quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Oração do Administrador


"Senhor, diante das organizações devo ter CONSCIÊNCIA de minhas responsabilidades como ADMINISTRADOR. Reconheço minhas limitações, mas, humildemente, junto com meus companheiros de trabalho busco o consenso para alcançar a SOLUÇÃO e tornar o trabalho menos penoso e mais produtivo; Senhor, despido do egoísmo, quero crescer, fazendo crescer, também, os que me cercam e que são a razão de minha escolha profissional; Senhor, ADMINISTRE o meu coração para que ele siga o caminho do bem, pois, a mim caberá realizar obras sadias para tornar as organizações cada vez melhores e mais humanas."

Administrador: 45 anos construindo o futuro, desenvolvendo a Sociedade e modernizando o Estado!*


"Prometo dignificar minha profissão, consciente de minhas responsabilidades legais,
observar o Código de Ética, objetivando o aperfeiçoamento da Ciência da Administração,
o desenvolvimento das Instituições e a grandeza do Homem e da Pátria".
(Juramento do Administrador)



Há 45 anos foi publicada a lei n° 4.769, regulamentando a profissão de Administrador no Brasil. Tal fato é relembrado na data de hoje, quando se comemora o dia desse profissional que é o responsável pelo direcionamento das diversas organizações que compõem o contexto social.
Relativamente, o ensino de Administração no Brasil é recente, pois  começou a ser delineado apenas a partir de 1941, com a criação do primeiro curso na Escola Superior de Administração de Negócios – ESAN/SP, inspirado no modelo do curso da Graduate School of Business Administration da Universidade de Harvard, enquanto nos Estados Unidos, por exemplo, os primeiros cursos foram criados em 1881, ano da criação da Wharton School. No Brasil, o ensino da ciência da Administração passou a se consolidar somente a partir de 1952, quando é criada a Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas, da Fundação Getúlio Vargas – EBAPE/FGV, no Rio de Janeiro, com o apoio da Organização das Nações Unidas (ONU) e da United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciêcia e Cultura - UNESCO), e de 1954, quando é criada a EBAPE/SP, surgindo o primeiro currículo especializado em Administração, com o objetivo de formar especialistas em técnicas modernas de Administração e tornando-se referência para os outros cursos que surgiram no país.
Vale citar que no contexto de ensino da Admistração no Brasil e a América Latina, a FGV se apresenta como a pioneira e a mais importante instituição para o desenvolvimento da ciência. Criada por meio do Departamento de Administração do Serviço Público (DASP), em 1938, cuja finalidade inicial era estabelecer um padrão de eficiência no serviço público federal, além de criar canais mais democráticos para o recrutamento de Recursos Humanos para a administração pública, por meio de concursos de admissão, a FGV surgiu por meio do Decreto nº 6.933 como uma entidade voltada ao estudo de princípios e métodos da organização racional do trabalho, com o objetivo de qualificar o quadro de pessoal para a administração pública e privada.
Bem, a partir desses três momentos iniciais, que culminaram com a regulamentação dessa profissão e a difusão de seu ensino, inicia-se um processo de evolução, facilmente perceptível ao verificarmos que, dentre os cursos englobados na área das Ciências Sociais Aplicadas, o de Administração é o que apresenta maior expansão, principalmente a partir da década de 1990. Entretanto, ainda há muito o que evoluir, principalmente no que diz respeito à uma melhor especificação das áreas de atuação do administrador, à criação de uma linha científica que tenha foco nas peculiaridades locais, substituindo o paradigma de supremacia das Teorias Estrangeiras, e ao surgimento de uma consciência e de um posicionamento mais efetivos no que diz respeito ao papel do administrador não apenas dentro das organizações, mas frente à Sociedade e ao Estado constituído.
(Texto adaptado de *Comissão de Formatura AGBF 2011.2* "A Formatura Ideal!", escrito por Amarildo Ferreira Júnior em 9 de setembro de 2009)


Faça download por aqui:




*Frase do título de autoria de @amarildofjunior e uma das ganhadoras do concurso de frases e vídeos do Movimento Administração em Ação.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

#souadm


"Administrador: 46 anos construindo o futuro, desenvolvendo a Sociedade e modernizando o Estado!"
(Amarildo Ferreira Júnior)
Conheça outras frases ganhadoras acessando:

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Nova Série de Postagens: GesLinguística - O Idioma da Gestão


"Por que que a crença no futuro é fatal e a serpente simboliza o mal?"
(Raul Seixas)

Após um tempo parado devido problemas com meu computador, estou de volta e nessa retomada de caminhada verifiquei que o mundo dos negócios está cheio de termos específicos que, muitas vezes, não são de fácil compreensão para todos. Por isso, decidi iniciar uma nova série de postagens na qual irei apresentar alguns dos termos utilizados no mercado, muitos dos quais originários da Administração, com o objetivo de compartilhar o conhecimento de seus significados, funcionando, portanto, como um Dicionário Empresarial. Então, entre uma ou outra postagem da Série "Leitura Obrigatória" e alguns artigos, esta nova série, que denominei de "GesLinguística - O Idioma da Gestão", se fará presente. Espero que gostem...


GesLinguística - O Idioma da Gestão: Know-How e Know-Why.

Know-How: é o conhecimento sobre como executar determinada tarefa dentro de nossa área de atuação, podendo também ser chamado de conhecimento processual.
Know-Why: é o conhecimento que nos permite entender o por quê de determinada situação, permitindo ao seu detentor assumir melhores posições dentro de um contexto de quebra de paradigmas.

Importante citar que Know-How e Know-Why não devem ser vistos como pontos antagônicos, uma vez que este é o caminho para alcançar aquele, mas como complementares entre si e que, quando combinados da melhor forma, geram diferenciais competitivos à pessoa ou organização que utilizá-los, uma vez que serão conhecidas as causas de determinadas situações e de que forma se deve agir perante elas.

Dica: acesse http://sandrocan.wordpress.com/2009/02/11/a-importancia-do-know-why/ e conheça um pouco mais sobre estes dois termos e o contexto em que se inserem.



segunda-feira, 10 de maio de 2010

Hot Holl Sushi é destaque na VI Semana do Empreendedor da FACI

Nos dias 4, 5 e 6 de maio de 2010, a Faculdade Ideal (FACI) promoveu a VI Semana do Empreendedor, evento anual que ocorre no mês de maio e tem como objetivo dar oportunidades aos acadêmicos da instituição de colocar em prática os conhecimentos adquiridos, aperfeiçoando suas qualidades e fomentando o espirito empreendedor de seus discentes. O evento é formado por uma série de palestras e mini cursos ministrados pelos docentes da instituição e por profissionais que possuam experiência e destaque em suas áreas de atuação, além da Feira do Empreendedor, principal produto do evento, onde são disponibilizados stands a alunos, profissionais e público externo para exposição e comercialização de produtos e serviços, estimulando a criatividade e o talento empreendedor dos participantes, além de possibilitar ampliação do network de todos os envolvidos. Em sua 6ª edição, a Semana trouxe o tema "Capitalizando seu Empreendimento", destacando-se na Feira o stand nº 12 que levou para o evento uma parceria realizada entre os alunos da turma AGBF5A (5º período) Amarildo Ferreira Júnior, Davi Mesquita e Rodrigo Franco com a micro empresa Hot Holl Sushi, especializada na elaboração do prato japonês de forma rápida, barata e com qualidade. O stand inovou não só ao levar um tipo de alimento que não tinha espaço nas outras edições do evento e que é apreciado pelo público que prestigia a Feira, mas também pela decoração, pela forma que seus expositores se relacionavam com todo o público presente e por disponibilizar vendas à crédito ou débito automático. Também foram de fundamental importância o trabalho executado pelos amigos Jorge Giordano e Leandro Martins (ambos da AGBF5A) e pelos representantes do Hot Holl Sushi, Éder Rodrigues e Jonathan.  
Da esquerda para a direita:
Rodrigo Franco, Prof. Oswaldo Jr., Davi Mesquita, Jorge Giordano, Amarildo Ferreira, Éder Rodrigues e Jonathan


Os idealizadores da parceria:
Davi Mesquita, Rodrigo Franco e Amarildo Ferreira (segundo o trio, mais surpresas virão, aguardem!)


A equipe reunida

 Stand lotado: calma que tem para todo mundo

Ao final do evento o stand ainda disponibilizou uma barca repleta de sushi para o público degustar

Fim de Feira: todo mundo trabalhando para desmontar a decoração montada

sábado, 3 de abril de 2010

Resenha A Administração de custos, preços e lucros

Nome do Livro: A Administração de Custos, Preços e Lucros
Autor: Adriano Leal Bruni – mestre e doutor em Administração pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP) e sócio da Infinita Consultoria e Treinamento.
Editora: Atlas, 3ª Edição (2008)
Preço médio: R$ 60,00


Adquirido na XIII Feira Pan-Amazônica do Livro, realizada em novembro de 2009 no Hangar – Centro de Convenções e Feiras da Amazônia –, este livro apresenta conhecimentos básicos para qualquer profissional ou estudante das áreas administrativa, contábil ou financeira, que, entretanto, nem sempre buscam tais conhecimentos, ficando, nesses casos, com a empregabilidade comprometida. Quinto livro da série Desvendando as Finanças, a obra é dividida em 9 capítulos, sendo o último apresentação de um recurso elaborado por Bruni e disponível no site da editora Atlas ou no site dos livros da série (site Minhas Aulas), chamado de modelo CUSTOFACIL.XLS, tratando-se de uma planilha eletrônica que pode ser aplicada para análise de ponto de equilíbrio, decisões sobre materiais diretos, realização de rateios e elaboração de preços para comércio, serviços ou indústria. Além da CUSTOFACIL.XLS, existem outros recursos nos sites mencionados, como slides elaborados pelo autor e a resolução completa de todos os exercícios apresentados no decorrer do livro, dentre outros recursos.

O objetivo da obra, segundo o próprio autor, é apresentar de forma clara e simples os principais conceitos associados ao processo de registro e gestão de custos, o que realmente ocorre e justifica minha indicação do livro. Entretanto, convém citar que o livro pode frustrar o leitor que deseje ter uma obra em que as lições são apresentadas com aplicação prática no Excel ou na calculadora HP12C, uma vez que o livro traz em sua capa a citação “com aplicações na HP12C e Excel” e só apresenta tais aplicações nas páginas 144, 145 e 289 a 294 (aplicações com a HP12C) e no capítulo 9 (aplicações com o Excel, sendo este capítulo dedicado exclusivamente à apresentação da CUSTOFACIL.XLS). Considero também um erro o excesso de divulgação dos outros livros da série, que são indicados na orelha do livro, na apresentação da série, no final de cada capítulo e, em alguns momentos, no meio dos capítulos, o que ficou desgastante e gerou a sensação de que a editora, o autor ou ambos desejam enfiar goela abaixo e de qualquer forma a série toda, quando acredito que deveriam apostar no interesse que a leitura do livro geraria para obtenção dos outros de forma mais natural ou, se induzida, de forma menos “violenta”. Ademais, o livro é de boa leitura e tem certa contribuição para uma boa formação profissional, principalmente por apresentar uma quantidade de exercícios que facilita a fixação dos conceitos aprendidos.

Inicialmente, no capitulo 1 (Os custos, a Contabilidade e as Finanças), Bruni apresenta conceitos como o de Contabilidade Financeira, patrimônio, resultado e fluxo de caixa, com as respectivas importâncias e os seus componentes. O capítulo apresenta a estrutura de balanço patrimonial e aborda a questão dos prazos de pagamento ou recebimento. Também são apresentados nesse capítulo os regimes de competência e de caixa, os principais termos técnicos contábeis (gastos, receitas, custos, deduções, investimentos, despesas, resultado, perdas) e as visões da contabilidade financeira, da gerencial e da contabilidade de custos, fazendo-se um paralelo entre elas e entre a contribuição que cada uma traz para a empresa.

O capítulo 2 (Os Custos e a Contabilidade Financeira) vem apresentar as diferentes formas de classificar os custos (em função da forma de associação aos produtos elaborados, de acordo com a variação em relação ao volume produzido, de acordo com a controlabilidade, em relação a alguma situação específica ou em função da análise do comportamento passado) e o custeio por absorção. O próximo capítulo (Os Custos e a Contabilidade Gerencial) apresenta a forma como as decisões se relacionam com os gastos, descrevendo os gastos fixos e variáveis e a implicação de cada um desses no processo decisório, além de apresentar a relação custo-volume-lucro dentro da contabilidade gerencial. Aqui também é apresentado o conceito, a análise e as diferentes formas de calcular o ponto de equilíbrio; o que são e qual a importância dos três tipos de alavancagem e das margens de segurança, apresentando-se, também, os conceitos de ROI (Retorno sobre o Investimento) e ROE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido).

O quarto capítulo (Os Custos e seus Componentes) apresenta os três componentes formadores dos custos (Material Direto, Mão-de-Obra Direta e Custos Indiretos de Fabricação), apresentando formas de calcular cada um destes e maneiras de realizar seus lançamentos contábeis para auxiliar na tomada de decisões. Este capítulo também apresenta três critérios que podem ser utilizados para avaliação do estoque de mercadorias – PEPS (Primeiro que Entra, Primeiro que Sai), UEPS (Último que Entra, Primeiro que Sai) ou Custo Médio Ponderado – citando suas respectivas vantagens e desvantagens. Também são apresentados conteúdos referentes à programação de compras e estoques de materiais diretos (cálculos de custo de estocagem, custo de pedido, estoque médio, intervalo de pedido, número de ressuprimentos a serem realizados num determinado intervalo e Lote Econômico de Compra) e à mão-de-obra ociosa durante a produção. Além desses conceitos, são apresentados os principais centros de custos e a importância de sua utilização para facilitar o processo de rateio dos custos e alocação das despesas aos produtos. Por fim, o capítulo apresenta o custeio por atividades e é nele a primeira vez que o autor apresenta uma aplicação da HP12C, descrevendo como a calculadora pode efetuar cálculos de média aritmética simples ou ponderada.

No capítulo 5 (Os Custos e A Margem de Contribuição), Bruni faz uma comparação entre o custeio direto e o custeio variável, apresenta a margem de contribuição e sua importância e descreve os principais problemas no rateio dos custos, sugerindo soluções e adaptações das formas de rateio para cada situação apresentada. Há neste capítulo uma abordagem sob a ótica da Teoria das Restrições associada à margem de contribuição para determinação do mix de produtos que deve ser produzido. O capítulo 6 (Tributo, Custos e Preços) vem apresentar como os diferentes impostos, sobretudo o Imposto de Renda e a forma de sua tributação adotada pela empresa, implicam na administração dos custos e formação dos preços. Para isso, Bruni apresenta as três formas de tributação do IR no Brasil (Lucro Real, Presumido ou Simples Nacional), descrevendo as principais vantagens de cada uma e em qual momento uma vai ser mais vantajosa que as outras duas. Mas, Bruni não se resume apenas a apresentar as formas de tributação do IR, ele também apresenta tabelas com as porcentagens de que são aplicadas a cada atividade e descreve quais atividades se encaixam em qual forma de tributar o IR. O autor também apresenta as formas de se calcular impostos “por dentro” ou “por fora” e explica a cumulatividade ou não-cumulatividade fiscal e a substituição tributária, além de apresentar os principais impostos associados à formação de preço e maneira de trabalhar com cada um deles nesse processo (Cofins, PIS, IR, CSSL, ISS, ICMS, IPI). Interessante é que Bruni divide didaticamente os impostos em Impostos Gerais (Cofins, PIS, CSSL, IR) e Impostos Específicos (ISS, ICMS e IPI – impostos para serviços, comércio e indústria, respectivamente), o que facilita o processo de aprendizado. Quanto ao ICMS, Bruni tem maior cuidado ainda ao apresentar a forma como se dá a cobrança deste em relações comerciais entre os Estados diferentes ou quando este possui substituição tributária.

O capítulo 6 (Os Custos, os Preços e os Lucros) trabalha com três diferentes métodos de formar preços (baseado em custos, baseado no valor percebido ou análise da concorrência). É apresentada aqui a relação entre preços, custos e valores percebidos e é nesse capítulo que se enumera os componentes do preço (lucro, impostos, despesas e custos). Bruni também apresenta a maneira como se elabora e aplica uma taxa de marcação (Mark-up) e atenta para o fato de que não se deve usar uma única maneira de elaboração de preço para evitar preços que não correspondam ao valor dado ao produto/serviço ou preços fora de uma intersecção que traga benefícios tanto para o consumidor como para a empresa. Aqui também é feita uma relação entre lucratividade e rentabilidade como forma de avaliação de desempenho de uma empresa. É nesse capitulo que aparece, pela segunda vez, aplicações da HP12C, agora já sob uma ótica financeira levando em consideração juros, valores presentes ou futuros e séries de pagamentos antecipadas ou postecipadas.

Por fim, o capítulo 8 (Os Preços, o Marketing e a Estratégia) é o único em que não há predominância de cálculos, mas tem sua importância justificada ao atentar para a importância do posicionamento estratégico nas empresas. O capítulo vem apresentar conceitos como valor percebido e seus condicionantes, posicionamento de produtos e sua relação com a formação do preço, formas de percepções do produto, cadeia de valor e estratégia de negócios, apresentando, para tanto, vários casos práticos, inclusive em seus exercícios, alguns dos quais adaptados mas que, com um pouco de conhecimento de mercado e de percepção, podem ser identificados.

Bem, como disse no inicio deste artigo, o que me influenciou a indicar esse livro como uma foi a simplicidade como o autor expôs seus conhecimentos, alguns dos quais eu já até possuía, mas, no todo, sua leitura me enriqueceu um pouco mais, cumprindo o que se propôs. Como principal ensinamento, posso dizer que o livro me mostrou que não é tão complicado gerir custos e formar preços para atingir lucro, bastando, para tanto, não utilizar apenas este ou aquele método, mas integrar todo o conjunto de conhecimentos adquiridos e aplicá-los associadamente, buscando sempre o ponto de inflexão que melhor se apresentar.

Até a próxima Resenha!

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Sobre Na'Vis, Incas, Maias e Astecas



Dizer que o filme Avatar, escrito e dirigido por James Cameron (diretor de Titanic, Exterminador do Futuro 1 e 2, Aliens e Rambo II, entre outros) é um divisor de águas no cinema e apresenta-se como o maior orçamento de uma produção cinematográfica até o momento (US$ 500 milhões, divididos entre a execução da produção, que abocanhou cerca de US$ 237 milhões, e gastos com o desenvolvimento de novas tecnologias, marketing, propaganda, etc.) é lugar comum em grande parte da mídia e entre os críticos do cinema, iniciados e entendidos no assunto. Como não me incluo na “grande parte da mídia” e nem sou crítico de cinema, ao analisar tal produção me proponho a não atentar para detalhes técnicos, pois, afinal, não possuo conhecimentos suficientes para efetuar uma análise sob essa ótica. Logo, buscarei apresentar a percepção que a estória retratada no filme causou em mim e as conclusões que tive ao refletir sobre ela.

Confesso que o que me impulsionou a assistir o filme foi a grande expectativa gerada pelos meios de comunicação em relação à produção – afinal, houve uma promoção em massa, um verdadeiro bombardeio de marketing –, apesar de tê-lo feito com certa barreira psicológica que vez ou outra construo ao me deparar com obras artísticas onde verifico grande ação midiática, como se a intenção desta fosse enfiar goela abaixo esse ou aquele filme, livro, cantor, etc., e pelo meu gosto mais voltado para manifestações artísticas alternativas. Entretanto, com o desenrolar das cenas, esse “muro” foi desmoronando e, antes da metade do filme, eu já estava totalmente imerso no universo de Pandora, uma das luas do planeta fictício Polifemo e onde ocorre toda a estória de Avatar.

A palavra avatar tem sua origem no sânscrito, significando “descida”, “aquele que descende de Deus”, “encarnação”. Com maior relação com a religião hindu, avatar seria uma manifestação corporal de um ser imortal, um deus, principalmente os deuses supremos cultuados pelos hinduístas. Entretanto, com o tempo, outros povos e religiões também usam o termo quando se referem a manifestações terrestres de espíritos em corpos de carne. Esse é o sentido utilizado para a palavra no título do filme, uma vez que um dos fatores principais e mais presente é o uso de corpos geneticamente modificados e controlados remotamente e que são uma hibridização do DNA humano com o DNA Na'Vi, povo humanóide que mede 3 metros de altura, possui cauda, ossos reforçados com fibra de carbono e uma pele azulada bioluminescente, sendo esses corpos chamados de avatares e utilizados para possibilitar a exploração do território pandoriano, já que humanos não possuem capacidade de respirar na atmosfera do planeta, rica em dióxido de carbono, metano e amônia, além de facilitar a aproximação humana com o povo Na'Vi.

Ao refletir sobre o filme, lembrei imediatamente do que as aulas de História ensinaram sobre os povos pré-colombianos, em especial incas, maias e astecas, comparando-os, até certo ponto, com o povo Na'Vi. Ao analisar e comparar a história dos nativos pré-colombianos com a estória dos nativos de Pandora verifiquei pontos e traços interessantes, alguns análogos, outros apenas com leves semelhanças, mas que, tendo um prévio conhecimento de História e certo olhar peculiar sobre o filme, possibilitam encaixe de alguns fatos.

Inicialmente, comparei os humanos do filme aos colonizadores e navegantes europeus, ao passo que o povo Na'Vi foi comparado aos povos pré-colombianos. Tal comparação se baseia em três fatos: primeiro, que os europeus da História passaram a realizar suas navegações com o objetivo de obter novas riquezas e recursos, sobretudo ouro, especiarias e madeiras, tal objetivo exemplificado metaforicamente na lenda do El Dourado, cidade toda construída em ouro maciço que se acreditou está localizada em algum ponto no México, na Venezuela, Guiana ou até no Brasil, entre outras localidades das Américas (aliás, acredito que nunca uma cidade mudou tanto de localização como o El Dourado), enquanto os humanos de Avatar passaram a desbravar Pandora em busca do Unobtainium, precioso minério, cuja maior reserva está localizada sob a aldeia de um dos clãs daquele planeta; segundo, pois, tal como os povos pré-colombianos, os Na'Vi dividiam-se em clãs ou tribos, cada qual com territórios e características culturais e políticas próprias, e possuíam sua religião, esta bem diferente da de seus desbravadores, com seu panteão de deuses, dentre eles Eywa é a mais importante, representando o equilíbrio gerado pela interação de todos os seres vivos por meio de uma rede de milhões de conexões neurais, sendo, portanto, representação da própria Natureza; e, em terceiro lugar, pelo próprio embate que houve, em ambos os casos, pela defesa dos recursos ambicionados e pela sobrevivência da cultura e do próprio estilo de vida de pré-colombianos e Na'Vis, com, nos dois casos, os exploradores detendo um arsenal bélico e conhecimento tecnológico superior ao dos nativos.

Também vale notar que, embora em minha comparação Na'Vis e pré-colombianos estejam relacionados da mesma forma como humanos e europeus, nossos nativos eram mais desenvolvidos sob a ótica tecnológica e estrutural, já que dominavam com certa perfeição técnicas como agricultura, astronomia, comércio, cerâmica, ourivesaria, arquitetura e certa engenharia primitiva, ao passo que os Na'Vis eram povos que viviam em árvores gigantescas e sobreviviam da coleta e da caça, sendo, também, povos guerreiros. Mesmo assim, ambos tinham sua divisão social, com líderes e sacerdotes especificados e uma linha de sucessão definida, além de lendas sobre guerreiros que unificariam os clãs e tribos e derrotariam seus algozes.

Importante, também, é analisar os desfechos do filme e de nossa história. Na ficção, o final é bem mais justo do que foi na vida real, pois, embora humanos possuam um arsenal tecnológico e bélico poderoso, são derrotados pelos Na'Vis, que são liderados por Jake Sully (Sam Worthington), um ex-fuzileiro naval confinado a uma cadeira de rodas que foi selecionado para o programa Avatar em substituição ao seu irmão gêmeo morto, pois possuía genoma idêntico ao deste e, consequentemente, compatibilidade com o Avatar já produzido para o irmão. Jake não possuía nenhum conhecimento de como usar o avatar e nem da cultura e língua Na'Vi, além de apresentar alguns traços de subversão, mas conseguiu ganhar a confiança de Neytiri (Zöe Saldaña) ao ser salvo por ela de um ataque de uma criatura nativa e após ser coberto por sementes da Árvore da Vida, significando que Eywa o havia escolhido para algo. Assim, Neytiri o leva para o seu clã, os Omaticaya, onde Jake passa a aprender sobre a cultura Na'Vi e torna-se um membro do povo, além de se apaixonar por Neytiri. Quando as tropas humanas percebem que os Na'Vi não vão abandonar sua aldeia, iniciam um ataque destruidor e Jake, rejeitado pelos Na'Vi por ser considerado um traidor, domina a fera dos ares, Toruk, uma besta que só cinco Na'Vis conseguiram montar, iniciando, assim, a unificação dos clãs Na'Vi para possibilitar a derrota dos humanos, contando, ainda, com a ajuda de Eywa, que envia a fauna de Pandora para ajudar na batalha, quando esta parece perdida.

Na vida real, o cenário foi diferente. Pré-colombianos foram dizimados pelo poder de fogo superior dos europeus, embora apresentassem um maior número. Fator crucial nessa derrota foi o fato de que os nativos americanos, especificamente os astecas, terem acreditado que Hernan Cortés e seu grupo de conquistadores era a realização de uma profecia que rezava a volta do deus Quetzalcoatl do exílio para vingar-se e reclamar a cidade de Tenochtitlán, o que confundiu Montezuma, imperador asteca, e propiciou aos espanhóis dizimarem o povo asteca, mesmo estando em menor número.

Outro fato que me chamou atenção no filme, foi a maneira como é retratada a relação do homem com a Natureza. É visível que esta relação se dá de uma forma predatória, onde o homem subjuga a Natureza em favor de suas cobiças. Assim, Avatar pode representar uma projeção do que virá a ser o destino da humanidade, reservando-se, claro, as proporções da realidade, pois o filme, como megaprodução que é, busca causar impacto no expectador por meio do fantástico, tornando a realidade mais utópica. Mesmo assim, pode-se ver, apenas canalizando um pouco mais a atenção, que aspectos do filme, como a busca por riqueza em outros territórios, no caso em Pandora, ocasionada pelo esgotamento das riquezas da Terra, apresentam semelhanças com a maneira com a qual a humanidade age atualmente, procurando e explorando até a escassez as riquezas encontradas e, após o esgotamento destas, indo procurá-las em lugares cada vez mais difíceis de serem acessados, sempre deixando um rastro de desmatamento, poluição e desrespeito à Natureza, extinguindo espécies animais e riscando do mapa grupos étnicos que se apresentam frente aos seus objetivos.

Logo, espero que possamos aprender não apenas com este filme ou outros que virão, mas, principalmente, com nossos próprios atos e erros, para que, no futuro, possamos desenvolver nossas atividades econômicas e sociais de maneira sustentável, não apenas em relação à Natureza, mas também em relação à outras raças, crenças e culturas, pois, do contrário, será necessário um Jake Sully comandar uma pequena legião de guerreiros e, com a benevolência de Deus, fazer-nos engolir nosso poderio e nossa cobiça.

Fora, Temer!