Somente em meio à clara escuridão
Se é capaz de sentir o calor gelado
Que desce por cima da espinha
No instante eterno
Em que contentamo-nos em sermos descontentes.
Inicia-se, portanto, o fim
Do eloquente silêncio,
Esse ilustre desconhecido,
De tão altíssima baixeza,
A quem a gentileza cruel
Presta-se a espalhar boatos fidedignos
Em meio à nossa mais pacífica guerra.
E por sermos presos em liberdade,
Gritamos em silêncio
Com uma espontaneidade tão precisamente calculada
Que, em meio a mais obscura claridade,
Permanecemos na lucidez louca
De criar os plágios mais originais,
Ricos de pobreza e cheios do vazio
Deixado por nossas lembranças esquecidas.
Eis que chega o sublime momento de assumir nossa inocente culpa
Declarada tacitamente
Pela necessidade de reparar o que é irreparável
Em todas as mentiras sinceras pronunciadas até agora
Por essencialidade do supérfluo.
É então que se percebe, na escura claridade,
Que até o gelo é fervente
Quando se busca a aprendizagem de desaprender.
Assim, chega-se ao fim inicial
De toda eloquência silenciosa
Que recolhe traços loucos de lucidez
Constantes na mais gentil crueldade
Ilusória e presente na realidade
De uma guerra santa
Em que, livres em nossa prisão,
Nosso silêncio só sabe gritar.
O.xi.mo.ro
s.m. 1. Expressão de linguagem
que consiste em reunir
palavras contraditórias; paradoxismo.
Belém/PA, 28 de agosto de 2012
(Dom Aquiles Crowley)