domingo, 29 de novembro de 2009

O fortalecimento da EaD: do uso pejorativo do termo “Curso por Correspondência” ao nascimento de um novo modelo de Educação.

“O Poder Público incentivará o desenvolvimento e a veiculação de programas de ensino à distância, em todos os níveis e modalidades de ensino e de educação continuada.” Art. 80 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996


Na última sexta-feira, dia 27 de novembro de 2009, foi comemorado em todo o Brasil o Dia Nacional da Educação à Distância (EaD), modalidade de ensino que, diferentemente do que muitos pensam, já existia antes do advento da informática e da explosão do fenômeno Internet e que não se resume apenas aquela que é disponível na web, embora tenha recebido um maior impulso após esses fatos que marcaram o surgimento da Sociedade da Informação, a qual estamos vivenciando hoje. Na verdade, a EaD, como conhecemos hoje, é resultado de uma série de adaptações e diferenciações de modalidades educacionais ocorridas para acompanhar a evolução tecnológica e realizadas para suprir a necessidade humana de transmitir conhecimentos e experiências de geração para geração e para uma amplitude cada vez maior de pessoas. Seu surgimento modificou o espírito educacional, dando ao aluno que a utiliza maior domínio sobre seu próprio processo de aprendizagem, utilizando mídias de ensino diferenciadas, dispensando a presença física do mestre e, seguindo a tendência da moderna pedagogia, transformando este num provocador, motivador e facilitador do processo de ensino-aprendizagem, em detrimento da ultrapassada prática de dominação exercida pelo professor sobre seus alunos, que eram forçados a manterem-se inertes, tornando o processo de ensino uma relação de interação com apenas um lado ativo, portanto cheia de ruídos.

Como dito anteriormente, a EaD passou por uma série de transformações e adaptações ao que a Sociedade exigia (e continua exigindo), evoluindo de uma modalidade de ensino que focava apenas em seus conteúdos e resultados para uma onde, além desses dois fatores, há um foco na maneira como se realiza o processo de comunicação, tornando-se uma aprendizagem mais colaborativa, onde professores e alunos são produtores e consumidores de conhecimento, ou seja, evidenciou-se uma evolução de uma abordagem embasada pela corrente behaviorista da Psicologia, que tem como pressupostos a pregação de que resultados são influenciados por reforços positivos (recompensas) ou negativos (punições), para uma visão Construtivista, defensora da parceria e cumplicidade entre os atores do processo ensino-aprendizagem. Sua estrutura permite a criação de oportunidades educacionais a grandes contingentes de pessoas, mesmo com estas encontrando-se geograficamente distantes umas das outras e dos responsáveis pelo direcionamento das atividades a serem realizadas (coordenadores, tutores, monitores ou orientadores), mas sem desconsiderar as características individuais de seus usuários, pois possibilita uma maior flexibilidade, respeita o ritmo individual e se adequa ao estilo de aprendizagem do aluno, promove autonomia, exerce papel de inclusão social e, ao contrário do que muitos ainda pensam, não perde em qualidade pedagógica, além de possibilitar a redução de custos ao utilizar a Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) como forma de suporte, eliminando gastos com estruturas físicas para atender aos alunos e reduzindo o número de colaboradores necessários ao desenvolvimento das atividades, do ponto de vista do ofertante do curso, e extinguindo gastos com transporte e materiais, já que a maioria destes é disponibilizada virtualmente e no próprio ambiente de curso, e inclusive reduzindo o preço do curso, muitos oferecidos de graça e outros a um preço menor em comparação com o presencial, do ponto de vista de quem demanda pelo curso, ocasionando uma “industrialização do ensinar e aprender”.

Quando falo que a EaD já existia antes da Internet e que não está relacionada apenas a esta, refiro-me ao fato de que a mesma já se apresentou por meio do rádio (Projeto Minerva/Rádio MEC), do material impresso (Instituto Universal Brasileiro), da TV (Telecurso 2000, canal Futura), de vídeos, do telefone, da web e de tantas outras mídias quanto o homem já inventou. Nela, a experiência de gestor de seu próprio processo de aprendizagem possibilita ao aluno o exercício e a vivência de experiências que contribuem para o desenvolvimento de habilidades de aplicação do conhecimento adquirido em soluções de problemas, o mantém atualizado e lhe proporciona a possibilidade de seleção das informações que julgar mais necessárias para sua vida pessoal, social e profissional. Entretanto, o aluno que optar por esta modalidade de ensino deve ter consciência de que alguns aspectos de seu comportamento devem ser modificados, caso contrário podem tornar essa escolha mais onerosa e prejudicial do que a tradicional forma presencial de ensino, o que denota uma falha não na forma à distância como o curso é apresentado, mas sim na maneira como o próprio indivíduo delineou seu processo de ensino. Assim, como o conteúdo está sempre disponível, ao aluno cabe somente organizar seus materiais, observar as datas do cronograma do curso, distribuir o tempo, cumprir os prazos das tarefas, avaliar onde necessita aprofundar conhecimentos e onde já tem domínio assegurado, pesquisar e exercitar o conteúdo, já que ele é o responsável pela aquisição do conhecimento e tais medidas facilitarão o domínio do conteúdo do curso. Mas, isso não retira do professor algumas responsabilidades, pois a este cabe a orientação da aprendizagem, a disponibilização das alternativas e o estímulo do envolvimento do aluno em todo o processo.

Ademais, mesmo com tantas vantagens é necessária certa cautela ao se optar por um curso à distância. A principal desvantagem da modalidade, que, na verdade, nem está ligada a modalidade em si, mas a uma reação natural à mudança que esta vem realizando na estrutura educacional, é a falsa noção de que um profissional formado com o uso de tal metodologia apresenta qualificação inferior frente aqueles que obtiveram formação presencial (o estigma do “curso por correspondência”), muito embora tal percepção venha perdendo adeptos com o passar do tempo. Outro fato importante é a atenção para o critério de escolha de instituições, que deve ser criterioso e embasado em referenciais consistentes, pois a escolha de uma instituição errada pode implicar em grande prejuízo e numa subqualificação curricular. Alguns pontos importantes no processo de escolha de se fazer um curso presencial ou à distância são:

1. Verificar o grau de aprendizagem compartilhada;

2. Observar se há assistência constante do tutor e dos demais membros da equipe de suporte;

3. Avaliar a interatividade entre os atores do processo ensino-aprendizagem;

4. Analisar se a instituição respeita a disponibilidade e o ritmo de cada aluno;

5. Observar se há facilidade de acesso aos conteúdos;

6. Verificar se há uma perspectiva de desenvolvimento da autonomia do aluno;

7. Avaliar a disponibilidade de materiais que apresentem conteúdos auto-instrutivos;

8. Priorizar instituições que apresentem comunicação bidirecional;

9. Observar se existem mecanismos de socialização do conhecimento, como fóruns e salas de bate-papo, por exemplo;

10. Analisar se o ambiente do curso é projetado para uma utilização intuitiva ou se é complexo demais;

11. Em casos de cursos on line, observar a configuração mínima necessária.

Após analisados os aspectos apresentados, o aluno terá maiores subsídios para decidir qual processo de aprendizagem se adequa mais à sua realidade e qual instituição lhe proporciona maiores benefícios, o que gerará uma maior probabilidade de sucesso ao término do curso. Abaixo, seguem algumas dicas de cursos na modalidade EaD fornecidos na web, todos gratuitos.



Dicas de Cursos On Line Gratuitos

SEBRAE – O ambiente de EaD do Serviço de Apoio às Micros e Pequenas Empresas merece destaque por priorizar o incentivo a difusão de conhecimentos relacionados ao empreendedorismo, fomentando o desenvolvimento de novos negócios. No ambiente, tem-se acesso aos cursos Atendimento ao Cliente (AC), Boas Práticas nos Serviços de Alimentação: Gestão da Segurança (BPSA), Aprender a Empreender (AE), Análise e Planejamento Financeiro (APF), Como Vender Mais e Melhor (CVMM), D-Olho na Qualidade: 5S`s para os Pequenos Negócios e Gestão de Cooperativas de Crédito (GCC). Ao realizar a inscrição em um desses cursos, o aluno é inserido automaticamente no curso de Ambientação, que é uma apresentação do conceito de EaD e da estrutura do ambiente de curso, facilitando seu desenvolvimento e possibilitando ao aluno aproveitar com eficácia todas as ferramentas disponibilizadas. Possui como desvantagem o fato de que seus cursos não são disponibilizados imediatamente, pois dependem da formação de turma. Indico o site para quem está em busca de conhecimentos iniciais sobre empreendedorismo.

CIEE – O Centro de Integração Empresa-Escola oferece cursos on line nas mais diversas áreas, englobando da Atualização Ortográfica à Cidadania e Meio Ambiente. Entretanto, os cursos oferecidos são relacionados, na grande maioria, a assuntos básicos, podendo causar frustração aqueles que buscam conhecimentos mais técnicos e avançados, afinal o site tem como público-alvo principal adolescentes que estão iniciando sua preparação para o mercado de trabalho. Mesmo assim, vale a pena o acesso para quem considera toda forma de conhecimento válida.

FNQ – O site da Fundação Nacional da Qualidade apresenta tanto cursos gratuitos quanto pagos, destinados ao desenvolvimento da qualidade nas organizações brasileiras. Destaco os cursos de Sensibilização para a Excelência em Gestão, Modelo de Excelência em Gestão (MEG) e Preparatório para Banca de Examinadores do Prêmio Nacional de Qualidade, todos voltados para a implantação dos pressupostos do PNQ nas organizações brasileiras, com destaque maior para o último, que é a primeira fase para obtenção da oportunidade de ser examinador do referido prêmio, com o restante da qualificação para tal sendo realizada presencialmente. Todos os cursos apresentam conteúdo altamente técnico e de muita qualidade.

Aprendendo A Exportar – Embora não seja um curso propriamente dito, essa página da Internet criada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) apresenta ótimo conteúdo para quem tem interesse em Comércio Exterior, introduzindo conceitos básicos e delineando ações a serem praticadas para conseguir exportar produtos com qualidade e rentabilidade. Indicadíssimo!

FGV On Line - Indicado pelo amigo e colega de faculdade Rodrigo Franco,o portal de cursos on line da Fundação Getúlio Vargas oferece cursos gratuitos de qualidade, nas áreas de Gestão Empresarial, Metodologia, Atualização Ortográfica e em outras Áreas do Conhecimento. Tal serviço só se tornou possível a partir do momento que a FGV se tornou membro do OCWC (Open Course Ware Consourtium), que consiste num consórcio de instituições de ensino de diversos países que oferecem conteúdos e materiais didáticos gratuitamente pela Internet, tornando-se a primeira instituição brasileira a aderir ao consórcio. Os cursos apresentam conteúdos atualizados e com riqueza no assunto desenvolvido, além de textos complementares que podem ser "baixados" no próprio ambiente do curso e sugestões de vídeos e sites relacionados ao tema de cada curso.

ATUALIZAÇÃO: as dicas abaixo foram acrescentadas à postagem no dia 15 de fevereiro de 2013.



Referências Bibliográficas
  1. Manual de Ambientação – Guia do Aluno (SEBRAE, 2009)

  2. Guia Interativo de Informação Profissional e Educacional – GIIPE/CIEE. Educação à Distância e o futuro. (Arnaldo Niskier)

  3. Guia Interativo de Informação Profissional e Educacional – GIIPE/CIEE. Nasce Um Novo Modelo de Educação. (Maurício Chermann e Luci Mendes Bonini)

domingo, 22 de novembro de 2009

Resenhas

A partir de hoje, inicio a postagem de uma série de resenhas, onde vou apresentar sugestões de livros que considero interessantes de serem lidos. A série não será contínua, o que significa que será intercalada por outros tipos de postagens. Os livros que indicarei a vocês serão dos mais diversos gêneros e expressarei minha opinião sobre eles sempre deixando espaço aberto para a opinião de vocês, sejam elas a favor ou ao contrário da minha. Abaixo segue minha primeira sugestão. Conto com a participação de vocês!
Amarildo Ferreira Júnior

Nome do Livro: Administração – Teoria e Prática no Contexto Brasileiro

Autores: Filipe Sobral (Doutor em Administração pela Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getúlio Vargas, Mestre em Ciências Empresariais pela Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, Portugal, e Coordenador Acadêmico do Programa de Certificação de Qualidade da FGV) e Alketa Peci (Doutora em Administração e Mestre em Administração Pública pela Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getúlio Vargas).

Editora: Prentice Hall

N° de páginas: 416

Preço: em média R$ 100,00

Primeiro livro que li relacionado à Administração, Teoria e Prática no Contexto Brasileiro é um livro indicado a quem está iniciando seus estudos nessa ciência social aplicada, tendo como objetivo familiarizá-lo ao universo da Administração, pois apresenta conceitos básicos para o administrador e seu conteúdo está aplicado diretamente à realidade brasileira, algo raro quando se trata de literatura para administradores, onde ainda há predominância de compilações e traduções de livros estrangeiros, que muitas vezes não apresentam nas teorias defendidas um ponto de aplicação em solo brasileiro. O livro se divide em 12 capítulos, que passeiam pela apresentação dos conceitos básicos para um administrador, a descrição e análise do processo de tomada de decisão, uma visão geral e evolutiva das principais escolas do pensamento em Administração, analisa e retrata as 4 principais funções de um administrador (Planejar, Organizar, Dirigir e Controlar) e, por fim, apresenta as áreas funcionais de Operações, Marketing, Recursos Humanos e Financeira. A leitura do livro permite a aquisição da percepção do que é uma organização, quem é o administrador e em que consiste a expressão administrar uma organização, dando ao leitor pressupostos básicos para adquirir maturidade e, assim, manter contato com livros mais profundos sobre temas administrativos, consolidando de maneira mais eficiente conhecimentos adquiridos.

Os autores também apresentam uma visão dinâmica da Administração, análises de alguns casos, dentre eles se destacam o da Gol Linhas Aéreas e de Roger Agnelli, Diretor-Presidente da Vale, e buscam apresentar as tendências e os desafios para o administrador contemporâneo, o que aumenta ainda mais a necessidade de leitura desse livro por qualquer pessoa que se interesse ou pretenda atuar na ciência da Administração.

Leia abaixo dois comentários sobre o livro apresentado:

"O livro Administração: Teoria e Prática no Contexto Brasileiro preenche uma importante lacuna entre os livros-texto de administração em língua portuguesa. Os professores Filipe Sobral e Alketa Peci elaboraram um trabalho não só rigoroso e claro, mas principalmente aplicado à realidade brasileira. Trata-se de uma obra de leitura obrigatória para estudantes de administração e administradores. Os leitores se beneficiarão da visão sistêmica, integrada e abrangente apresentada no texto."

(Antonio Freitas, Ph.D. Presidente da Associação Nacional dos Cursos de Graduação em Administração – ANGRAD)

"Administração: teoria e prática no contexto brasileiro constitui uma inestimável contribuição para a formação básica dos futuros administradores que buscam graduar-se ou daqueles que, em nível de pós-graduação, procuram complementar os estudos, qualificando-os a vôos mais ambiciosos como dirigentes, consultores ou professores e pesquisadores."

(Bianor Scelza Cavalcanti, Ph.D. Diretor da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getulio Vargas - EBAPE/FGV)

domingo, 15 de novembro de 2009

Ministério do Trabalho e Emprego publicou Portaria que torna obrigatória a certificação dos SREP

No dia 21 de agosto de 2009, o Ministro do Trabalho e Emprego Carlos Roberto Lupi assinou e publicou a Portaria de número 1.510 que disciplina o uso do ponto eletrônico nas empresas. Tal medida obriga às empresas a adotarem um sistema de controle da assiduidade de seus colaboradores certificado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, o que impede a adulteração dos dados e fraudes dentro das empresas para não pagar horas extras, gerando uma maior certeza de correção na marcação, protegendo funcionários, ao lhes proporcionar uma maior garantia de registro de sua efetiva jornada de trabalho, e empregadores, ao permiti-lhes um maior controle sobre a assiduidade e frequência de seus funcionários.
Segundo a Portaria, as organizações têm um prazo de 12 meses a partir da publicação da mesma no Diário Oficial para certificarem seus relógios de ponto, entretanto a adaptação dos arquivos e dos sistemas às especificidades da portaria deve ser imediata. Assim, a Portaria obriga as empresas a adotarem um SREP (Sistema de Registro Eletrônico de Ponto) que registre horários fielmente, não sendo permitidas, por lei, ações que desvirtuem os fins legais para os quais é adotado o SREP, como:
  • Imposição, por parte das empresas, de restrições de horário à marcação do ponto;
  • Marcação automática do ponto (utilizando-se horários predeterminados ou o horário escrito no contrato de trabalho);
  • Exigência, por parte do sistema, de autorização prévia para marcação de sobrejornada;
  • Existência de qualquer meio que permita a alteração dos dados registrados.

Logo, quando da realização de fiscalizações trabalhistas e auditorias, se forem encontradas provas de que houve adulteração dos horários marcados pelo funcionário ou de que existem subrotinas ou programas internos que permitem o desconhecimento do horário real de trabalho do profissional, documentos e equipamentos da empresa deverão ser recolhidos, testemunhas serão ouvidas e demais técnicas necessárias serão adotadas para comprovação do ato ilícito, com a empresa enquadrando-se na situação de passividade de multa e de ação trabalhista, correndo o risco de ter de ressarcir seus colaboradores prejudicados por falta de pagamento de horas extras, sobrejornadas ou que forem obrigados a simular sua saída do trabalho em um horário que não é o real.
Para acessar a Portaria 1.510, de 21 de Agosto de 2009 na íntegra, clique aqui.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Comissão de Formatura AGBF 2011.2

Acesse também o blog http://formaturaideal.blogspot.com
e expresse sua opinião sobre o que a Comissão de Formatura dos discentes do
3º período do Curso de Administração da Faculdade Ideal (FACI) podem fazer
em relação ao meio acadêmico belenense.
Dicas, críticas, opiniões e sugestões são bem vindas!

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Um novo desabrochar da flor do Lácio



Desde 1º de Janeiro de 2009 está em vigor o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, que visa a unificação ortográfica do idioma, sua simplificação e aprimoramento em todos os países membros da comunidade lusitana e um aumento de seu prestígio internacional. Porém, junto com esse Acordo, surgiram dúvidas quanto ao fato de quais e quantas mudanças ocorrerão em nossa ortografia, como será feita a transição da atual norma ortográfica para a nova norma estabelecida e como foi elaborado este novo regimento. Logo, propus-me pesquisar para esclarecer tais dúvidas, possibilitando minha atualização ortográfica e a exposição do que pude encontrar de esclarecedor para todos os que acompanham as publicações deste blog. Para tanto, utilizei-me do que está sendo veiculado na mídia (conteúdo que considero pobre em relação ao que os meios de comunicação em massa poderiam e deveriam dispor à população, demonstrando mais uma vez o descompromisso que os “formadores de opinião” têm com a Educação e a Cultura de nosso país) e tive acesso, por meio do site do Ministério da Educação, ao Diário Oficial da União de 30 de Setembro de 2008, data na qual foi publicado o Decreto Nº 6.583, de 29 de setembro de 2008, que promulga o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.
Histórico do Acordo
O Acordo em questão não é assunto tão recente como muitos (inclusive este que lhes escreve) pensavam. Ele teve seu projeto aprovado em Lisboa no dia 12 de outubro de 1990 pela Academia das Ciências de Lisboa, Academia Brasileira de Letras e pelas delegações de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe, tendo adesão da delegação de observadores da Galiza, sendo assinado, naquela mesma cidade, em 16 de dezembro de 1990 pelos representantes da República Popular de Angola, República Federativa do Brasil (representada por Carlos Alberto Gomes Chiarelli, Ministro da Educação à época), República de Cabo Verde, República da Guiné-Bissau, República de Moçambique e República Portuguesa, com distribuição de um exemplar de mesmo teor e valor para cada delegação. Em seu projeto foi estabelecida a data de 1º de janeiro de 1993 como prazo final para elaboração, pelos Estados signatários do Acordo, através de suas instituições e órgãos competentes, de um novo vocabulário ortográfico comum à língua portuguesa que atendesse a todas as expectativas possíveis, e a data de 1º de janeiro de 1994 para inicio de seu vigor, após apresentação, por parte de todos os Estados signatários junto ao Governo da República Portuguesa, dos instrumentos necessários à sua autenticação. Aqui no Brasil, o Acordo foi aprovado pelo Congresso Nacional, por meio do Decreto Legislativo Nº 54, em 18 de abril de 1995 e teve seu instrumento de ratificação depositado junto ao Ministério de Negócios Estrangeiros da República Portuguesa em 24 de junho de 1996, entrando em vigor em âmbito internacional e num plano jurídico externo em 1º de janeiro de 2007.
O Acordo, como já citado anteriormente, já está produzindo efeitos desde 1º de janeiro de 2009, entretanto, como o mesmo não obedeceu os prazos estipulados, para regularizá-lo foi necessária a adoção de dois Protocolos Modificativos, um de 17 de julho de 1998, assinado na Praia e o outro de 25 de julho de 2004, assinado em São Tomé, no qual houve a adesão da República Democrática de Timor-Leste. Verifica-se que ele prevê um período de transição, no qual a antiga e a nova norma ortográfica coexistirão, que se estenderá até 31 de dezembro de 2012. Seu anúncio, no dia 29 de setembro de 2008, foi marcado por uma cerimônia realizada no Salão Nobre da Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro, em meio a celebração dos 100 anos da morte do escritor brasileiro Machado de Assis e foi presidido pelo presidente Lula, que ressaltou uma aproximação do Brasil com suas raízes, a importância dos acordos educacionais e culturais do Brasil com os países da África que falam português e um fortalecimento da língua e cultura brasileira.
Acredito que, embora existam resistências e dificuldades de transição de uma norma para outra, tal medida possibilitará o fortalecimento que se propõe da língua portuguesa e uma melhoria nas relações entre as Nações lusófonas, além de extinguir certas peculiaridades que, se algum dia tiveram alguma função, hoje estavam totalmente obsoletas. Entretanto, para que o Acordo seja realmente cumprido e não vire mais uma lei “elefante branco”, é importante a realização de um processo de reeducação da população eficaz e de reciclagem e adequação dos meios didáticos (livros, professores, etc.) às novas normas por parte de todas Nações envolvidas. No Brasil, por exemplo, foi estabelecido que a partir de 2010 os livros escolares distribuídos pelo Ministério da Educação à rede pública de ensino deverão ser editados somente na nova ortografia. Medidas iguais a esta e outros cuidados são necessárias para que não ocorram mais uma vez os fracassos obtidos nas tentativas de 1931, 1943, 1945, 1975 e 1986, embora a promulgação de algumas leis em 1971, no Brasil, e 1973, em Portugal, terem reduzido algumas divergências ortográficas entre os dois países.

Quais mudanças mais significativas?
Segundo dados do MEC, 0,8% dos vocábulos no Brasil e 1,3% em Portugal serão modificados pelo Acordo, ocasionando uma unificação de cerca de 98% do vocabulário geral da língua. Note que Portugal terá um percentual maior de mudanças do que o Brasil. Isso deve-se, principalmente, ao fato de que Portugal terá que suprimir consoantes mudas em alguns vocábulos, como ação (acção), ativo (activo), diretor (director), ótimo (óptimo), entre outras, enquanto o Brasil já as aboliu a certo tempo. Veja abaixo a relação de algumas normas ortográficas presentes no Novo Acordo (algumas realmente novas outras remanescentes da antiga norma que julguei importante ao conhecimento de todos):
Recomendação da substituição, sempre que possível, de nomes próprios de línguas estrangeiras por formas vernáculas, quando estas estejam vivas em português, se já forem antigas, ou se puderem ser inseridas no uso corrente, o que evita um corrompimento da língua por estrangeirismos. São citados como exemplos no acordo os seguintes casos: Anvers, substituído por Antuérpia; Cherbourg, por Cherburgo; Garonne, por Garona; Genève, por Genebra; Jutland, por Jutlândia; Milano, por Milão; München, por Munique; Torino, por Turim; Zürich, por Zurique, etc.
Suprime-se o h “quando, apesar da etimologia, a sua supressão está inteiramente consagrada pelo uso: erva, em vez de herva; e, portanto, ervaçal, ervanário, ervoso (em contraste com herbáceo, herbanário, herboso, formas de origem erudita)”.
“Em algumas (poucas) palavras oxítonas terminadas em -e tônico, geralmente provenientes do francês, esta vogal, por ser articulada nas pronúncias cultas ora como aberta ora como fechada, admite tanto o acento agudo como o acento circunflexo: bebé ou bebê; bidé ou bidê, canapé ou canapê, caraté ou caratê, croché ou crochê, guiché ou guichê, académico ou acadêmico, matiné ou matinê, nené ou nenê, ponjé ou ponjê, puré ou purê, rapé ou rapê. O mesmo se verifica com formas como cocó e cocô, (letra do alfabeto grego) e . São igualmente admitidas formas como judô, a par de judo, e metrô, a par de metro.”
Os ditongos representados por -ei e -oi na sílaba tônica das palavras paroxítonas não são acentuados. Assim, algumas palavras, que antes recebiam acento agudo nesses casos, como assembleia, ideia, epopeico, onomatopeico, proteico, heroico, jiboia, apoio (do verbo apoiar) e alcaloide, perderão o acento, equiparando-se a aldeia, baleia, cadeia, cheia, meia, apoio (subst.) e dezoito.
Torna-se prescindível o uso de acento circunflexo nas formas verbais paroxítonas que contêm um e tônico oral fechado em hiato com a terminação -em da 3ª pessoa do plural do presente do indicativo ou do conjuntivo, conforme os casos: creem, deem (conj.), descreem, desdeem (conj.), leem, preveem, redeem (conj.), releem, reveem, tresleem, veem. Também dispensa-se o acento circunflexo para assinalar a vogal tônica fechada com a grafia o em palavras paroxítonas como enjoo (substantivo e flexão de enjoar), povoo (flexão de povoar), voo (substantivo e flexão de voar), etc.
Cai em desuso a adoção de acento, seja agudo ou circunflexo, de palavras que, sendo homógrafas, possuem mesma vogal tônica aberta ou fechada, deixando, portanto, de se distinguirem pelo acento gráfico, tal como: para (á), flexão de parar, e para, preposição; pelo(s)(ê) (antes pêlo), substantivo, e pelo(ê) combinação de per e lo(s); polo(s)(ó), substantivo, e polo(s), combinação antiga e popular de por e lo(s); etc.
É inteiramente suprimido o uso do trema (¨) em palavras portuguesas e aportuguesadas, exceto quando tratar-se de nomes próprios estrangeiros e seus derivados, tais como hübneriano, de Hübner, mülleriano, de Müller, etc.
Não mais se usa o hífen em formações em que o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por r ou s, devendo estas consoantes duplicar-se, prática aliás já generalizada em palavras deste tipo pertencentes aos domínios científico e técnico. Assim temos: antirreligioso, antissemita, contrarregra, comtrassenha, cosseno, extrarregular, infrassom, minissaia, tal como biorritmo, biossatélite, eletrossiderurgia, microssistema, microrradiografia.
Com relação às letras mudas, serão suprimidas. Entretanto existem alguns casos em que, devido fatores geográficos, se permite dupla grafia, tal qual súbdito e súdito, subtil e sutil, amígdala e amídala, omnisciente e onisciente, aritmética e arimética. Nestes casos, os dicionários de língua portuguesa deverão registrar as duas formas, esclarecendo, tanto quanto possível, sobre o alcance geográfico e social desta oscilação de pronúncia.
A importância da unificação da língua
Considerando todas as mudanças que estão em curso na ortografia da língua portuguesa no Brasil e em todos países lusófonos, surgiram algumas manifestações contrárias a tais medidas. Entretanto, partilho a mesma opinião de muitos cidadãos sensatos que reconhecem que o primeiro patrimônio de um povo é sua língua, que deve ser valorizada e fortalecida como qualquer outro patrimônio. Portanto, esta padronização fortalece o reconhecimento internacional deste que é um dos cinco idiomas mais falados no Mundo, evita impasses quanto qual “vertente” do idioma (o de Portugal ou do Brasil), originadas em 1911, quando foi realizada uma grande reforma ortográfica em Portugal que não foi adotada pelo Brasil, será usada para à elaboração de documentos de alcance internacionais, permite a eliminação de algumas dificuldades, principalmente quanto a localização das palavras nos dicionários, de estudantes e professores estrangeiros de português, viabilizando uma maior propagação do idioma pelo Mundo, e possibilita uma aproximação maior das nações que o adotam, como língua oficial ou não, em todas as atividades humanas: comércio, cultura, política, etc. Um exemplo de como essa unificação terá um efeito positivo na realidade é a redução de custos de editoras brasileiras que comercializam livros nos países lusófonos da África ao dispensarem a elaboração de uma nova edição das obras para adequá-las ao português local.
Assim, considero que estamos vivendo um momento ímpar para a filologia brasileira e portuguesa, visto que desta vez há um consenso maior quanto às mudanças que serão feitas e um percentual menor de vocábulos que sofrerão mudanças, diferentemente do que ocorria nas primeiras tentativas de recriar somente um idioma português, onde as mudanças seriam feitas em praticamente toda a língua com, inclusive, retorno de algumas normas já abolidas no Brasil.
Para os conservadores, contrários à nova regra, convém informar que tais mudanças respeitarão as diferenças culturais, históricas e de pronúncia existentes atualmente e também é importante lembrar que, graças às mudanças acrescidas à língua, pudemos evoluir do latim vulgar, passando pelo galego-português dos Trovadores e deixando, não sem admiração e respeito à nossa pátria e nossa história, as Pharmacias nas esquinas de nosso passado, obtendo este maravilhoso idioma que, como disse Bilac, é esplendor e sepultura.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Conteúdo de palestra ministrada no dia 21/12/2008 na PIB Jardim Sideral


TEMA: “Max Weber e os três tipos puros de dominação legítima”.
OBJETIVO: apresentar e analisar p pensamento weberiano sobre os três tipos ideais de dominação, estabelecendo como tal entendimento pode ser agregado ao cotidiano individual.


Max Weber – Pequena Biografia: Max Weber (1864-1920) foi um sociólogo e jurista alemão, um dos mais importantes intelectuais do final do século XIX e início do XX, considerado um dos fundadores da Sociologia. Dedicou-se a vários estudos sobre Sociologia da Religião e entre suas principais obras estão “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo” (1904-5) e “Economia e Sociedade” (1922), onde ele fala sobre os três tipos ideais de autoridade, tema desta palestra.




Poder, dominação e legitimação

Muitas pessoas consideram poder e dominação como sinônimos, entretanto tais conceitos possuem apenas uma ligação e, portanto, diferem entre si. Assim sendo, diz-se do poder como sendo a capacidade de induzir ou influenciar o comportamento de outra pessoa, seja utilizando-se de coerção, manipulação ou de normas estabelecidas, ao passo que dominação (ou autoridade) é o direito adquirido de se fazer obedecido e exercer influência dentro de um grupo, podendo fundamentar-se, como motivo de submissão, em tradições e costumes institucionalizados, qualidades excepcionais de determinados indivíduos, afeto, interesses ou regras estabelecidas racionalmente e aceitas por todos. Muitos autores, dentre eles o próprio Weber, a consideram como uma probabilidade de exercer poder, pois, para tanto, não basta a si somente os motivos citados anteriormente, mas, numa relação entre dominador e dominados, também um apoio em “bases jurídicas”, onde surge a legitimação, ou seja, aquilo que vai possibilitar a crença dos dominados de que a dominação é legítima, sendo, portanto, fundamental ao seu exercício. Assim, autoridade é o estado que permite o uso de certo poder, mas que, para tanto, necessita de preceitos que, segundo Weber, estão ligados - em seu estado ideal – a uma estrutura social e a um meio administrativo diferente para cada um dos três tipos para ser legitimada.


Os três tipos de dominação segundo Max Weber

Em sua obra “Economia e Sociedade”, publicada dois anos após seu falecimento por sua esposa, Weber classifica a autoridade em três tipos, dependendo principalmente das bases da Sociedade em questão, ou seja, das bases de sua legitimidade:


Racional-Legal: origina-se de regras, estatutos e leis sancionadas pela Sociedade ou organização. Tais regras definem a quem obedecer e até quando obedecer, tornando possível a aceitação, por parte dos subordinados, de um superior devido uma consciência de que este tem direito de dar ordens, ou seja, reconhecem que a autoridade está no cargo ocupado e não na pessoa que o ocupa, que só pode exercer a dominação dentro dos limites estabelecidos pelo cargo ocupado. Sendo assim, a associação dominante é eleita ou nomeada pelas leis e regras definidas por todos, com a idéia básica de que qualquer direito pode ser criado ou modificado mediante um estatuto sancionado corretamente, ou seja, que leve em consideração as necessidades de todos os envolvidos, e os subordinados são membros da associação. Aqui o poder é impessoal, obedecendo-se à regra estatuída e não à pessoa; a administração é extremamente profissional e também está subordinada ao estatuto que a nomeou, não possuindo influência pessoal e/ou sentimental; e seu funcionamento tem por base a disciplina do serviço. As nomeações obedecem a exigências e competências profissionais para a atividade de um cargo, são baseadas em contratos de serviço, recebem um pagamento fixo de acordo com o cargo ocupado e possuem iguais chances de ascensão de acordo com as regras pré-estabelecidas. Logo, conclui-se que esta forma de Autoridade nos remete diretamente às instituições burocráticas, onde quem ordena é dito superior e os que obedecem são os profissionais, e que tal dominação só foi possível com a consolidação do Sistema Capitalista de Produção, que realizou a transição de uma Sociedade baseada em valores (tradicional) para uma orientada para objetivos, com regras e controle racional dos meios para atingir os fins. Exemplos: empresas capitalistas privadas, a estrutura moderna do Estado, forças armadas, etc.


Tradicional: tem como base de legitimação, e de escolha de quem a exercerá, as tradições e costumes de uma dada sociedade, personificando as instituições enraizadas no seio desta sociedade na figura do líder. Acredita na santidade das ordenações e dos poderes senhoriais, em um “estatuto” existente desde o principio, com o poder emanando da dignidade própria, santificada pela tradição, e do líder. Neste tipo, quem ordena é o senhor e quem obedece são os súditos, as regras são determinadas pela tradição, regidas pela honra e a boa vontade do senhor, que é considerado justo, e há uma prevalência dos princípios de equidade material em detrimento dos formais na atividade administrativa. Exemplos: a dominação patriarcal (tipo mais puro dessa dominação), uma aldeia indígena, a monarquia, os despotismos, o Estado Feudal, etc.


Carismática: etimologicamente, é aquela apoiada na devoção a um senhor e a seus dotes sobrenaturais (carisma). A influência só é possível devido qualidades pessoais, tais como faculdades mágicas, revelações, heroísmo e poder intelectual ou de oratória, com depósito de confiança em alguém que é visto como um herói, santo, salvador ou exemplo de vida, extinguindo-se quando há perda de credibilidade ou quando as virtudes que geravam tal influência sofrem desgaste. Em outras palavras, a dominação só dura enquanto há carisma. Nesta, quem ordena é visto como líder e os dominados são considerados apóstolos, discípulos, pupilos, seguidores, fãs, etc. O poder é pessoal, ou seja, obedece-se a pessoa por suas qualidades excepcionais e não por uma posição ocupada por ela formalmente ou por uma dignidade advinda das tradições. Este tipo de autoridade não deriva do reconhecimento, por outro lado, o reconhecimento e a fé são considerados deveres. Desconhece o conceito de competência ao nomear seu quadro administrativo sem considerar qualificações profissionais e também o de privilégio ao desconsiderar os costumes. Aqui o dominador é visto pelo dominado como alguém que possui uma missão a ser executada na Terra e, portanto, não necessita de regras e pode ser considerado como acima de toda lei imposta, pois necessitaria apenas de suas qualificações carismáticas para cumprir seus desígnios. Desprende-se da tradição devido à revolução ou renovação que o líder anuncia e a aceitação de suas ordens é de caráter obrigatório, desde que outra, também de origem carismática, não se oponha, quando há uma disputa entre líderes, onde somente a comunidade e a força do carisma de ambos, que será comparada e mensurada, irão decidir de qual lado está a “verdade”. Este tipo de Autoridade é um dos maiores impulsores das revoluções pela qual a humanidade passa, entretanto, por ser extremamente pessoal, tende a ser autoritário em sua forma mais pura. Exemplos: grandes demagogos, heróis guerreiros, profetas, Fidel Castro (na época da Revolução Cubana), Antônio Conselheiro, Gandhi, Jesus Cristo, Adolf Hitler, etc.


Conclusão

O objetivo desta palestra foi explicar os tipos de autoridade descritos por Weber em seu trabalho, entretanto é interessante ressaltar que os três tipos expostos são ideais, não no sentido de que deveriam ser estes os existentes na realidade, mas no sentido de serem projeções “utópicas” que não podem ser encontradas de forma pura na realidade, apresentando-se, freqüentemente, combinados. O propósito de Weber, e que estendo a esta palestra, era fazer uma construção intelectual, exagerando alguns aspectos da realidade, possibilitando uma melhor compreensão da Sociedade em que vivemos. Logo, acredito ser importante atentar para os pontos descritos e verificar qual tipo de Dominação predomina nos meios em que vivemos (escola, empresa, igreja e todas as organizações sociais das quais fazemos parte), podendo, portanto, melhorar nossa convivência ao possibilitar a criação de mecanismos de adequação ou de mudança quando necessário. Também acredito ser importante criarmos um senso crítico com relação às bases da legitimidade de nossas relações de Dominação, seja como dominante ou dominado, para possibilitarmos o nosso desenvolvimento, livrando-se de Dominações que freiem nosso crescimento, e, também, dos outros, adequando nossa forma de dominar da melhor forma para que todos possam se fortalecer com ela.


Bibliografia
-MAXIMINIANO, Antonio Cesar Amaru. Teoria geral da Administração: da escola científica à competitividade na economia globalizada. 2 ed.-São Paulo: Atlas, 2000, Capítulo 3.
-MOTTA, Fernando Cláudio Prestes; VASCONCELOS, Isabella Gouveia de. Teoria Geral da Administração. 3 ed.rev.-São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2006. Capítulo 5.
-WEBER, Max. Os Três Tipos Puros de Dominação Legítima. Tradução de Gabriel Cohen. Rio de Janeiro: VGuedes Multimídia, 2008.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Faculdade Ideal promove palestra para explicar características da Crise Mundial.


Evento: “Centro Acadêmico Discute: A Crise Mundial e seus impactos para as organizações
Palestrante: Prof. Mestre e Dr. em Economia e Secretário de Estado da Fazenda/PA José Raimundo Barreto Trindade
Local: Auditório FACI II Data: 28/10/2008


O Centro Acadêmico de Administração da Faculdade Ideal, juntamente com outros colaboradores, promoveu o evento acima citado com o objetivo de esclarecer dúvidas que eventualmente surgiram na Faculdade sobre a atual crise mundial. Assim, o palestrante inicia suas colocações, sob o título de “Crise Financeira - Anatomia de uma Crise típica”, relatando que estamos vivenciando um momento de interrogações, uma busca de entendimentos, onde não podemos ter idéias fixas, e sim compreender a situação a partir de determinadas assertivas sem utilizarmos explicações determinísticas. Assim, Trindade nos apresenta dois modelos teóricos que propõem nos ajudar a entendermos como ocorre uma crise e como esta vem a se estruturar: um modelo neomarxista, inspirado no livro III de O Capital, e o Modelo de Crise de Crédito, formulado por Henry Minsk. Tais modelos utilizados nos mostram que não podemos analisar o sistema capitalista sem considerar que este, comparativamente a um organismo vivo, apresenta momentos de normalidade ou crescimento e momentos de crise, sendo, portanto, um processo cíclico. Assim, sendo um processo, apresenta etapas, que, neste caso, são o boom (auge dos negócios e inicio do processo de declínio) e crash (a “quebra“ da economia, ou seja, a crise em si) e são necessárias para uma revolução na engrenagem econômica.
Ora, se o capitalismo é um processo cíclico, onde as depressões formam uma de suas etapas, qual o motivo de tanto alarde com a crise atual se já passamos por muitas outras e sobrevivemos? Segundo o palestrante, isto se dá apenas pelo fato de que as que outrora passamos eram mais periódicas, ao passo que no século atual as crises são mais desritmadas. Outro fator que deixa de sobreaviso a maioria dos especialistas no assunto, e mais ainda a Sociedade, é o fato de que esta crise surge num país do “centro”, alcançando de forma avassaladora outras nações do globo. Entretanto, não devemos considerar esta crise como “A Crise”, pois para tanto ela teria que desestruturar completamente o Capitalismo, o que acredita-se que não ocorrerá. O palestrante ressalta, utilizando-se da Teoria do Desenvolvimento Econômico de Schumpeter (1911), que as crises são sistemas de aprendizagem do Capitalismo, que se regenera e fortalece após estas, mesmo sem salvar todos seus componentes, pois é característica de qualquer crise a destruição, fragmentação e absorção por outras organizações de algumas instituições. Mas, como ocorre este aprendizado e consequente fortalecimento do capitalismo? Trindade cita a chamada Destruição Criativa, um dos elementos centrais das crises, onde os estragos causados por uma crise abrem espaços para o surgimento de empresas mais estruturadas, impulsiona um desenvolvimento tecnológico, desperta novas oportunidades e cria mecanismos de regulação da economia mais eficazes, provocando uma queda no ritmo das crises. Assim sendo, como teve inicio essa crise? Para isso, devemos entender como funciona o sistema de crédito, principal afetado, e quais fatores provocam sua quebra.
Trindade explica que este sistema funciona com títulos especulativos servindo de base para o surgimento de uma massa crescente de capital fictício, um boom de crédito bancário, formada principalmente por títulos de ações (base de confiança das empresas) e títulos da dívida pública (créditos cedidos ao Estado). Quando ocorre um rompimento de um dos elos dessa corrente, ocorre uma reação em cadeia (overtrading specullation), desestruturando todo o sistema crediário, pois há uma diminuição da emissão de financiamento e outros tipos de crédito devido um aumento do risco moral desse tipo de transação, certo receio às inadimplências. Isto afeta diretamente a principal função desse sistema: financiar as empresas (que, em alguns casos, até podem se autofinanciar, mas não o devem para garantir um grande capital de giro e evitar a escassez de crédito) e o Estado, e recomprar títulos no mercado secundário. Com esta quebra, criam-se situações propensas para uma crise de produção, pois, devido uma necessidade de liquidez e uma depreciação do capital mais acelerada, as empresas são estimuladas a deixarem de produzir para evitar perdas. Assim, as empresas responsáveis por produção de maquinários para produção são as primeiras a sentirem o efeito da crise, retraindo-se por requererem muito crédito, seguidas das empresas de manufatura que, por falta de capital de reposição, fecham o ciclo. Logo, conclui-se que uma crise desse tipo destrói capitais especulativos e produtivos. Assim sendo, como a crise atual está estruturada?
Trindade explica que a crise atual é uma típica crise de crédito. Ela surge nos EUA, com os títulos hipotecários (subprime) servindo como base para erguer diversos outros títulos especulativos, formando sua cadeia de capital fictício. Com a baixa regulação da economia americana, surgida com o neoliberalismo do final da década passada e no decorrer da atual, houve uma quebra no centro dessa cadeia, o que fez desabar a estrutura de créditos americana. Com isso, os bancos passam a ser muito mais seletivos na liberação de financiamentos e empréstimos, o que retira investimentos econômicos, impossibilitando um aumento e até manutenção da produção, fazendo com que empresas quebrem, aumentando o nível de desemprego e ocasionando um efeito cascata. Ora, como a economia americana está estreitamente ligada a outras economias do globo, isto afeta outros países ocasionando uma ação em cadeia. Assim, como o Brasil está interligado com a economia e o comércio mundial, este também é afetado, principalmente com a queda do preço de commodities. Entretanto, os efeitos da crise em nossa economia são atenuados devido o mercado interno ainda está aquecido, o Brasil ter uma baixa exposição fiscal, possuir reservas, ter uma economia mais regulada do que a americana e europeia, ter o capital especulativo mais concentrado e possuir um sistema de crédito menor em relação aos países centrais.
Assim, considero que o evento ajudou a entendermos porque o sistema capitalista passa por momentos de depressão, que tais momentos são uma forma do Capitalismo se realinhar e aperfeiçoar, fortalecendo-se e aumentando seu nível de organização e regulação, esclareceu as consequências que esta crise, em particular, trará para a economia mundial e que, paradoxalmente, está no inicio, mas possivelmente já encaminha-se para um fim. Entretanto, considerei que houve um esclarecimento superficial sobre como as organizações serão afetadas, contudo isto não afetou a qualidade de tudo que foi exposto e já nos deu um conhecimento prévio para analisarmos mais a fundo este aspecto.

Fora, Temer!