domingo, 15 de novembro de 2009

Ministério do Trabalho e Emprego publicou Portaria que torna obrigatória a certificação dos SREP

No dia 21 de agosto de 2009, o Ministro do Trabalho e Emprego Carlos Roberto Lupi assinou e publicou a Portaria de número 1.510 que disciplina o uso do ponto eletrônico nas empresas. Tal medida obriga às empresas a adotarem um sistema de controle da assiduidade de seus colaboradores certificado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, o que impede a adulteração dos dados e fraudes dentro das empresas para não pagar horas extras, gerando uma maior certeza de correção na marcação, protegendo funcionários, ao lhes proporcionar uma maior garantia de registro de sua efetiva jornada de trabalho, e empregadores, ao permiti-lhes um maior controle sobre a assiduidade e frequência de seus funcionários.
Segundo a Portaria, as organizações têm um prazo de 12 meses a partir da publicação da mesma no Diário Oficial para certificarem seus relógios de ponto, entretanto a adaptação dos arquivos e dos sistemas às especificidades da portaria deve ser imediata. Assim, a Portaria obriga as empresas a adotarem um SREP (Sistema de Registro Eletrônico de Ponto) que registre horários fielmente, não sendo permitidas, por lei, ações que desvirtuem os fins legais para os quais é adotado o SREP, como:
  • Imposição, por parte das empresas, de restrições de horário à marcação do ponto;
  • Marcação automática do ponto (utilizando-se horários predeterminados ou o horário escrito no contrato de trabalho);
  • Exigência, por parte do sistema, de autorização prévia para marcação de sobrejornada;
  • Existência de qualquer meio que permita a alteração dos dados registrados.

Logo, quando da realização de fiscalizações trabalhistas e auditorias, se forem encontradas provas de que houve adulteração dos horários marcados pelo funcionário ou de que existem subrotinas ou programas internos que permitem o desconhecimento do horário real de trabalho do profissional, documentos e equipamentos da empresa deverão ser recolhidos, testemunhas serão ouvidas e demais técnicas necessárias serão adotadas para comprovação do ato ilícito, com a empresa enquadrando-se na situação de passividade de multa e de ação trabalhista, correndo o risco de ter de ressarcir seus colaboradores prejudicados por falta de pagamento de horas extras, sobrejornadas ou que forem obrigados a simular sua saída do trabalho em um horário que não é o real.
Para acessar a Portaria 1.510, de 21 de Agosto de 2009 na íntegra, clique aqui.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Comissão de Formatura AGBF 2011.2

Acesse também o blog http://formaturaideal.blogspot.com
e expresse sua opinião sobre o que a Comissão de Formatura dos discentes do
3º período do Curso de Administração da Faculdade Ideal (FACI) podem fazer
em relação ao meio acadêmico belenense.
Dicas, críticas, opiniões e sugestões são bem vindas!

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Um novo desabrochar da flor do Lácio



Desde 1º de Janeiro de 2009 está em vigor o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, que visa a unificação ortográfica do idioma, sua simplificação e aprimoramento em todos os países membros da comunidade lusitana e um aumento de seu prestígio internacional. Porém, junto com esse Acordo, surgiram dúvidas quanto ao fato de quais e quantas mudanças ocorrerão em nossa ortografia, como será feita a transição da atual norma ortográfica para a nova norma estabelecida e como foi elaborado este novo regimento. Logo, propus-me pesquisar para esclarecer tais dúvidas, possibilitando minha atualização ortográfica e a exposição do que pude encontrar de esclarecedor para todos os que acompanham as publicações deste blog. Para tanto, utilizei-me do que está sendo veiculado na mídia (conteúdo que considero pobre em relação ao que os meios de comunicação em massa poderiam e deveriam dispor à população, demonstrando mais uma vez o descompromisso que os “formadores de opinião” têm com a Educação e a Cultura de nosso país) e tive acesso, por meio do site do Ministério da Educação, ao Diário Oficial da União de 30 de Setembro de 2008, data na qual foi publicado o Decreto Nº 6.583, de 29 de setembro de 2008, que promulga o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.
Histórico do Acordo
O Acordo em questão não é assunto tão recente como muitos (inclusive este que lhes escreve) pensavam. Ele teve seu projeto aprovado em Lisboa no dia 12 de outubro de 1990 pela Academia das Ciências de Lisboa, Academia Brasileira de Letras e pelas delegações de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe, tendo adesão da delegação de observadores da Galiza, sendo assinado, naquela mesma cidade, em 16 de dezembro de 1990 pelos representantes da República Popular de Angola, República Federativa do Brasil (representada por Carlos Alberto Gomes Chiarelli, Ministro da Educação à época), República de Cabo Verde, República da Guiné-Bissau, República de Moçambique e República Portuguesa, com distribuição de um exemplar de mesmo teor e valor para cada delegação. Em seu projeto foi estabelecida a data de 1º de janeiro de 1993 como prazo final para elaboração, pelos Estados signatários do Acordo, através de suas instituições e órgãos competentes, de um novo vocabulário ortográfico comum à língua portuguesa que atendesse a todas as expectativas possíveis, e a data de 1º de janeiro de 1994 para inicio de seu vigor, após apresentação, por parte de todos os Estados signatários junto ao Governo da República Portuguesa, dos instrumentos necessários à sua autenticação. Aqui no Brasil, o Acordo foi aprovado pelo Congresso Nacional, por meio do Decreto Legislativo Nº 54, em 18 de abril de 1995 e teve seu instrumento de ratificação depositado junto ao Ministério de Negócios Estrangeiros da República Portuguesa em 24 de junho de 1996, entrando em vigor em âmbito internacional e num plano jurídico externo em 1º de janeiro de 2007.
O Acordo, como já citado anteriormente, já está produzindo efeitos desde 1º de janeiro de 2009, entretanto, como o mesmo não obedeceu os prazos estipulados, para regularizá-lo foi necessária a adoção de dois Protocolos Modificativos, um de 17 de julho de 1998, assinado na Praia e o outro de 25 de julho de 2004, assinado em São Tomé, no qual houve a adesão da República Democrática de Timor-Leste. Verifica-se que ele prevê um período de transição, no qual a antiga e a nova norma ortográfica coexistirão, que se estenderá até 31 de dezembro de 2012. Seu anúncio, no dia 29 de setembro de 2008, foi marcado por uma cerimônia realizada no Salão Nobre da Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro, em meio a celebração dos 100 anos da morte do escritor brasileiro Machado de Assis e foi presidido pelo presidente Lula, que ressaltou uma aproximação do Brasil com suas raízes, a importância dos acordos educacionais e culturais do Brasil com os países da África que falam português e um fortalecimento da língua e cultura brasileira.
Acredito que, embora existam resistências e dificuldades de transição de uma norma para outra, tal medida possibilitará o fortalecimento que se propõe da língua portuguesa e uma melhoria nas relações entre as Nações lusófonas, além de extinguir certas peculiaridades que, se algum dia tiveram alguma função, hoje estavam totalmente obsoletas. Entretanto, para que o Acordo seja realmente cumprido e não vire mais uma lei “elefante branco”, é importante a realização de um processo de reeducação da população eficaz e de reciclagem e adequação dos meios didáticos (livros, professores, etc.) às novas normas por parte de todas Nações envolvidas. No Brasil, por exemplo, foi estabelecido que a partir de 2010 os livros escolares distribuídos pelo Ministério da Educação à rede pública de ensino deverão ser editados somente na nova ortografia. Medidas iguais a esta e outros cuidados são necessárias para que não ocorram mais uma vez os fracassos obtidos nas tentativas de 1931, 1943, 1945, 1975 e 1986, embora a promulgação de algumas leis em 1971, no Brasil, e 1973, em Portugal, terem reduzido algumas divergências ortográficas entre os dois países.

Quais mudanças mais significativas?
Segundo dados do MEC, 0,8% dos vocábulos no Brasil e 1,3% em Portugal serão modificados pelo Acordo, ocasionando uma unificação de cerca de 98% do vocabulário geral da língua. Note que Portugal terá um percentual maior de mudanças do que o Brasil. Isso deve-se, principalmente, ao fato de que Portugal terá que suprimir consoantes mudas em alguns vocábulos, como ação (acção), ativo (activo), diretor (director), ótimo (óptimo), entre outras, enquanto o Brasil já as aboliu a certo tempo. Veja abaixo a relação de algumas normas ortográficas presentes no Novo Acordo (algumas realmente novas outras remanescentes da antiga norma que julguei importante ao conhecimento de todos):
Recomendação da substituição, sempre que possível, de nomes próprios de línguas estrangeiras por formas vernáculas, quando estas estejam vivas em português, se já forem antigas, ou se puderem ser inseridas no uso corrente, o que evita um corrompimento da língua por estrangeirismos. São citados como exemplos no acordo os seguintes casos: Anvers, substituído por Antuérpia; Cherbourg, por Cherburgo; Garonne, por Garona; Genève, por Genebra; Jutland, por Jutlândia; Milano, por Milão; München, por Munique; Torino, por Turim; Zürich, por Zurique, etc.
Suprime-se o h “quando, apesar da etimologia, a sua supressão está inteiramente consagrada pelo uso: erva, em vez de herva; e, portanto, ervaçal, ervanário, ervoso (em contraste com herbáceo, herbanário, herboso, formas de origem erudita)”.
“Em algumas (poucas) palavras oxítonas terminadas em -e tônico, geralmente provenientes do francês, esta vogal, por ser articulada nas pronúncias cultas ora como aberta ora como fechada, admite tanto o acento agudo como o acento circunflexo: bebé ou bebê; bidé ou bidê, canapé ou canapê, caraté ou caratê, croché ou crochê, guiché ou guichê, académico ou acadêmico, matiné ou matinê, nené ou nenê, ponjé ou ponjê, puré ou purê, rapé ou rapê. O mesmo se verifica com formas como cocó e cocô, (letra do alfabeto grego) e . São igualmente admitidas formas como judô, a par de judo, e metrô, a par de metro.”
Os ditongos representados por -ei e -oi na sílaba tônica das palavras paroxítonas não são acentuados. Assim, algumas palavras, que antes recebiam acento agudo nesses casos, como assembleia, ideia, epopeico, onomatopeico, proteico, heroico, jiboia, apoio (do verbo apoiar) e alcaloide, perderão o acento, equiparando-se a aldeia, baleia, cadeia, cheia, meia, apoio (subst.) e dezoito.
Torna-se prescindível o uso de acento circunflexo nas formas verbais paroxítonas que contêm um e tônico oral fechado em hiato com a terminação -em da 3ª pessoa do plural do presente do indicativo ou do conjuntivo, conforme os casos: creem, deem (conj.), descreem, desdeem (conj.), leem, preveem, redeem (conj.), releem, reveem, tresleem, veem. Também dispensa-se o acento circunflexo para assinalar a vogal tônica fechada com a grafia o em palavras paroxítonas como enjoo (substantivo e flexão de enjoar), povoo (flexão de povoar), voo (substantivo e flexão de voar), etc.
Cai em desuso a adoção de acento, seja agudo ou circunflexo, de palavras que, sendo homógrafas, possuem mesma vogal tônica aberta ou fechada, deixando, portanto, de se distinguirem pelo acento gráfico, tal como: para (á), flexão de parar, e para, preposição; pelo(s)(ê) (antes pêlo), substantivo, e pelo(ê) combinação de per e lo(s); polo(s)(ó), substantivo, e polo(s), combinação antiga e popular de por e lo(s); etc.
É inteiramente suprimido o uso do trema (¨) em palavras portuguesas e aportuguesadas, exceto quando tratar-se de nomes próprios estrangeiros e seus derivados, tais como hübneriano, de Hübner, mülleriano, de Müller, etc.
Não mais se usa o hífen em formações em que o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por r ou s, devendo estas consoantes duplicar-se, prática aliás já generalizada em palavras deste tipo pertencentes aos domínios científico e técnico. Assim temos: antirreligioso, antissemita, contrarregra, comtrassenha, cosseno, extrarregular, infrassom, minissaia, tal como biorritmo, biossatélite, eletrossiderurgia, microssistema, microrradiografia.
Com relação às letras mudas, serão suprimidas. Entretanto existem alguns casos em que, devido fatores geográficos, se permite dupla grafia, tal qual súbdito e súdito, subtil e sutil, amígdala e amídala, omnisciente e onisciente, aritmética e arimética. Nestes casos, os dicionários de língua portuguesa deverão registrar as duas formas, esclarecendo, tanto quanto possível, sobre o alcance geográfico e social desta oscilação de pronúncia.
A importância da unificação da língua
Considerando todas as mudanças que estão em curso na ortografia da língua portuguesa no Brasil e em todos países lusófonos, surgiram algumas manifestações contrárias a tais medidas. Entretanto, partilho a mesma opinião de muitos cidadãos sensatos que reconhecem que o primeiro patrimônio de um povo é sua língua, que deve ser valorizada e fortalecida como qualquer outro patrimônio. Portanto, esta padronização fortalece o reconhecimento internacional deste que é um dos cinco idiomas mais falados no Mundo, evita impasses quanto qual “vertente” do idioma (o de Portugal ou do Brasil), originadas em 1911, quando foi realizada uma grande reforma ortográfica em Portugal que não foi adotada pelo Brasil, será usada para à elaboração de documentos de alcance internacionais, permite a eliminação de algumas dificuldades, principalmente quanto a localização das palavras nos dicionários, de estudantes e professores estrangeiros de português, viabilizando uma maior propagação do idioma pelo Mundo, e possibilita uma aproximação maior das nações que o adotam, como língua oficial ou não, em todas as atividades humanas: comércio, cultura, política, etc. Um exemplo de como essa unificação terá um efeito positivo na realidade é a redução de custos de editoras brasileiras que comercializam livros nos países lusófonos da África ao dispensarem a elaboração de uma nova edição das obras para adequá-las ao português local.
Assim, considero que estamos vivendo um momento ímpar para a filologia brasileira e portuguesa, visto que desta vez há um consenso maior quanto às mudanças que serão feitas e um percentual menor de vocábulos que sofrerão mudanças, diferentemente do que ocorria nas primeiras tentativas de recriar somente um idioma português, onde as mudanças seriam feitas em praticamente toda a língua com, inclusive, retorno de algumas normas já abolidas no Brasil.
Para os conservadores, contrários à nova regra, convém informar que tais mudanças respeitarão as diferenças culturais, históricas e de pronúncia existentes atualmente e também é importante lembrar que, graças às mudanças acrescidas à língua, pudemos evoluir do latim vulgar, passando pelo galego-português dos Trovadores e deixando, não sem admiração e respeito à nossa pátria e nossa história, as Pharmacias nas esquinas de nosso passado, obtendo este maravilhoso idioma que, como disse Bilac, é esplendor e sepultura.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Conteúdo de palestra ministrada no dia 21/12/2008 na PIB Jardim Sideral


TEMA: “Max Weber e os três tipos puros de dominação legítima”.
OBJETIVO: apresentar e analisar p pensamento weberiano sobre os três tipos ideais de dominação, estabelecendo como tal entendimento pode ser agregado ao cotidiano individual.


Max Weber – Pequena Biografia: Max Weber (1864-1920) foi um sociólogo e jurista alemão, um dos mais importantes intelectuais do final do século XIX e início do XX, considerado um dos fundadores da Sociologia. Dedicou-se a vários estudos sobre Sociologia da Religião e entre suas principais obras estão “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo” (1904-5) e “Economia e Sociedade” (1922), onde ele fala sobre os três tipos ideais de autoridade, tema desta palestra.




Poder, dominação e legitimação

Muitas pessoas consideram poder e dominação como sinônimos, entretanto tais conceitos possuem apenas uma ligação e, portanto, diferem entre si. Assim sendo, diz-se do poder como sendo a capacidade de induzir ou influenciar o comportamento de outra pessoa, seja utilizando-se de coerção, manipulação ou de normas estabelecidas, ao passo que dominação (ou autoridade) é o direito adquirido de se fazer obedecido e exercer influência dentro de um grupo, podendo fundamentar-se, como motivo de submissão, em tradições e costumes institucionalizados, qualidades excepcionais de determinados indivíduos, afeto, interesses ou regras estabelecidas racionalmente e aceitas por todos. Muitos autores, dentre eles o próprio Weber, a consideram como uma probabilidade de exercer poder, pois, para tanto, não basta a si somente os motivos citados anteriormente, mas, numa relação entre dominador e dominados, também um apoio em “bases jurídicas”, onde surge a legitimação, ou seja, aquilo que vai possibilitar a crença dos dominados de que a dominação é legítima, sendo, portanto, fundamental ao seu exercício. Assim, autoridade é o estado que permite o uso de certo poder, mas que, para tanto, necessita de preceitos que, segundo Weber, estão ligados - em seu estado ideal – a uma estrutura social e a um meio administrativo diferente para cada um dos três tipos para ser legitimada.


Os três tipos de dominação segundo Max Weber

Em sua obra “Economia e Sociedade”, publicada dois anos após seu falecimento por sua esposa, Weber classifica a autoridade em três tipos, dependendo principalmente das bases da Sociedade em questão, ou seja, das bases de sua legitimidade:


Racional-Legal: origina-se de regras, estatutos e leis sancionadas pela Sociedade ou organização. Tais regras definem a quem obedecer e até quando obedecer, tornando possível a aceitação, por parte dos subordinados, de um superior devido uma consciência de que este tem direito de dar ordens, ou seja, reconhecem que a autoridade está no cargo ocupado e não na pessoa que o ocupa, que só pode exercer a dominação dentro dos limites estabelecidos pelo cargo ocupado. Sendo assim, a associação dominante é eleita ou nomeada pelas leis e regras definidas por todos, com a idéia básica de que qualquer direito pode ser criado ou modificado mediante um estatuto sancionado corretamente, ou seja, que leve em consideração as necessidades de todos os envolvidos, e os subordinados são membros da associação. Aqui o poder é impessoal, obedecendo-se à regra estatuída e não à pessoa; a administração é extremamente profissional e também está subordinada ao estatuto que a nomeou, não possuindo influência pessoal e/ou sentimental; e seu funcionamento tem por base a disciplina do serviço. As nomeações obedecem a exigências e competências profissionais para a atividade de um cargo, são baseadas em contratos de serviço, recebem um pagamento fixo de acordo com o cargo ocupado e possuem iguais chances de ascensão de acordo com as regras pré-estabelecidas. Logo, conclui-se que esta forma de Autoridade nos remete diretamente às instituições burocráticas, onde quem ordena é dito superior e os que obedecem são os profissionais, e que tal dominação só foi possível com a consolidação do Sistema Capitalista de Produção, que realizou a transição de uma Sociedade baseada em valores (tradicional) para uma orientada para objetivos, com regras e controle racional dos meios para atingir os fins. Exemplos: empresas capitalistas privadas, a estrutura moderna do Estado, forças armadas, etc.


Tradicional: tem como base de legitimação, e de escolha de quem a exercerá, as tradições e costumes de uma dada sociedade, personificando as instituições enraizadas no seio desta sociedade na figura do líder. Acredita na santidade das ordenações e dos poderes senhoriais, em um “estatuto” existente desde o principio, com o poder emanando da dignidade própria, santificada pela tradição, e do líder. Neste tipo, quem ordena é o senhor e quem obedece são os súditos, as regras são determinadas pela tradição, regidas pela honra e a boa vontade do senhor, que é considerado justo, e há uma prevalência dos princípios de equidade material em detrimento dos formais na atividade administrativa. Exemplos: a dominação patriarcal (tipo mais puro dessa dominação), uma aldeia indígena, a monarquia, os despotismos, o Estado Feudal, etc.


Carismática: etimologicamente, é aquela apoiada na devoção a um senhor e a seus dotes sobrenaturais (carisma). A influência só é possível devido qualidades pessoais, tais como faculdades mágicas, revelações, heroísmo e poder intelectual ou de oratória, com depósito de confiança em alguém que é visto como um herói, santo, salvador ou exemplo de vida, extinguindo-se quando há perda de credibilidade ou quando as virtudes que geravam tal influência sofrem desgaste. Em outras palavras, a dominação só dura enquanto há carisma. Nesta, quem ordena é visto como líder e os dominados são considerados apóstolos, discípulos, pupilos, seguidores, fãs, etc. O poder é pessoal, ou seja, obedece-se a pessoa por suas qualidades excepcionais e não por uma posição ocupada por ela formalmente ou por uma dignidade advinda das tradições. Este tipo de autoridade não deriva do reconhecimento, por outro lado, o reconhecimento e a fé são considerados deveres. Desconhece o conceito de competência ao nomear seu quadro administrativo sem considerar qualificações profissionais e também o de privilégio ao desconsiderar os costumes. Aqui o dominador é visto pelo dominado como alguém que possui uma missão a ser executada na Terra e, portanto, não necessita de regras e pode ser considerado como acima de toda lei imposta, pois necessitaria apenas de suas qualificações carismáticas para cumprir seus desígnios. Desprende-se da tradição devido à revolução ou renovação que o líder anuncia e a aceitação de suas ordens é de caráter obrigatório, desde que outra, também de origem carismática, não se oponha, quando há uma disputa entre líderes, onde somente a comunidade e a força do carisma de ambos, que será comparada e mensurada, irão decidir de qual lado está a “verdade”. Este tipo de Autoridade é um dos maiores impulsores das revoluções pela qual a humanidade passa, entretanto, por ser extremamente pessoal, tende a ser autoritário em sua forma mais pura. Exemplos: grandes demagogos, heróis guerreiros, profetas, Fidel Castro (na época da Revolução Cubana), Antônio Conselheiro, Gandhi, Jesus Cristo, Adolf Hitler, etc.


Conclusão

O objetivo desta palestra foi explicar os tipos de autoridade descritos por Weber em seu trabalho, entretanto é interessante ressaltar que os três tipos expostos são ideais, não no sentido de que deveriam ser estes os existentes na realidade, mas no sentido de serem projeções “utópicas” que não podem ser encontradas de forma pura na realidade, apresentando-se, freqüentemente, combinados. O propósito de Weber, e que estendo a esta palestra, era fazer uma construção intelectual, exagerando alguns aspectos da realidade, possibilitando uma melhor compreensão da Sociedade em que vivemos. Logo, acredito ser importante atentar para os pontos descritos e verificar qual tipo de Dominação predomina nos meios em que vivemos (escola, empresa, igreja e todas as organizações sociais das quais fazemos parte), podendo, portanto, melhorar nossa convivência ao possibilitar a criação de mecanismos de adequação ou de mudança quando necessário. Também acredito ser importante criarmos um senso crítico com relação às bases da legitimidade de nossas relações de Dominação, seja como dominante ou dominado, para possibilitarmos o nosso desenvolvimento, livrando-se de Dominações que freiem nosso crescimento, e, também, dos outros, adequando nossa forma de dominar da melhor forma para que todos possam se fortalecer com ela.


Bibliografia
-MAXIMINIANO, Antonio Cesar Amaru. Teoria geral da Administração: da escola científica à competitividade na economia globalizada. 2 ed.-São Paulo: Atlas, 2000, Capítulo 3.
-MOTTA, Fernando Cláudio Prestes; VASCONCELOS, Isabella Gouveia de. Teoria Geral da Administração. 3 ed.rev.-São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2006. Capítulo 5.
-WEBER, Max. Os Três Tipos Puros de Dominação Legítima. Tradução de Gabriel Cohen. Rio de Janeiro: VGuedes Multimídia, 2008.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Faculdade Ideal promove palestra para explicar características da Crise Mundial.


Evento: “Centro Acadêmico Discute: A Crise Mundial e seus impactos para as organizações
Palestrante: Prof. Mestre e Dr. em Economia e Secretário de Estado da Fazenda/PA José Raimundo Barreto Trindade
Local: Auditório FACI II Data: 28/10/2008


O Centro Acadêmico de Administração da Faculdade Ideal, juntamente com outros colaboradores, promoveu o evento acima citado com o objetivo de esclarecer dúvidas que eventualmente surgiram na Faculdade sobre a atual crise mundial. Assim, o palestrante inicia suas colocações, sob o título de “Crise Financeira - Anatomia de uma Crise típica”, relatando que estamos vivenciando um momento de interrogações, uma busca de entendimentos, onde não podemos ter idéias fixas, e sim compreender a situação a partir de determinadas assertivas sem utilizarmos explicações determinísticas. Assim, Trindade nos apresenta dois modelos teóricos que propõem nos ajudar a entendermos como ocorre uma crise e como esta vem a se estruturar: um modelo neomarxista, inspirado no livro III de O Capital, e o Modelo de Crise de Crédito, formulado por Henry Minsk. Tais modelos utilizados nos mostram que não podemos analisar o sistema capitalista sem considerar que este, comparativamente a um organismo vivo, apresenta momentos de normalidade ou crescimento e momentos de crise, sendo, portanto, um processo cíclico. Assim, sendo um processo, apresenta etapas, que, neste caso, são o boom (auge dos negócios e inicio do processo de declínio) e crash (a “quebra“ da economia, ou seja, a crise em si) e são necessárias para uma revolução na engrenagem econômica.
Ora, se o capitalismo é um processo cíclico, onde as depressões formam uma de suas etapas, qual o motivo de tanto alarde com a crise atual se já passamos por muitas outras e sobrevivemos? Segundo o palestrante, isto se dá apenas pelo fato de que as que outrora passamos eram mais periódicas, ao passo que no século atual as crises são mais desritmadas. Outro fator que deixa de sobreaviso a maioria dos especialistas no assunto, e mais ainda a Sociedade, é o fato de que esta crise surge num país do “centro”, alcançando de forma avassaladora outras nações do globo. Entretanto, não devemos considerar esta crise como “A Crise”, pois para tanto ela teria que desestruturar completamente o Capitalismo, o que acredita-se que não ocorrerá. O palestrante ressalta, utilizando-se da Teoria do Desenvolvimento Econômico de Schumpeter (1911), que as crises são sistemas de aprendizagem do Capitalismo, que se regenera e fortalece após estas, mesmo sem salvar todos seus componentes, pois é característica de qualquer crise a destruição, fragmentação e absorção por outras organizações de algumas instituições. Mas, como ocorre este aprendizado e consequente fortalecimento do capitalismo? Trindade cita a chamada Destruição Criativa, um dos elementos centrais das crises, onde os estragos causados por uma crise abrem espaços para o surgimento de empresas mais estruturadas, impulsiona um desenvolvimento tecnológico, desperta novas oportunidades e cria mecanismos de regulação da economia mais eficazes, provocando uma queda no ritmo das crises. Assim sendo, como teve inicio essa crise? Para isso, devemos entender como funciona o sistema de crédito, principal afetado, e quais fatores provocam sua quebra.
Trindade explica que este sistema funciona com títulos especulativos servindo de base para o surgimento de uma massa crescente de capital fictício, um boom de crédito bancário, formada principalmente por títulos de ações (base de confiança das empresas) e títulos da dívida pública (créditos cedidos ao Estado). Quando ocorre um rompimento de um dos elos dessa corrente, ocorre uma reação em cadeia (overtrading specullation), desestruturando todo o sistema crediário, pois há uma diminuição da emissão de financiamento e outros tipos de crédito devido um aumento do risco moral desse tipo de transação, certo receio às inadimplências. Isto afeta diretamente a principal função desse sistema: financiar as empresas (que, em alguns casos, até podem se autofinanciar, mas não o devem para garantir um grande capital de giro e evitar a escassez de crédito) e o Estado, e recomprar títulos no mercado secundário. Com esta quebra, criam-se situações propensas para uma crise de produção, pois, devido uma necessidade de liquidez e uma depreciação do capital mais acelerada, as empresas são estimuladas a deixarem de produzir para evitar perdas. Assim, as empresas responsáveis por produção de maquinários para produção são as primeiras a sentirem o efeito da crise, retraindo-se por requererem muito crédito, seguidas das empresas de manufatura que, por falta de capital de reposição, fecham o ciclo. Logo, conclui-se que uma crise desse tipo destrói capitais especulativos e produtivos. Assim sendo, como a crise atual está estruturada?
Trindade explica que a crise atual é uma típica crise de crédito. Ela surge nos EUA, com os títulos hipotecários (subprime) servindo como base para erguer diversos outros títulos especulativos, formando sua cadeia de capital fictício. Com a baixa regulação da economia americana, surgida com o neoliberalismo do final da década passada e no decorrer da atual, houve uma quebra no centro dessa cadeia, o que fez desabar a estrutura de créditos americana. Com isso, os bancos passam a ser muito mais seletivos na liberação de financiamentos e empréstimos, o que retira investimentos econômicos, impossibilitando um aumento e até manutenção da produção, fazendo com que empresas quebrem, aumentando o nível de desemprego e ocasionando um efeito cascata. Ora, como a economia americana está estreitamente ligada a outras economias do globo, isto afeta outros países ocasionando uma ação em cadeia. Assim, como o Brasil está interligado com a economia e o comércio mundial, este também é afetado, principalmente com a queda do preço de commodities. Entretanto, os efeitos da crise em nossa economia são atenuados devido o mercado interno ainda está aquecido, o Brasil ter uma baixa exposição fiscal, possuir reservas, ter uma economia mais regulada do que a americana e europeia, ter o capital especulativo mais concentrado e possuir um sistema de crédito menor em relação aos países centrais.
Assim, considero que o evento ajudou a entendermos porque o sistema capitalista passa por momentos de depressão, que tais momentos são uma forma do Capitalismo se realinhar e aperfeiçoar, fortalecendo-se e aumentando seu nível de organização e regulação, esclareceu as consequências que esta crise, em particular, trará para a economia mundial e que, paradoxalmente, está no inicio, mas possivelmente já encaminha-se para um fim. Entretanto, considerei que houve um esclarecimento superficial sobre como as organizações serão afetadas, contudo isto não afetou a qualidade de tudo que foi exposto e já nos deu um conhecimento prévio para analisarmos mais a fundo este aspecto.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Semana Acadêmica de Administração da FACI é encerrada com brilhante palestra.

Evento: Palestra “CRA – Regulação, Administrador Social e Mercado de Trabalho”
Palestrante: Diretor de Fiscalização e Registro do Conselho Federal de Administração (CFA) Adm. José Célio Santos Lima
Local: Auditório FACI II Data: 25/9/2008


O evento aqui relatado é o desfecho da IX Semana Acadêmica de Administração da FACI, que se iniciou com a execução do Hino do Estado do Pará e da música “Sabor Marajoara”, de autoria do cantor e compositor paraense Nilson Chaves, e com o pronunciamento do Prof. Gilberto Alcindo, coordenador do curso de Administração da FACI, do Prof. de Ciências Sociais e Políticas Cláudio Carvalho e do graduando em Administração Emerson Lima, representante do Centro Acadêmico, que agradeceram a todos os envolvidos na realização do evento e enfatizaram a importância da Semana Acadêmica como forma de intercâmbio de conhecimentos entre acadêmicos e profissionais de destaque em suas áreas de atuação e a conscientização de que o aprendizado deve ser constante. Após os pronunciamentos, desfez-se a mesa e o palestrante José Lima iniciou sua palestra criticando ferrenhamente o Secretário de Gestão do Estado de Alagoas, que classificou a classe administradora alagoana como incompetente num evento realizado na faculdade CESMAC (Centro de Estudos Superiores de Maceió), ressaltando que tal incompetência não provém de administradores em si, mas sim de cabos eleitorais que ocupam cargos administrativos sem qualidade para tal por conta de favores políticos. Após esta critica, ele inicia a demonstração do papel do administrador no Mercado de Trabalho, seus cenários e suas perspectivas.
Lima destaca um fato muito importante: a diferença entre a Academia e o Mercado de Trabalho. Tal diferença reside no fato de as teorias estudadas na Academia não são modelos que permanecem imutáveis frente às variáveis que se encontram na realidade, ou seja, elas devem apenas servir como uma base de direcionamento para poder lidar com esta ou aquela situação. Assim, quando somos alunos somos dependentes, precisamos de supervisão e aprendemos com nossos erros, mas quando se é profissional é necessário ter independência, responsabilidade e a consciência de que qualquer erro pode ser fatal para a organização a qual pertencemos e até para a nossa própria vida profissional. Outro fator que é citado por ele é a falta de aproximação entre Academia e Mercado, pois muitas instituições de ensino não acompanham as exigências do Mercado, ao passo que este também não repassa os parâmetros que devem nortear a formação de mão-de-obra qualificada para atendê-lo. Isto resulta numa subqualificação de mão-de-obra, ficando muito aquém da qualificação ideal para desenvolvimento do Mercado e, também, dos profissionais incluídos nele.
Lima prossegue sua palestra mostrando-nos a jovialidade da Ciência da Administração, que só passou a ser considerada profissão no Brasil por intermédio da lei 4.769 de 9 de setembro de 1965, e a dificuldade de se determinar um campo especifico de atuação por ser uma ciência altamente genérica. Ele ressalta, ainda, a incompletabilidade da lei que regulamenta nossa profissão, lei esta que apresenta tais falhas por não ter sido redigida por administradores e, com isso, desconhece, ou finge desconhecer, alguns dos pontos ligados aos interesses de nossa classe. Em seguida, Lima nos apresenta os Conselhos Regionais e Federal de Administração, órgãos responsáveis pelo registro dos profissionais realmente aptos a exercer esta profissão, e que têm por missão difundir a Ciência da Administração, valorizar o profissional da área e defender a sociedade ao usar nossos conhecimentos para construção da mesma.
Após estas conjecturas, somos apresentados a quatro campos de atuação de nossa Ciência, ou seja, campos onde deverá constar pelo menos um administrador devidamente registrado para representar a organização, determinados pelo artigo 2º, alínea “a” da lei que regulariza a profissão, a saber:
a) administração financeira, orçamentária e patrimonial;
b) seleção e administração de pessoal;
c) administração de comércio exterior; e
d) administração de material, mercadologia e de produção.


Ainda são apresentados dados relativos ao ensino da Administração, mostrando-nos o grande número de instituições que possui este curso em seu portfólio, o perfil do administrador e a postura dos recém-formados no mercado de trabalho. É importante citar o destaque que Lima deu ao fato de o Mercado de hoje possuir uma flexibilidade bem maior do que há algum tempo atrás e de considerar que um bom administrador tem que ter confiança, atitude, persistência, visão sistêmica e aberta do todo e, principalmente, promover ações que possibilitem maior sinergia entre pessoas e recursos para atingir, assim, os objetivos da organização e da sociedade, ou seja, uma conduta fundamentada no respeito.
Ao final da palestra, foram apresentadas algumas das ações dos conselhos (que estão embasadas na fiscalização do exercício da profissão e das condições para que isso ocorra sem desvios e na promoção da qualidade e do bem-estar do administrador, houve a exibição de um curta-metragem que buscava [grifo proposital] mostrar a evolução da humanidade através dos tempos e instigava a procurar perceber os detalhes que podem fazer a diferença mesmo em situações de aparentemente dificuldade (na verdade, um exemplo da contaminação que, infelizmente, a Administração vem sofrendo da “literatura” pseudocientifica acerca de conceitos de motivação e auto-estima) e a entrega do diploma de participação no evento ao palestrante pelas mãos do Prof. Administrador Especialista Allan Carneiro.
Assim, considero que o evento teve uma boa organização, o conteúdo apresentado ajudou-me a entender parte da importância dos conselhos e como poder ser visto como um profissional com diferencial, o palestrante mostrou-se um bom orador e dominador do assunto ministrado, porém me desagradou à falta de tempo para tirar algumas dúvidas que, naturalmente, passam a surgir quando se entra em contato com novos conhecimentos.

Relato da palestra de abertura da Semana Acadêmica de Administração realizada pela Faculdade Ideal com o tema Administrador Social.


Evento: Palestra “Políticas Públicas, Desenvolvimento Social e Empresarial”
Palestrante: Prof. Dr. em Economia Francisco Marcelo Garritano Barone (EBAPE/FGV)
Local: Auditório FACI II Data: 23/9/2008

O evento a ser relatado marcou o inicio da IX Semana Acadêmica de Administração da Faculdade Ideal e, como é de praxe, teve entre suas solenidades pronunciamentos dos organizadores do evento, do Diretor Geral da Mantenedora da Instituição, Prof. Manoel Leite, e do Diretor Geral do Grupo Educacional Ideal, Prof. João Messias. O palestrante Francisco Barone iniciou sua palestra explicando-nos que a economia é dinâmica e mutável, citando a crise americana e a intervenção estatal nesta como forma de entendermos que, apesar das depressões que sofre, o sistema capitalista recompõe-se ao longo do tempo, surgindo assim novos regimes dentro do mesmo sistema econômico. Para exemplificar, lembrou a intervenção do governo Fernando Henrique no setor bancário no inicio do Plano Real para evitar um colapso do sistema financeiro brasileiro, ressaltando que, embora à época tenha parecido para alguns um mau negócio, tal medida, análoga a adotada nos Estados Unidos, evitou a desestruturação da economia brasileira e ainda resultou em títulos cambiais às partes envolvidas. Em seguida, Barone citou o que ele considera questões importantes para os novos administradores, tais como buscar ser um profissional com diferencial, capacitado para assumir seu papel no desenvolvimento do país, sabendo promover e preservar sua imagem num mundo cada vez mais dinâmico e que cobra uma preparação de qualidade e ininterrupta.
Somente após fazer essa rápida apresentação à Economia e às exigências do Novo Mercado estabelecido, é que Barone começa realmente a ministrar sua palestra, citando Santo Agostinho ao dizer que uma cidade é feita de homens e não de casas e que são esses homens que fazem a diferença nas organizações e, consequentemente, na Sociedade. Ele nos explica que toda organização tem por objetivo a maximização da riqueza de seus acionistas (incluindo-se também nesse conceito organizações públicas, onde os acionistas são os membros da Sociedade que aplicam como “capital” os impostos que pagam e que devem ser revertidos em benefícios da própria Sociedade) e a preservação da riqueza de todos aqueles que influenciam ou são influenciados direta ou indiretamente pela organização, os chamados stakeholders.
Ora, fala-se muito em administrador social, mas o que é esse tipo de administrador e como ele pode ser responsável pelo desenvolvimento do país?
Para entender o papel do administrador nesta nova sociedade, Barone apresenta os oito objetivos de desenvolvimento do Milênio (erradicar a extrema pobreza e a fome; atingir a educação básica universal; promover a igualdade entre os sexos e a valorização da mulher; reduzir a mortalidade infantil; melhorar a saúde materna; combater o HIV/AIDS, a malária e outras doenças; garantir a sustentabilidade ambiental; e estabelecer uma parceria mundial para o desenvolvimento), assumidos por 191 nações, juntamente com dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) que nos mostram as situações atuais de tais itens, indagando-nos sobre como atingir essas metas até 2015, prazo estipulado pela Organização das Nações Unidas (ONU). O próprio Barone nos responde que tais metas não serão atingidas plenamente com os modelos de desenvolvimento adotados atualmente, afirmando que a única maneira de atingir tais objetivos dentro do sistema capitalista não é com o perdão das dívidas das nações pobres ou em desenvolvimento pelos países de mercado consolidado e nem com políticas paternalistas por parte do governo, e sim dando capacidade aos indivíduos para desenvolverem atividades produtivas de maneira sustentável. Para o palestrante, isso acontecendo dá ao cidadão uma possibilidade de cuidar melhor de sua saúde e da saúde de sua família, facilita o acesso à educação de qualidade, aquece a economia e cria mais empreendedorismo, gerando um círculo virtuoso, o chamado efeito multiplicador da renda. Mas, de que forma aumentar o acesso da população à atividades produtivas e, ao mesmo tempo, de maneira sustentável?
Barone utiliza a Teoria do Desenvolvimento Econômico formulada por Joseph Schumpeter em 1911 e da Transformação Social proposta pelo Economista C. K. Prahalad para mostrar como isso é possível. Assim, o primeiro prega que o desenvolvimento sustentável só é possível com exploração e materialização de novas oportunidades, concretizando o espírito empreendedor na sociedade, com inovações tecnológicas (a chamada Destruição Criativa, onde as tecnologias criadas tem maior obsolescência para abrir espaço para novas tecnologias), aumentando a facilidade de acesso ao crédito e adaptando as decisões às peculiaridades locais, tendo como foco mulheres, jovens, universitários, empresas jovens e/ou de rápido crescimento); ao passo que o segundo baseia-se na ideia do Capitalismo Inclusivo, no qual deve ocorrer o incentivo do acesso das camadas mais pobres da Sociedade ao consumo, aumentando seu poder de compra com disponibilização de crédito, partindo do pressuposto de que “o pote de ouro está na base da pirâmide social”.
Barone destaca que é o Estado que deve dá suporte ao desenvolvimento, passando a estruturar-se mais para tanto, fornecendo o entorno, como, por exemplo, educação de qualidade, revendo as leis tributárias, “enxugando” o processo de abertura de firmas que, por seu alto grau de morosidade, inibe o desenvolvimento de empresas, e facilitando o acesso dos novos empreendedores ao crédito. Assim, o Estado deve redefinir seu papel, trabalhando com todos seus vetores (municipal, estadual e federal) convergindo a uma mesma direção, amparando e dando suporte para a iniciativa privada gerar riquezas e desenvolvimento, papel inverso ao qual este vem desempenhando, particularmente no Brasil, ao inibir o desenvolvimento do empreendedorismo de forma mais ampla e formal com sua elevada carga tributária (cerca de 40% do PIB), processos de abertura de firma que chegam a durar até 100 dias e a grande dificuldade de acesso ao crédito. Outro ponto colocado foi a possível venda da Amazônia ao capital estrangeiro como solução em potencial, destacando-se que abrir mão da Amazônia é abrir mão da soberania nacional, onde a cabível e única forma possível é aproveitar esse capital externo que tem a Amazônia como porta de entrada para promover o desenvolvimento nacional de forma sustentável, racional e regulado pelo Estado.
Assim, o Estado deve está disposto a assumir seu papel de incentivador do desenvolvimento e o capital privado deve posicionar-se com maior parceria junto ao Governo e a Sociedade, todos conscientes de que tais melhorias são um investimento de longo prazo e que requer planejamento voltado para as necessidades locais, não a absorção de modelos estrangeiros que não se encaixam em nossa realidade, tanto cultural como econômica.

Fora, Temer!