principais problemas no rateio dos custos, sugerindo soluções e adaptações das formas de rateio para cada situação apresentada. Há neste capítulo uma abordagem sob a ótica da Teoria das Restrições associada à margem de contribuição para determinação do mix de produtos que deve ser produzido. O capítulo 6 (Tributo, Custos e Preços) vem apresentar como os diferentes impostos, sobretudo o Imposto de Renda e a forma de sua tributação adotada pela empresa, implicam na administração dos custos e formação dos preços. Para isso, Bruni apresenta as três formas de tributação do IR no Brasil (Lucro Real, Presumido ou Simples Nacional), descrevendo as principais vantagens de cada uma e em qual momento uma vai ser mais vantajosa que as outras duas. Mas, Bruni não se resume apenas a apresentar as formas de tributação do IR, ele também apresenta tabelas com as porcentagens de que são aplicadas a cada atividade e descreve quais atividades se encaixam em qual forma de tributar o IR. O autor também apresenta as formas de se calcular impostos “por dentro” ou “por fora” e explica a cumulatividade ou não-cumulatividade fiscal e a substituição tributária, além de apresentar os principais impostos associados à formação de preço e maneira de trabalhar com cada um deles nesse processo (Cofins, PIS, IR, CSSL, ISS, ICMS, IPI). Interessante é que Bruni divide didaticamente os impostos em Impostos Gerais (Cofins, PIS, CSSL, IR) e Impostos Específicos (ISS, ICMS e IPI – impostos para serviços, comércio e indústria, respectivamente), o que facilita o processo de aprendizado. Quanto ao ICMS, Bruni tem maior cuidado ainda ao apresentar a forma como se dá a cobrança deste em relações comerciais entre os Estados diferentes ou quando este possui substituição tributária.

O capítulo 6 (Os Custos, os Preços e os Lucros) trabalha com três diferentes métodos de formar preços (baseado em custos, baseado no valor percebido ou análise da concorrência). É apresentada aqui a relação entre preços, custos e valores percebidos e é nesse capítulo que se enumera os componentes do preço (lucro, impostos, despesas e custos). Bruni também apresenta a maneira como se elabora e aplica uma taxa de marcação (Mark-up) e atenta para o fato de que não se deve usar uma única maneira de elaboração de preço para evitar preços que não correspondam ao valor dado ao produto/serviço ou preços fora de uma intersecção que traga benefícios tanto para o consumidor como para a empresa. Aqui também é feita uma relação entre lucratividade e rentabilidade como forma de avaliação de desempenho de uma empresa. É nesse capitulo que aparece, pela segunda vez, aplicações da HP12C, agora já sob uma ótica financeira levando em consideração juros, valores presentes ou futuros e séries de pagamentos antecipadas ou postecipadas.

Por fim, o capítulo 8 (Os Preços, o Marketing e a Estratégia) é o único em que não há predominância de cálculos, mas tem sua importância justificada ao atentar para a importância do posicionamento estratégico nas empresas. O capítulo vem apresentar conceitos como valor percebido e seus condicionantes, posicionamento de produtos e sua relação com a formação do preço, formas de percepções do produto, cadeia de valor e estratégia de negócios, apresentando, para tanto, vários casos práticos, inclusive em seus exercícios, alguns dos quais adaptados mas que, com um pouco de conhecimento de mercado e de percepção, podem ser identificados.

Bem, como disse no inicio deste artigo, o que me influenciou a indicar esse livro como uma foi a simplicidade como o autor expôs seus conhecimentos, alguns dos quais eu já até possuía, mas, no todo, sua leitura me enriqueceu um pouco mais, cumprindo o que se propôs. Como principal ensinamento, posso dizer que o livro me mostrou que não é tão complicado gerir custos e formar preços para atingir lucro, bastando, para tanto, não utilizar apenas este ou aquele método, mas integrar todo o conjunto de conhecimentos adquiridos e aplicá-los associadamente, buscando sempre o ponto de inflexão que melhor se apresentar.

Até a próxima Resenha!

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Sobre Na'Vis, Incas, Maias e Astecas



Dizer que o filme Avatar, escrito e dirigido por James Cameron (diretor de Titanic, Exterminador do Futuro 1 e 2, Aliens e Rambo II, entre outros) é um divisor de águas no cinema e apresenta-se como o maior orçamento de uma produção cinematográfica até o momento (US$ 500 milhões, divididos entre a execução da produção, que abocanhou cerca de US$ 237 milhões, e gastos com o desenvolvimento de novas tecnologias, marketing, propaganda, etc.) é lugar comum em grande parte da mídia e entre os críticos do cinema, iniciados e entendidos no assunto. Como não me incluo na “grande parte da mídia” e nem sou crítico de cinema, ao analisar tal produção me proponho a não atentar para detalhes técnicos, pois, afinal, não possuo conhecimentos suficientes para efetuar uma análise sob essa ótica. Logo, buscarei apresentar a percepção que a estória retratada no filme causou em mim e as conclusões que tive ao refletir sobre ela.

Confesso que o que me impulsionou a assistir o filme foi a grande expectativa gerada pelos meios de comunicação em relação à produção – afinal, houve uma promoção em massa, um verdadeiro bombardeio de marketing –, apesar de tê-lo feito com certa barreira psicológica que vez ou outra construo ao me deparar com obras artísticas onde verifico grande ação midiática, como se a intenção desta fosse enfiar goela abaixo esse ou aquele filme, livro, cantor, etc., e pelo meu gosto mais voltado para manifestações artísticas alternativas. Entretanto, com o desenrolar das cenas, esse “muro” foi desmoronando e, antes da metade do filme, eu já estava totalmente imerso no universo de Pandora, uma das luas do planeta fictício Polifemo e onde ocorre toda a estória de Avatar.

A palavra avatar tem sua origem no sânscrito, significando “descida”, “aquele que descende de Deus”, “encarnação”. Com maior relação com a religião hindu, avatar seria uma manifestação corporal de um ser imortal, um deus, principalmente os deuses supremos cultuados pelos hinduístas. Entretanto, com o tempo, outros povos e religiões também usam o termo quando se referem a manifestações terrestres de espíritos em corpos de carne. Esse é o sentido utilizado para a palavra no título do filme, uma vez que um dos fatores principais e mais presente é o uso de corpos geneticamente modificados e controlados remotamente e que são uma hibridização do DNA humano com o DNA Na'Vi, povo humanóide que mede 3 metros de altura, possui cauda, ossos reforçados com fibra de carbono e uma pele azulada bioluminescente, sendo esses corpos chamados de avatares e utilizados para possibilitar a exploração do território pandoriano, já que humanos não possuem capacidade de respirar na atmosfera do planeta, rica em dióxido de carbono, metano e amônia, além de facilitar a aproximação humana com o povo Na'Vi.

Ao refletir sobre o filme, lembrei imediatamente do que as aulas de História ensinaram sobre os povos pré-colombianos, em especial incas, maias e astecas, comparando-os, até certo ponto, com o povo Na'Vi. Ao analisar e comparar a história dos nativos pré-colombianos com a estória dos nativos de Pandora verifiquei pontos e traços interessantes, alguns análogos, outros apenas com leves semelhanças, mas que, tendo um prévio conhecimento de História e certo olhar peculiar sobre o filme, possibilitam encaixe de alguns fatos.

Inicialmente, comparei os humanos do filme aos colonizadores e navegantes europeus, ao passo que o povo Na'Vi foi comparado aos povos pré-colombianos. Tal comparação se baseia em três fatos: primeiro, que os europeus da História passaram a realizar suas navegações com o objetivo de obter novas riquezas e recursos, sobretudo ouro, especiarias e madeiras, tal objetivo exemplificado metaforicamente na lenda do El Dourado, cidade toda construída em ouro maciço que se acreditou está localizada em algum ponto no México, na Venezuela, Guiana ou até no Brasil, entre outras localidades das Américas (aliás, acredito que nunca uma cidade mudou tanto de localização como o El Dourado), enquanto os humanos de Avatar passaram a desbravar Pandora em busca do Unobtainium, precioso minério, cuja maior reserva está localizada sob a aldeia de um dos clãs daquele planeta; segundo, pois, tal como os povos pré-colombianos, os Na'Vi dividiam-se em clãs ou tribos, cada qual com territórios e características culturais e políticas próprias, e possuíam sua religião, esta bem diferente da de seus desbravadores, com seu panteão de deuses, dentre eles Eywa é a mais importante, representando o equilíbrio gerado pela interação de todos os seres vivos por meio de uma rede de milhões de conexões neurais, sendo, portanto, representação da própria Natureza; e, em terceiro lugar, pelo próprio embate que houve, em ambos os casos, pela defesa dos recursos ambicionados e pela sobrevivência da cultura e do próprio estilo de vida de pré-colombianos e Na'Vis, com, nos dois casos, os exploradores detendo um arsenal bélico e conhecimento tecnológico superior ao dos nativos.

Também vale notar que, embora em minha comparação Na'Vis e pré-colombianos estejam relacionados da mesma forma como humanos e europeus, nossos nativos eram mais desenvolvidos sob a ótica tecnológica e estrutural, já que dominavam com certa perfeição técnicas como agricultura, astronomia, comércio, cerâmica, ourivesaria, arquitetura e certa engenharia primitiva, ao passo que os Na'Vis eram povos que viviam em árvores gigantescas e sobreviviam da coleta e da caça, sendo, também, povos guerreiros. Mesmo assim, ambos tinham sua divisão social, com líderes e sacerdotes especificados e uma linha de sucessão definida, além de lendas sobre guerreiros que unificariam os clãs e tribos e derrotariam seus algozes.

Importante, também, é analisar os desfechos do filme e de nossa história. Na ficção, o final é bem mais justo do que foi na vida real, pois, embora humanos possuam um arsenal tecnológico e bélico poderoso, são derrotados pelos Na'Vis, que são liderados por Jake Sully (Sam Worthington), um ex-fuzileiro naval confinado a uma cadeira de rodas que foi selecionado para o programa Avatar em substituição ao seu irmão gêmeo morto, pois possuía genoma idêntico ao deste e, consequentemente, compatibilidade com o Avatar já produzido para o irmão. Jake não possuía nenhum conhecimento de como usar o avatar e nem da cultura e língua Na'Vi, além de apresentar alguns traços de subversão, mas conseguiu ganhar a confiança de Neytiri (Zöe Saldaña) ao ser salvo por ela de um ataque de uma criatura nativa e após ser coberto por sementes da Árvore da Vida, significando que Eywa o havia escolhido para algo. Assim, Neytiri o leva para o seu clã, os Omaticaya, onde Jake passa a aprender sobre a cultura Na'Vi e torna-se um membro do povo, além de se apaixonar por Neytiri. Quando as tropas humanas percebem que os Na'Vi não vão abandonar sua aldeia, iniciam um ataque destruidor e Jake, rejeitado pelos Na'Vi por ser considerado um traidor, domina a fera dos ares, Toruk, uma besta que só cinco Na'Vis conseguiram montar, iniciando, assim, a unificação dos clãs Na'Vi para possibilitar a derrota dos humanos, contando, ainda, com a ajuda de Eywa, que envia a fauna de Pandora para ajudar na batalha, quando esta parece perdida.

Na vida real, o cenário foi diferente. Pré-colombianos foram dizimados pelo poder de fogo superior dos europeus, embora apresentassem um maior número. Fator crucial nessa derrota foi o fato de que os nativos americanos, especificamente os astecas, terem acreditado que Hernan Cortés e seu grupo de conquistadores era a realização de uma profecia que rezava a volta do deus Quetzalcoatl do exílio para vingar-se e reclamar a cidade de Tenochtitlán, o que confundiu Montezuma, imperador asteca, e propiciou aos espanhóis dizimarem o povo asteca, mesmo estando em menor número.

Outro fato que me chamou atenção no filme, foi a maneira como é retratada a relação do homem com a Natureza. É visível que esta relação se dá de uma forma predatória, onde o homem subjuga a Natureza em favor de suas cobiças. Assim, Avatar pode representar uma projeção do que virá a ser o destino da humanidade, reservando-se, claro, as proporções da realidade, pois o filme, como megaprodução que é, busca causar impacto no expectador por meio do fantástico, tornando a realidade mais utópica. Mesmo assim, pode-se ver, apenas canalizando um pouco mais a atenção, que aspectos do filme, como a busca por riqueza em outros territórios, no caso em Pandora, ocasionada pelo esgotamento das riquezas da Terra, apresentam semelhanças com a maneira com a qual a humanidade age atualmente, procurando e explorando até a escassez as riquezas encontradas e, após o esgotamento destas, indo procurá-las em lugares cada vez mais difíceis de serem acessados, sempre deixando um rastro de desmatamento, poluição e desrespeito à Natureza, extinguindo espécies animais e riscando do mapa grupos étnicos que se apresentam frente aos seus objetivos.

Logo, espero que possamos aprender não apenas com este filme ou outros que virão, mas, principalmente, com nossos próprios atos e erros, para que, no futuro, possamos desenvolver nossas atividades econômicas e sociais de maneira sustentável, não apenas em relação à Natureza, mas também em relação à outras raças, crenças e culturas, pois, do contrário, será necessário um Jake Sully comandar uma pequena legião de guerreiros e, com a benevolência de Deus, fazer-nos engolir nosso poderio e nossa cobiça.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Resenha Cultura Organizacional e Cultura Brasileira

Nome do Livro: Cultura Organizacional e Cultura Brasileira
Editora: Atlas
Edição: 1ª edição (1997), 7ª Tiragem
Organizadores: Fernando C. Prestes Motta (foi professor titular na Escola de Administração de Empresas de São Paulo – FGV e professor livre-docente da Universidade de São Paulo; seus campos de pesquisa e docência têm sido Administração de Empresas, Administração Pública e Administração da Educação, pelos quais já publicou cerca de 50 trabalhos entre livros, artigos, comentários e resenhas) e Miguel P. Caldas (é graduado em Administração pela UnB, mestre e doutor em Administração pela EAESP – FGV, de onde é professor).
Preço: entre R$ 60,00 e R$ 70,00.
Após uma pausa para as comemorações de Natal e Réveillon e para a análise do que foi feito no ano que terminou, além de projeções do que queremos realizar nesse novo ano, nada melhor do que iniciar 2010 enriquecendo nosso conhecimento, já que estamos em plena Era da Informação, onde só se desenvolvem plenamente como pessoas e profissionais aqueles que obtêm os conhecimentos adequados e, mais importante que isso, sabem utilizá-los da melhor forma. Por isso, irei comentar um pouco sobre o livro Cultura Organizacional e Cultura Brasileira, obra organizada por Fernando C. Prestes Motta e Miguel P. Caldas. Li o livro em setembro de 2009, movido, em primeiro lugar, pelo meu interesse por cultura (que ficou excitado ao verificar o quanto a cultura de uma organização brasileira é influenciada pelas manifestações da cultura nacional) e, como segunda motivação, mas não menos importante, por ter utilizado conceitos apresentados no livro na elaboração de um projeto de pesquisa que busca analisar os resultados gerados pelo Programa de Qualidade na Gestão do Estado do Pará (PQG) à luz das influências da cultura nacional sobre a maneira como é direcionada a administração pública no Brasil.
A obra, dividida em seis partes, totaliza 19 textos e conta com a participação de 25 autores, além de Caldas e Motta, seus organizadores. Nela, é apresentada uma análise de como o contexto social e cultural nacional influenciam na construção do comportamento presente nas organizações brasileiras em seus diferentes níveis hierárquicos. Rico em conhecimento, o livro apresenta todo um contexto histórico-social de criação da sociedade brasileira e dos traços que a caracteriza, estabelecendo de que forma tais traços adentram nas organizações e como se manifestam. Porém, antes de me aprofundar na análise da obra, convém apresentar um pouco do tema e destacar sua importância, sobretudo para estudantes e profissionais das Ciências Sociais.
       Estudos sobre cultura organizacional são relativamente recentes, passando a aparecerem com maior frequência no mundo a partir dos anos 1980, quando a globalização passou a se intensificar, sobretudo com o maior acesso a novos mercados pelas empresas multinacionais, embora no final da década de 1960 e durante a década de 1970 terem se destacado os trabalhos de Geert Hofstede e Edgard Shein, que utilizavam conceitos e pressupostos da psicologia social e da antropologia para analisar e gerar conclusões sobre a formação e manifestação do comportamento organizacional. A influência exercida pela globalização nessa perspectiva organizacional que foi vista, em seu início, como mais um modismo dentro do estudo das organizações, consolidando-se mais tarde como importante linha de pesquisa, foi a necessidade de conhecer questões relacionadas à cultura de determinadas regiões para assim poder conceber os melhores modelos de gestão, tornado eficiente os procedimentos adotados na prática gerencial e gerando os melhores resultados, lógica e razão de ser da Administração. Entretanto, o Brasil só veio atentar para a importância do tema a partir do final da década de 1980 e inicio de 1990, e mesmo assim ainda com fraca aplicabilidade no contexto nacional, pois nessa e em muitas áreas ainda predomina a dominação de teorias e técnicas estrangeiras não adaptadas às nossas peculiaridades, quando aquelas deveriam servir apenas como ponto referencial para podermos construir conhecimentos voltados para nossa realidade, ponto onde a obra aqui analisada constitui-se rara exceção.
Ora, o conceito consagrado para cultura sugere esta como sendo um sistema de crenças, costumes, ideologias, valores, leis, rituais, símbolos e estilos de vida que contém uma série de significações e interpretações da realidade, sendo compartilhado por um grupo de pessoas. Na verdade, essa cultura é formada por um determinado grupo de subculturas que interagem entre si dentro de um grupo definido de pessoas, como, por exemplo, a cultura brasileira, que possui suas particularidades regionais, mas no seu todo apresenta traços fortes e bem definidos que caracterizam a maioria dos brasileiros, servindo, inclusive, de meios pelos os quais uma pessoa se assume brasileiro, sendo este o ponto de partida para a explanação, ou melhor, para as explanações apresentadas no livro.
Motta e Caldas consideraram a importância de se compreender a diversidade cultural para após usá-la na geração de valor para a organização, seja esta pública ou privada. Para possibilitar tal compreensão, eles utilizam-se da análise da cultura nacional, pois é bem demonstrado no livro como esta influencia na cultura de uma organização. O conceito de cultura organizacional parte do axioma de que uma organização é formada por um conjunto de pessoas que compartilham objetivos comuns ou, pelo menos, dependentes. Assim, uma organização não existe sem pessoas e estas possuem culturas próprias, adquiridas no meio onde vivem e por suas experiências de vida, que são levadas para dentro da organização e, uma vez dentro desta, interagem com outras culturas presentes originando a cultura organizacional, que é a reunião de traços culturais presentes na organização que passam a ser compartilhadas pelas pessoas por meio de rituais, valores e crenças disseminadas, além de normas, linguagens, formas de comunicação e símbolos, que ajudam a afirmar e reafirmar a cultura adotada pela organização.
            Caldas e Motta utilizam-se do pressuposto de que os indivíduos adotam traços particulares da cultura brasileira para se enxergarem como brasileiros e tais traços são transferidos para seu ambiente de trabalho, o que influencia diretamente a formação da cultura organizacional, criando assim estilos brasileiros de administrar e também de ser gerenciado. Segundo eles, esses traços possuem como origem todo um desenvolvimento histórico, econômico e antropológico que se deu desde a chegada dos colonizadores em nosso solo, passando pelo tráfico negreiro, Proclamação da República, Golpe Militar, entre outros fatos. Destaca-se nesse processo de formação da cultura brasileira e, posteriormente, da cultura de nossas organizações, o papel do português, raça que exerceu influência por um longo período de tempo, principalmente com o que é considerado no livro como falta de orgulho de raça (capacidade de hibridização portuguesa ocasionada pelo constante contato dos povos da Península Ibérica com diversos outros povos, principalmente mouros, e que encontrou em solo brasileiro condições propicias à sua continuidade), com a inclinação para exaltação da sexualidade e com o paternalismo herdado a partir da vinda da Coroa portuguesa em 1808, trazendo consigo uma legião de pessoas que eram alocadas em cargos específicos apenas para manterem seu status quo e receberem uma fatia do Tesouro sem nenhuma contribuição efetiva para o reino que se instalava, hoje refletindo no repudiado nepotismo e apadrinhamento de aliados políticos.
            Nas diversas fases passadas pelo “Impávido Colosso”, verifica-se uma alternância na detenção do poder, nos objetivos das políticas públicas e nos referenciais adotados (no príncipio em Portugal, depois França e Inglaterra e, relativamente mais recente, Estados Unidos). Tais fatos influenciaram cabalmente a formação do imaginário nacional, que é apresentado no livro pela maneira como vemos as figuras do estrangeiro e do pai, por nossa flexibilidade e criatividade (exemplificadas no jeitinho brasileiro e na maneira como encaramos o termo “malandro”) e, também, por nossos paradoxos. Segundo o livro, o brasileiro é caracterizado por traços como a distância do poder, o personalismo, a malandragem, o sensualismo, o espírito aventureiro e o formalismo, que são apresentados em seis partes: Cultura, cultura organizacional e cultura brasileira; Cultura organizacional brasileira e figuras recorrentes: o "estrangeiro" e o "pai'; Imaginário brasileiro e cultura organizacional; A cultura organizacional e o cotidiano nas organizações brasileiras; Cultura organizacional e cultura popular brasileira: futebol, samba e Salvador da Bahia; e Reflexões: cultura organizacional e nossas organizações.
            Os autores do livro consideram que no Brasil as organizações apresentam alta distância do poder quando analisamos a relação líder-liderado, fruto, principalmente, do sistema escravocrata adotado no passado, onde o senhor convivia constantemente com seus escravos, porém existia a separação dos dois mundos, representada pelo simbolismo da casa-grande e da senzala. Também citam como exemplo o carnaval, manifestação de origem popular que a elite passou a adotar e onde as diversas classes sociais, embora compartilhem o mesmo espaço, estão separadas, distantes: a elite como destaque no alto dos carros alegóricos e os menos abastados abaixo, desfilando na avenida, formando um de nossos tantos paradoxos. O personalismo também apresenta antíteses, pois, sendo a busca por relações pautadas no afeto, no domínio moral e econômico, é o avesso da distância de poder, porém não tem pretensão e condições de extingui-la. Na verdade, é a busca pela aproximação por meio de gostos em comum, laços afetivos, morais ou econômicos para estabelecimento de uma rede de relacionamentos capaz de nos trazer benefícios, que se manifesta no paternalismo, apadrinhamento, nepotismo, coronelismo e desigualdade no tratamento dos indivíduos, pelo lado negativo, e pela nossa celebrada hospitalidade e solidariedade, na outra face da moeda.
            Na análise apresentada pelo livro, tem espaço especial um traço que é exaltado por uns e condenado por outros: a malandragem, ou, na sua forma eufemística, o jeitinho brasileiro, utilizado para adquirir vantagens, apresentar soluções e, mais ainda, como meio de navegação social, pelo o qual nos adaptamos às situações e, geralmente, as revertermos a nosso favor, as vezes de maneira benéfica, outras em forma de corrupção. Aliás, o jeitinho implica no formalismo, que é a necessidade de colocar todos os assuntos com defesa em lei, uma vez que a malandragem cria mecanismos para burlar leis, ocasionando a necessidade de sanção de novas legislações, originando o enorme número de leis existentes no papel sem efeitos na prática. Ademais, somos apresentados com maior inclinação para os sonhos do que para a disciplina e com grande tendência à aversão ao trabalho metódico ou manual, o que caracteriza nosso espírito aventureiro, herdado, em grande parte, dos colonizadores portugueses, que eram grandes navegadores e escravocratas. Um exemplo é a nossa consideração de que trabalhos braçais são menos nobres e dignos do que outros tipos de atividades, herança do sistema escravocrata, onde tais atividades eram exercidas pelos escravos.
            Pelo o que foi apresentado até agora, o leitor pode formar uma opinião de que o livro destaca apenas os lados negativos de nossa cultura, o que não é verdade. Acredito que o principal objetivo de Caldas e Motta ao organizarem os artigos que compõem o livro era apresentar argumentos e fatos observados que nos permitam desenvolver nosso senso crítico e analítico, refletindo sobre a realidade e a forma como esta se formou para, a partir daí, poder agir sobre ela e modificá-la, utilizando nossa capacidade de lidar com o ambíguo e com o miscigenado para transformar problemas em soluções, pontos fracos em pontos fortes e ameaças em oportunidades, não só adaptando ou dando um “jeitinho” nos fatos e situações, mas agindo ativamente sobre a realidade. Para tanto, destaco os capítulos 5 (Gerência e autoridade nas empresas brasileiras: uma reflexão histórica e empírica sobre a dimensão paterna nas relações de trabalho, Eduardo Paes Barreto Davel e João Gualberto M. Vasconcelos), 13 (Cultura brasileira e organização cordial: ensaio sobre a Torcida Gaviões da Fiel, André Lucirton Costa), 14 (A cultura brasileira revelada no barracão de uma escola de samba: o caso da Família Imperatriz, Sylvia Constant Vergara, Cintia de Melo Moraes e Pedro Lins Palmeira) e 19 (Compreendendo as organizações latino-americanas: transformação ou hibridização?, Marta B. Calás e Maria Eugenia Arias) como excelentes pontos referenciais nesse processo de compreensão da sociedade brasileira.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Inglês instrumental: ferramenta imprescindível para o cotidiano

É evidente e gritante a importância atual do conhecimento de outro idioma, sobretudo do inglês (considerado a língua universal), do espanhol, devido à proximidade do Brasil com países hispânicos e ao fortalecimento do Mercosul, e, mais recentemente e devido à explosão da economia chinesa, do mandarim. O inglês, por exemplo, faz parte do nosso cotidiano por meio da informática, da eletrônica, dos negócios, etc., e, por isso, o conhecimento do chamado inglês instrumental é o mínimo que uma pessoa deve possuir dessa língua.

O inglês instrumental, ou de leitura, é na verdade um conhecimento básico que nos permite compreender as ideias básicas passadas pelos textos escritos nessa língua. É importante seu conhecimento devido à frequência de seu uso na informática e a existência de muitos manuais de equipamentos eletroeletrônicos de grande importância somente nesse idioma. Mas, para tanto, é necessário o uso de determinadas estratégias de leitura.

Assim, essa modalidade do idioma se divide basicamente em dois níveis: o skimming (compreensão geral) e o scanning (compreensão das ideias principais). Logo, para atingirmos esses dois níveis, temos que utilizar certos recursos, como:

1) Identificação das palavras cognatas: palavras cognatas são aquelas cuja grafia (ou raiz) e significados são semelhantes às suas correspondentes em português, como, por exemplo, document (documento), music (música), sound (som), etc. Este grupo de palavras é dividido em três tipos:

a) Cognatas Idênticas: possuem grafia e significados exatamente iguais nos dois idiomas, geralmente por serem de origem latina. Exemplo: radio, piano, hospital, etc.

b) Cognatas Parecidas: palavras cuja grafia tem diferença mínima e mesmo significado nos dois idiomas. Geralmente possuem uma ou mais letras suprimidas ou substituídas por outras letras ou por terminações equivalentes. Exemplo: tomato, car, gasoline, inflation, population (nestes dois últimos casos, a terminação -ção do português foi substituída por -tion em inglês).

c) Cognatas vagamente parecidas: possuem apenas uma ligeira semelhança com suas correspondentes. Exemplo: eletricity (eletricidade), explation (explicação), etc.

É importante, porém, atentar para o fato de que nem todas as palavras com grafia semelhante a da língua portuguesa possuem o mesmo significado desta, constituindo, então, os falso-cognatos. Entretanto, como o número de falso-cognatos é muito pequeno em relação aos verdadeiros, têm-se uma margem de erro muito estreita. Exemplos de alguns falso-cognatos: actual (verdadeiro), push (empurre), cigar (charuto), college (faculdade), lecture (palestra), guitar (violão), etc.

2) Levantamento das palavras de tradução conhecida: as palavras as quais a pessoa já tem conhecimento prévio do significado auxiliam bastante na compreensão de um texto, pois podem nos dá subsídios suficientes para detectar qual informação o texto está passando.

3) Observar as palavras repetidas: as palavras de conteúdo (verbos, substantivos, adjetivos) que mais se repetem no texto, frequentemente possuem uma grande relevância para a compreensão, pois muitas vezes sintetizam a ideia central do texto e, portanto, ao identificá-las é interessante buscar seus significados por meio de um bom dicionário.

4) Identificação das marcas tipográficas: marcas tipográficas são recursos visuais empregados no texto para chamar atenção do leitor para detalhes importantes deste. As mais frequentes são:

a) Números: representando datas, porcentagens, preços, posições, idades, quantidades, etc. Exemplo: 2008, 54%, R$ 45,00, 34, etc.

b) Uso de tipo especial: negrito, itálico e sublinhado, tal como também letras maiúsculas e em caixa alta, que são utilizados para dá destaque a determinadas informações.

c) Títulos e subtítulos: geralmente sintetizam o tema do texto, entretanto podem confundir ao utilizar, propositadamente, expressões de dupla interpretação ou de teor irônico.

d) Gráficos e tabelas.

e) Ilustrações e fotografias.

f) Layout: é a disposição gráfica do texto e tem sua importância pois alguns tipos de textos são fortemente caracterizados por sua forma de disposição no papel, como poemas, por exemplo.

5) Leitura rápida do primeiro e último parágrafo: geralmente um bom texto faz a apresentação do assunto a ser discorrido no primeiro parágrafo e apresenta suas conclusões no último, daí a importância de uma leitura prévia desses dois parágrafos para compreender o assunto abordado.

6) Grupo Nominal: a ordem das palavras em Inglês é diferente da ordem em Português, o que dificulta o entendimento de um texto nessa língua sem o conhecimento prévio de como as palavras se dispõe. É neste contexto que se insere o conhecimento da estrutura do grupo nominal, que é um grupo de palavras relacionadas entre si, onde encontramos:

  • núcleo: substantivo
  • modificadores: adjetivos, palavra com função de adjetivo, advérbios
  • determinantes: artigos, numerais (ordinais/cardinais) e pronomes (indefinidos/possessivos)
Assim, a estrutura geralmente é formada por: determinante + modificadores + núcleo, podendo apresentar vários determinantes, modificadores ou núcleos, não possuir determinantes ou modificadores, mas nunca sem núcleo. Exemplos: World Cups, Argentinean tango, a traditional festival, the first place, a very beautiful car, expensive books and magazines, Brazilian people, a student.

Além de todos esses conhecimentos mínimos apresentados, é importante ressaltar que o uso de um bom dicionário auxilia muito na tentativa de interpretar textos em Inglês e que o ideal é procurar um curso de idiomas e começar o quanto antes a adquirir e consolidar conhecimentos, expandindo os limites da mente humana.

Se você está interessado em obter materiais relacionados ao ensino da Língua Inglesa, acesse o site http://www.meusdadospessoais.xpg.com.br/, elaborado por Diego Imbiriba.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Resenha Memórias Póstumas de Brás Cubas



“Que Stendhal confessasse haver escrito um de seus livros para cem leitores, coisa é que admira e consterna. O que não admira, nem provavelmente consternará é se este outro livro não tiver os cem leitores de Stendhal, nem cinqüenta, nem vinte e, quando muito, dez. Dez? Talvez cinco.”
(Machado de Assis)

Nome do Livro: Memórias Póstumas de Brás Cubas
Publicação: 1880
Autor: Joaquim Maria Machado de Assis (1839-1908) nasceu no Morro do Livramento, no Rio de Janeiro. Filho de mulato em uma sociedade escravocrata, Machado de Assis foi autodidata. Aos 15 anos, começou a trabalhar em uma tipografia, o que possibilitou conhecer escritores importantes, abrindo-lhe caminho para a carreira literária. Sua primeira publicação foi um poema na revista Marmota Fluminense, em 1855. Logo após, torna-se burocrata, galgando cargos até conquistar a posição de Ministro substituto. Entretanto, tal carreira era mantida apenas para ganhar o sustento que o possibilitava escrever. Foi um dos principais responsáveis pela fundação da Academia Brasileira de Letras, em 1896, da qual é eleito presidente vitalício. Consagrado como o maior escritor brasileiro, é enterrado com pompa no Rio de Janeiro em 1908, quatro anos após a morte de sua esposa, a portuguesa Carolina Augusta Xavier de Novais. Suas obras são carregadas de ironia e sarcasmo, pessimismo e ceticismo, contribuição das experiências vividas (como o grave preconceito racial da família de sua esposa), da gagueira e da saúde precária que viveu a partir dos 40 anos, quando se agravou a epilepsia.
Preço: o livro pode ser encontrado numa faixa de preço que compreende, em média, R$ 7,00 à R$ 70,00, dependendo da editora ou do formato do livro, podendo também ser adquirido no formato PDF e gratuitamente no site Domínio Público, do Ministério da Educação (MEC).

Primeiro livro que li de Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas foi seu quinto romance e marca a transição que o autor realizou do Romantismo inicial de sua carreira, recheado de fantasias e inconstâncias, para o Realismo, sendo considerado por muitos a obra que introduziu essa nova escola literária no Brasil. A partir desse romance, Machado assume a postura que o caracterizaria no plano literário, tornando-se crítico sagaz da Sociedade em que vivera e surpreendendo o público e a crítica literária da época, causando, como resposta à ousadia apresentada na obra, um silêncio frente ao livro e sua difícil classificação entre os estilos literários até então existentes. Aliás, a ousadia de Memórias gerou uma falta de interesse do público, sobretudo o feminino que o lia em revistas, e uma reação de boicote por parte da crítica, que supervalorizava obras de menor qualidade literária para, assim, ofuscar a história de Brás Cubas, o defunto-autor de Memórias Póstumas. Tal reação se exemplifica no fato de que entre a 1ª e 2ª edição do livro transcorreram 15 anos (1880-1896).
Memórias Póstumas foi publicado originalmente como uma série de folhetins na Revista Brasileira em 1880, transformando-se, no ano seguinte, em um livro com correções realizadas por Machado. O livro é todo escrito em primeira pessoa e apresenta a biografia de Brás Cubas, que decide contar sua história de forma franca e isenta diretamente do túmulo, tornando-se um defunto-autor, como o próprio se apresenta no primeiro capítulo (Óbito do Autor). O humor negro e a ironia perpassam todos os capítulos do livro, inclusive o prólogo e dedicatória, pois, de acordo com o autor, Brás Cubas é particular por possuir rabugens de pessimismo.
A obra possui o poder de incluir o leitor na história, dando-lhe vida e contornos no texto, por vezes subestimando seu entendimento e inteligência e, por outras, o convidando a refletir. Agressivo, Machado de Assis utiliza recursos narrativos e gráficos inusitados, como capítulos curtos e até em brancos, que quebram o ritmo da narrativa e convidam à reflexão, ou o embaralhamento da ordem cronológica dos capítulos, associados a uma inteligência e ironia que corta a carne do leitor, mas que também o surpreende a cada página e o prende a cada linha lida. Suas palavras buscam deslocar o foco de interesse do romance tradicional, colocando a forma como seus personagens veem e sentem as circunstâncias em que vivem em primeiro plano, caracterizando o interior das personagens e apresentando suas contradições e problemáticas existenciais, estilo de escrita conhecido como romance psicológico.
Em sua abertura, o livro apresenta uma dedicatória escrita sob a forma de um epitáfio, que dá início a apresentação do inusitado autor do livro, Brás Cubas, e já traz um pouco do humor negro e cético que irá caracterizar a obra. Brás Cubas, conhecido entre os críticos literários como “o grande hipócrita da Literatura brasileira”, é um homem que passou a vida sem conquistar nenhuma realização (como se conclui no capítulo final Das Negativas), sem possuir objetivos definidos e apresenta-se como um turbilhão de contradições éticas, comportamentais e sentimentais. Quando criança fora criado com privilégios e proteção, mas, ao atingir a juventude, mostra-se irresponsável, sempre buscando tirar vantagem de tudo e adquirir poder. Na maturidade, consegue um cargo público e busca notoriedade e respeitabilidade ao querer tornar-se ministro, numa tentativa de compensar a existência sem nada de notável, exemplificada na falta de filhos, no desconhecimento do casamento, em não ter sido ministro e em não ter alcançado a celebridade com a invenção do emplasto, última tentativa de perpetuar seu nome entre os homens, “acima da ciência e da riqueza”.
Além da personagem principal, personagens secundárias também são apresentadas durante o livro, surgindo e desaparecendo sem uma ordem estabelecida, pois acompanham os pensamentos de Brás Cubas e a importância que este dá para os fatos e as pessoas. Dentre elas destacam-se Marcela, Eugênia, Virgília, sua irmã Sabina e Quincas Borba. Marcela foi sua primeira paixão da adolescência, aos 17 anos, e, como Brás gastava excessivamente presenteando-a, seu pai o obriga a estudar Direito em Coimbra, Portugal, retornando ao Brasil devido a doença e morte da mãe, seu primeiro contato com o dilema da Vida e da Morte. Mas na frente, Brás reencontra Marcela, velha e doente, e põe-se a refletir sobre a passagem do tempo, utilizando para tanto o que chamava teoria das edições da vida, anunciada nos primeiros capítulos. Eugênia era a filha de uma amiga pobre da família, a qual Brás Cubas namorou enquanto o pai procurava arranjar um casamento de interesse com Virgília, filha do Conselheiro Dutra, um influente político. Entretanto, Virgília casa-se com Lobo Neves e posteriormente se torna amante de Brás, sendo uma das três senhoras que este relata terem visto-lhe morrer, junto à Sabina, sua irmã, com a qual Brás Cubas teve uma desavença devido a divisão da herança deixada pelo pai, e sua sobrinha, filha de Sabina com Cotrim. 
Já Quincas Borba é considerado a personagem secundária em Memórias Póstumas que mais importância teria na obra de Machado de Assis que se seguiria, tanto que torna-se personagem-título para outra obra, publicada em 1891. Amigo dos tempos de escola, Quincas Borba e Brás reencontram-se anos depois, ocasião na qual Quincas lhe apresenta uma doutrina filosófica que criara, o Humanitismo. Quincas é um mendigo que vai enlouquecendo progressivamente, morrendo completamente fora de si. Sua doutrina pregava que tudo o que acontece na vida faz parte de um quadro maior de preservação da essência humana, artifício irônico utilizado por Machado ao fazer que uma doutrina de valorização da Vida seja defendida por um mendigo louco. Brás encontra na teoria do amigo justificativas para sua existência vazia, iludindo-se com a descoberta de um sentido para a vida, até perceber que Quincas Borba está enlouquecendo progressivamente.
Brás Cubas morre aos 64 anos, após adoecer por conta da idéia fixa de inventar um emplasto anti-hipocondríaco que levaria seu nome, tornando-o famoso. Após sua morte, decide contar sua vida em detalhes, seguindo a lógica de seu pensamento, devido sua falta de sistematização das ideias e a excitação ainda presente pelo o fato de estar morto. Enfim, Memórias Póstumas é uma obra feita para compreender através das reflexões da personagem que brinca com a ordem cronológica das narrativas, um marco da literatura brasileira que apresenta todo o talento daquele que foi o maior expoente das letras no Brasil.

Faça o download do livro gratuitamente AQUI.

Fora, Temer!